Regresso às aulas

Regresso as aulasÀ medida que as férias se aproximam do fim, os pais começam a pensar no regresso às aulas e a iniciar os preparativos necessários para tal, como a compra dos materiais e manuais escolares, bem como a adequação de horários e rotinas inerentes ao período escolar.

Ao perspetivarem o “regresso às aulas”, os pais começam a preocupar-se com o que vai ser o ano letivo e o percurso escolar ou académico dos seus filhos. Como vai a criança reagir à entrada para o primeiro ciclo, como vai o adolescente adaptar-se à nova escola e ao novo ciclo de estudos, a entrada para a faculdade do filho mais velho e a autonomia ou a falta dela que este revela, etc. etc. etc. Muitas são as preocupações dos pais e não são menos as expetativas que cada um constrói para com os seus. Serem felizes e terem sucesso nas várias dimensões das suas vidas, nomeadamente, a vida escolar e o bom aproveitamento. Sendo o passado um bom preditor do futuro, se a criança é boa aluna, os pais parecem levar esta fase do ano com maior tranquilidade mas se pelo contrário, a criança tem dificuldades escolares ou comportamentais, por exemplo, cresce nos pais uma preocupação que por vezes pode ser muito perturbadora da sua tranquilidade e da harmonia familiar. Continue a ler “Regresso às aulas” →

Crianças com comportamentos difíceis: compreenda e controle a sua raiva

raivaMuitas vezes os comportamentos das crianças conseguem deixar os pais muito zangados, à beira do desespero e com muita raiva. Perceber o que se está a sentir e porquê, é extremamente importante para o que se vai seguir: conseguir manter a calma e evitar o conflito ou entrar numa escalada de argumentos, gritos ou até de violência física. O que podem então os pais fazer para se controlarem perante os comportamentos desesperantes dos seus filhos?

A raiva é uma emoção normal que o indivíduo pode experimentar em várias situações e com diversos determinantes. Enquanto pais, a raiva pode ser sentida perante uma birra, uma teimosia, a desobediência, etc. Por vezes não é preciso que a situação seja muito grave para que a zanga se comece a apoderar de nós, que a raiva comece a crescer. Por vezes sentimo-nos como um balão que enche, enche, enche… até que rebenta e lá sai um grito ou uma reação mais violenta, que depois nos vai fazer sentir realmente mal. Confrontados com alguns comportamentos das nossas crianças, começamos a sentir rubor na face, calor, os batimentos cardíacos mais acelerados e lá estamos nós prontos a explodir. É a expressão física da raiva. Este sentimento pode também expressar-se pela forma como pensamos na situação ou no comportamento da nossa criança, que nos está a fazer “sair do sério” mas também tem uma expressão comportamental que se refere à forma como agimos quando estamos com raiva. Continue a ler “Crianças com comportamentos difíceis: compreenda e controle a sua raiva” →

Perturbações alimentares na infância

Alimentação das criançasNa primeira infância, as perturbações alimentares são situações clínicas relativamente comuns. No entanto, este tipo de problemas provoca aos pais e cuidadores uma grande preocupação, ao mesmo tempo que dificultam a sua relação com a criança.

As perturbações alimentares da primeira infância podem ser identificadas num contínuo, que vai desde as ligeiras flutuações do apetite devidas a causas menos relevantes, como por exemplo a reação à entrada para a cresce ou o nascimento de um irmão, até situações graves de recusa alimentar que podem colocar em risco a própria vida da criança. A estas perturbações alimentares pode estar associado o aparecimento de outros comportamentos fora do comum. Segundo do Manual de Diagnóstico das Perturbações Mentais (DSM-5), as perturbações alimentares definem-se como situações em que se observa uma alteração na ingestão de alimentos, quer em termos quantitativos, quer em termos qualitativos. São exemplos a ruminação ou mericismo (regurgitação repetida de alimentos), a pica (ingestão persistente de substâncias não alimentares), e a perturbação alimentar da primeira infância, que corresponde a uma falha persistente de ingestão adequada de alimentos, com acentuada falta de aumento ou mesmo perda de peso, sem causa orgânica conhecida e com a duração de mais de um mês. Continue a ler “Perturbações alimentares na infância” →

Pais superprotetores, crianças inseguras…

SuperprotegidosAcredito que a tarefa mais difícil de todas é a de criar um filho. As crianças representam para os seus pais e cuidadores, um desafio dos maiores do mundo e este mundo tem muitos perigos. Os pais, por norma têm uma tendência para proteger as suas crianças mas por vezes essa proteção é super!

