Olá Dezembro! Olá Natal!

Mais um mês de Dezembro que inicia, trazendo consigo feriados, frio e festas, e muitas outras coisas, boas e menos boas, porém é sobre as festas, principalmente a festa do Natal, que hoje escrevo.

Escrever sobre o Natal é muito fácil para mim. Porque gosto especialmente do brilho das luzes que enfeitam as ruas, as casas e as árvores, da alegria das músicas alusivas a esta quadra, da azáfama (controlada 😊) para fazer as compras para a consoada, os presentes para a família e amigos, a nossa rede real. Gosto dos embrulhos, dos laços e das fitas. Gosto da casa enfeitada, da família reunida, de uma bonita mesa para a consoada, e da alegria e entusiasmo dos mais pequenos.

No Natal há sempre lugar para recordar com saudade os que já não estão fisicamente connosco, mas estão na nossa memória e no nosso coração. Lembrar com alegria o privilégio que foi, tê-los nas nossas vidas, e de os manter vivos nos nossos hábitos e costumes desta época festiva, através de uma receita de bacalhau da Mãe, dos Coscorões da Tia e das fantásticas Broas da Sogra…

No Natal, em família, recordamos e rimos daquele presente inusitado, de outro muito desejado, de uma receita que nos correu mal anos atrás, ou de outra que não pode nunca faltar. Rimos ainda ao recordar, aquele ano em que apareceu um Pai Natal gordinho e de fato encarnado, com uma voz igualzinha á do Tio João…

Natal é o que cada um de nós quiser e puder. Num momento em que o mundo se tornou num lugar perigoso e difícil de entender, não faltam motivos para que a magia e o brilho do Natal, sejam facilmente abafados pela tristeza e pela dor, sobrepondo-se á alegria de festejar. Porém, podemos sempre que possível, escolher desfrutar da presença dos que nos são tão queridos, e, na medida do que está ao alcance de cada um de nós, aproveitarmos para construir memórias felizes.

Respeitando todos os que por qualquer que seja o motivo, não apreciam nem festejam o Natal, desejo aos meus leitores umas Festas Felizes, e que o Ano que já está aí a espreitar, traga ao mundo a Paz, o Amor e a Compreensão, de que todos nós tanto precisamos!

Falar do “Ninho Vazio”…

Síndrome de “ninho vazio” é a denominação dada a um conjunto de sentimentos e emoções que os pais habitualmente experienciam, aquando da saída dos seus filhos da casa da família. Esta síndrome não é uma patologia, no entanto pode ser vivida de forma mais ou menos intensa e ser algo perturbadora.

Independentemente de se ter apenas um filho ou vários, vê-los sair de casa para estudar, trabalhar, casar ou o que quer que seja, desencadeia nos pais sentimentos por vezes muito contraditórios. A ambivalência de sentimentos como orgulho de os ver crescer e atingir autonomia e independência, e a sensação de vazio que causa a sua ausência, podem afetar tanto o pai como a mãe. No entanto, a mãe é tipicamente a que mais se manifesta… Muitos pais têm extrema dificuldade em conceber as suas vidas longe dos filhos, vivendo esta fase com muita angústia e sofrimento.

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O Natal pode ou não, ser o que cada um de nós quiser?

Tradicionalmente, as famílias cristãs celebram o nascimento de Jesus na noite de 24 para 25 de Dezembro. O Natal carrega em si uma simbologia própria e caracteriza-se pelas reuniões de família, refeições com pratos típicos como o bacalhau, o Perú e as filhós, troca de presentes e em muitos casos a participação em celebrações religiosas, como é o caso da Missa do Galo.

A época do Natal inicia-se cada vez mais cedo, uma vez que é marcada também por um maior consumismo. Os estabelecimentos comerciais enfeitam-se de acordo com as tradições e oferecem promoções para incentivar a aquisição de presentes e assim dinamizar a sua economia. As autarquias e juntas de freguesia empreendem os seus melhores esforços no sentido de dar cor, luz e por vezes música, às ruas de cada bairro e cidade. Cada pessoa à sua maneira, e dentro daquilo que são as suas crenças e possibilidades, vive a época natalícia com maior ou menor entusiasmo. Muitas pessoas vivenciam o espírito da festa religiosa que simboliza esta quadra, outras, não crentes, vivem o Natal com espírito de festa e com um entusiasmo e alegria mais mundanos. Será então “legítimo” que os não cristãos vivenciem o Natal e lhe atribuam outro significado que não propriamente o religioso?