Proteger demasiado pode ser mais prejudicial que benéfico. A preocupação excessiva dos pais e a consequente proteção aos seus filhos pode afetar de forma negativa a infância da criança mas também a sua vida adulta, na medida em que as crianças demasiado protegidas têm maior probabilidade de ser tornarem adultos inseguros. Pais superprotetores privam os filhos da possibilidade de enfrentarem riscos, tanto físicos como emocionais. Privam-nos do que pode ser mau mas também do que pode ser bom. A preocupação e o cuidado excessivo de proteção podem ser tão prejudiciais quanto a falta deles. Até em situações correntes do quotidiano, as atitudes de alguns pais podem revelar exagero no cuidado e proteção dos seus filhos. Quando por exemplo, uma criança pequena aponta para uma garrafa de água e os pais de imediato lhe dão água para beber, esta criança não precisa de se esforçar para falar para obter o que deseja. Desta forma, estes pais poderão estar a fazer com que a criança atrase o desenvolvimento da fala. Esta situação é ilustrativa do modo como os pais podem ter influência no desenvolvimento das competências da criança e também da sua conquista de autonomia. Continue a ler “Pais superprotetores, crianças inseguras…” →

Crianças e violência: riscos e consequências

Crianças e a violênciaA violência infantil apresenta-se como um factor de risco para o desenvolvimento de problemas emocionais e de comportamento, podendo ter como consequência o desajuste escolar, familiar e/ou social.

A violência é um problema social e pode estar presente na vida das nossas crianças de formas distintas. Os abusos físicos como bater, empurrar ou abanar as crianças são uma prática ainda muito comum em muitas famílias. Do mesmo modo, o abuso verbal como gritar, ameaçar, ridicularizar, humilhar ou intimidar é muitas vezes a forma de tentar corrigir comportamentos desadequados da criança ou de os punir. O abuso sexual, definido como qualquer contacto ou interação com a criança para estímulo ou gratificação sexual do adulto, é outra realidade mais frequente do que se poderia pensar. De um modo diferente, a negligência é outra forma de violência contra a criança. Não atender às suas necessidades básicas (alimentação, abrigo, assistência médica) ou necessidades emocionais (segurança, confiança, carinho) é uma forma de violência contra as crianças, que pode ser tão grave como qualquer outra. Torna-se dramático o facto de que muitas vezes os agressores das crianças são os seus próprios pais ou cuidadores, precisamente aqueles em quem a criança deveria poder confiar e ter como porto de abrigo. Continue a ler “Crianças e violência: riscos e consequências” →

Xixi na cama! Outra vez…

Enurese noturna

A enurese é uma disfunção que se manifesta pela perda involuntária de urina, diurna ou noturna, não normativa em relação à idade da criança e que não surge como consequência de falta de controlo da bexiga por doença neurológica, anomalia do trato urinário ou convulsão epilética, por exemplo.

A enurese noturna corresponde a perdas de urina durante o sono. Apesar de ser um problema comum, tem um forte impacto no dia-a-dia da criança e da sua família, constituindo-se como uma enorme fonte de stresse. O controlo dos esfíncteres corresponde a uma tarefa do desenvolvimento da criança, que decorre naturalmente mas que pode ser facilitada por atitudes educacionais. O contexto relacional e cultural onde decorre este processo, nomeadamente no que se refere ao ensino da higiene e às diferentes fases de aprendizagem e treino dos hábitos de higiene, é de extrema importância. A enurese pode ser primária, se a criança nunca chegou a adquirir o controlo da urina durante a noite ou secundária quando se observou um período de pelo menos seis meses de continência. A prevalência da enurese primária varia com a idade, sendo mais comum nos meninos (cerca de 9%) aos sete anos de idade, do que nas meninas (cerca de 6%) na mesma idade. Sendo o controlo dos esfíncteres um processo complexo, que envolve a ação coordenada de músculos, nervos, espinal medula e cérebro, pode resultar de vários fatores. Parece ser mais frequente em crianças que urinam mais vezes durante o dia, apresentam disfunção da bexiga ou têm dificuldades de sono (sono muito profundo e dificuldade em despertar). Ainda em termos de causas, parece existir também alguma predisposição genética.