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Será que o meu filho já tem idade para ir ao psicólogo?

Psicólogo infantilSou questionada algumas vezes sobre a partir de que idade, pode uma criança beneficiar de acompanhamento psicológico. Pais e cuidadores preocupam-se frequentemente com o bem-estar das suas crianças mas têm ainda alguma relutância em procurar o psicólogo. Será que há mesmo uma idade pré-definida para que se possa beneficiar do acompanhamento psicológico?

A razão mais frequente para se evitar procurar a ajuda do psicólogo prende-se com questões sociais, pois por vezes há ainda o mito de que o psicólogo serve para ajudar apenas “os malucos”, no entanto, essa tendência está a diminuir uma vez que as pessoas estão cada vez mais informadas. Porém, reconhecer que se precisa de ajuda pode significar para os pais alguma incapacidade no desempenho do seu nobre papel. Por outro lado, os pais por vezes tendem a pensar que os problemas se resolvem por si só. E não estão completamente enganados. Alguns comportamentos típicos das crianças e que deixam os pais com os “nervos em franja” têm a ver com a imaturidade do bebé e de facto, numa perspetiva desenvolvimentista, resolvem-se simplesmente com o passar do tempo. Porém, há outros comportamentos ou situações que podem ser indicadores de algum tipo de perturbação, que pode ser séria, ou que não sendo propriamente muito grave, pode ter um impacto muito negativo na vida criança e da família e que pode ser resolvida com uma intervenção breve e precoce. Continue a ler “Será que o meu filho já tem idade para ir ao psicólogo?” →

Parto e ansiedade

O momento do parto pode ver visto sob duas perspetivas: a positiva, associada à felicidade e entusiasmo pelo nascimento e pela realização do casal enquanto pais, e a perspetiva mais negativa, habitualmente relacionada com a ansiedade e o medo da vivência desse momento.

O parto é, à medida de cada caso, uma experiência física e emocionalmente exigente. A separação de dois (ou mais!) seres, que viveram aproximadamente 9 meses de modo interdependente em contacto íntimo e permanente, tem um impacto emocional para cada um deles. Numa perspetiva psicodinâmica, no momento do parto a mulher revive inconscientemente o trauma do seu próprio nascimento e a angústia que experienciou ao nascer, pela perda do estado intrauterino e pelo medo do desconhecido. A ansiedade causada pelo medo de cuidar o bebé, associado à sensação de perda ou “esvaziamento”, são os dois fatores cuja interação pode conduzir a um estado de confusão que pode desencadear na mulher a sensação de despersonalização ou perda de identidade.

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Tecnologias e famílias

O contributo dos meios de informação e comunicação para a socialização assume um enorme relevo nos dias de hoje. As crianças nascidas nesta era de avanço tecnológico, fazem inúmeras aprendizagens através da sua utilização. No entanto, parece haver alguns fatores familiares que influenciam o modo como crianças e adolescentes interagem com os meios digitais em detrimento de outro tipo de experiências.

As tecnologias de informação e comunicação exercem uma grande influência na aprendizagem, na socialização e no lazer. Quando se investigam as práticas digitais informais de crianças e adolescentes importa ter em consideração os seus contextos familiares e perceber as dinâmicas nas relações com as suas figuras de referência (ex. pais, avós…), tanto no que se refere a oportunidades como a restrições. Podemos identificar diferentes estilos de mediação parental no que diz respeito ao acesso das crianças e adolescentes à internet: a mediação ativa, a mediação restritiva ou a mediação instrutiva. A primeira resulta num estilo de mediação em que os pais se preocupam em conhecer os conteúdos dos programas e das atividades online dos seus filhos, ao mesmo tempo que também procuram ser uma referência pelas suas próprias práticas, dando o exemplo. A mediação restritiva pressupõe o recurso aos meios tecnológicos como recompensa ou como punição, num quadro de interdições ou de reforços comportamentais. A mediação instrutiva é aquela em que os pais procuram informar, conversar e explicar aos seus filhos quaisquer dúvidas que estes possam ter em relação aos conteúdos veiculados pelos referidos meios, levando em consideração o processamento das emoções, a compreensão da informação e a avaliação feita pelas crianças e jovens.

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Família

A família é habitualmente pensada como o contexto onde nascemos, vivemos e morremos, sendo que durante o ciclo de vida, a família se vai alterando. A família de origem, tal como o nome indica, dá origem ao indivíduo e a laços familiares, que embora se mantenham para sempre, assumem diferentes papéis no decorrer do ciclo de vida.

A família constitui-se como o espaço privilegiado de aprendizagens e de desenvolvimento, através das interações entre os diferentes membros. É em contexto familiar que acontece a primeira vivência dos afetos, o desenvolvimento da comunicação (verbal e não-verbal) e as primeiras experiencias de “exploração do mundo”. É através das interações familiares, numa cadência alternada de emoções positivas com emoções negativas, que o indivíduo desenvolve o seu sentimento de pertença e filiação. A família, enquanto grupo social e institucional relativamente estável, representa a base da vida social. Cada família é constituída por um conjunto de elementos únicos ligados por um conjunto de relações particulares e que se mantém em contínua interação com o exterior.

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Parentalidade e homossexualidade

A vivência da parentalidade pelos casais homossexuais suscita opiniões controversas. Se uns aceitam e normalizam a adoção de crianças por casais do mesmo género, quer seja masculino ou feminino, outros levantam uma série de obstáculos, não apoiando essa possibilidade, criticando e acusando o impacto negativo no desenvolvimento das crianças.

A investigação científica tem-se dedicado ao estudo destas questões e parece haver evidência de que as famílias homoparentais se constituem como um “espaço seguro e adequado” para a educação e o desenvolvimento infantil. O tipo de família e a forma como esta se estrutura não ´é um indicador válido para determinar se as características do contexto familiar, no que diz respeito ao género das figuras parentais, é ou não favorável à educação e ao desenvolvimento dos filhos (Ceballos Férnandez, 2012). Para além de serem potencialmente bons pais ou mães, os casais homossexuais, à semelhança dos heterossexuais, também apresentam diferentes estilos parentais, uns mais adaptativos e funcionais e outros nem tanto (Golombok et al., 2003).

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Brincar ao ar livre

As brincadeiras ao ar livre e o contato com a natureza incentivam as crianças a ultrapassarem desafios, ao mesmo tempo que aprendem e apreendem o mundo, no seu contato com os elementos da natureza. Nos dias de hoje as tecnologias “dominam” o mundo, e os brinquedos digitais são muito apelativos para as nossas crianças, e sem dúvida importantes para que as estas sejam envolvidas numa realidade que já é o presente e será certamente o futuro. No entanto, o correr, pular e sujar-se continuam a ser essenciais para o saudável desenvolvimento infantil.

As crianças, em todas as etapas do seu desenvolvimento, beneficiam sem dúvida com o contato com o mundo exterior. Após um período de confinamento e com o retomar gradual com a normalidade, aliados ao bom tempo que os próximos meses nos prometem, sair com as crianças e levá-las a experienciar o contato com a natureza pode ser a opção acertada. Evidentemente que as regras de distanciamento físico em relação aos outros, os cuidados de higiene e a etiqueta respiratória não podem ser esquecidas. No entanto, este texto visa focar-se nas possibilidades que o contexto exterior oferece às crianças mas também aos adultos que as acompanham.

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A adolescência e o consumo de álcool

Impelidos pela curiosidade, pressão dos pares, busca de novas sensações, necessidade de se alhearem dos seus problemas, auto-descoberta, definição da identidade e consequente assunção de comportamentos de oposição à autoridade parental, muitos são os jovens que experimentam e consomem álcool, tabaco ou outras substâncias psicoativas. Estes comportamentos põem em risco a sua saúde física e psicológica, não só presente mas também futura.

Os jovens encontram nos seus pares os seus modelos de identificação, adotando os comportamentos do grupo uma vez que na maioria dos casos e devido à sua imaturidade cerebral, principalmente das estruturas do córtex pré-frontal, os adolescentes não têm ainda a capacidade de compreender as potenciais consequências dos seus atos.

O consumo de álcool, na adolescência, muitas vezes vai para além da experiencia e torna-se abusivo, logo, prejudicial. É considerado abuso, um padrão comportamental muito pouco adaptativo, com a duração superior a um mês, em que um jovem continua a consumir uma substância mesmo conhecendo a sua perigosidade. Este padrão de comportamento desadequado e arriscado inclui, por exemplo, a condução de veículos após o consumo de álcool, o que coloca em risco a sua vida e a de terceiros. Um dos perigos da experiencia do consumo de substâncias psicoativas é o perigo de se tornar abusivo ou até mesmo de levar o adolescente à dependência. Esta pode ser fisiológica, psicológica ou ambas e o mais provável é que se não houver intervenção, se prolongue pela idade adulta.

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