EnuresePerante um caso de enurese, o primeiro passo é contactar o pediatra para o despiste de algum problema fisiológico (ex. renal) ou causa orgânica (ex. infeção urinária). Em termos de tratamento, habitualmente este só se aplica em casos de crianças com mais de seis anos de idade. A abordagem ao tratamento da enurese pode ser medicamentosa ou comportamental. A abordagem comportamental envolve estratégias de reforço, treino de retenção urinária ou pela utilização de sistemas de condicionamento com reforço positivo.

Enurese noturna

Os pais e cuidadores têm a grande responsabilidade de ajudar a criança a ultrapassar a  situação de enurese ao invés de a transformarem numa experiência traumatizante, o que pode ser fácil, não por má intenção mas por desconhecimento das características do problema. Para ajudar a criança a lidar com a enurese, os pais deverão normalizar a situação, explicando à criança que não está sozinha e que há muitas crianças da sua idade, que também passam pelo mesmo problema e que conseguem ultrapassá-lo. Outra estratégia passa por limitar a ingestão de líquidos a partir do final da tarde. Deverá também ser estabelecida uma rotina de sono, com horários regulares e que contemple uma ida à casa de banho, mesmo antes de ir para a cama. Se os pais sentirem dificuldade em lidar com o problema e com o impacto deste na sua vida e na sua família, devem recorrer à ajuda profissional de um psicólogo.

Enurese

Na consulta de psicologia, deverá ser feita a avaliação do impacto emocional da enurese na criança e na família, bem como devem ser identificadas algumas situações que possam ser responsáveis pela perturbação do equilíbrio emocional e psicológico da criança, como por exemplo a perda de um familiar, o nascimento de um irmão, algum tipo de abuso ou uma dificuldade de adaptação à escola. De acordo com a criança em questão e com a familia, será selecionada a estratégia a implementar. E como cada caso é uma caso e cada criança tem as suas particularidades, quando um método não for eficaz, haverão outros métodos a serem implementados até ao sucesso da intervenção.

EnureseÉ de extrema importância que os pais ou cuidadores não punam nem culpem a criança por urinar a cama. Esse comportamento por parte dos adultos, não só irá contribuir para a baixa da autoestima da criança, desenvolvimento do sentimento de vergonha, aumento da ansiedade e possíveis dificuldades de socialização e decréscimo do rendimento escolar, assim como dificulta o processo de tratamento. Pelo contrário, a criança deverá ser reforçada a cada sucesso que alcança. Este problema também constitui um grande desafio para os pais, não sendo fácil lidar com a enurese. Dependendo dos casos, alguns adultos podem, em consequência desta perturbação dos filhos, desenvolver problemas de sono, ansiedade, aumento da tensão emocional, agressividade e stresse familiar.

Ultrapasse as suas dificuldades com ajuda especializada. Procure a Sua Psicóloga!

 

 

Sugestão:

Barros, L. (2004). Perturbações da eliminação na criança e no adolescente: da prevenção ao controlo. Lisboa: Climepsi.

 

 

Adolescência e desenvolvimento cognitivo

AdolescerSão grandes e muito importantes as transformações a nível intelectual ao longo da adolescência. Esta é uma fase em que o pensamento concreto da infância vai dando lugar ao pensamento formal do adulto. A escola, os pares e a família, todos dão o seu contributo para a formação da identidade do jovem.

As modificações que se observam nesta fase a nível cognitivo. têm grande influência na compreensão das regras, convenções e valores, ao mesmo tempo que vão permitir ao jovem, não apenas uma adaptação real às questões do dia-a-dia mas também a elaboração e o desenvolvimento de notáveis teorias e ideais, típicas nesta fase da vida. Durante a adolescência, o indivíduo começa a conseguir revelar raciocínios corretos acerca de assuntos que apenas considera hipotéticos, tornando-se assim apto a deduzir consequências. Passa deste modo a conseguir pensar e decidir sobre situações do quotidiano bem como a projetar as suas convicções para situações futuras. Este desenvolvimento do pensamento permite ao jovem refletir acerca de si mesmo e abstrair sobre os mais variados temas do mundo.

JovensÉ na adolescência que “nasce” o mundo interior e se desenvolve a capacidade de introspeção, insight e de pensar sobre si mesmo, dando início ao processo de construção da identidade. Para o sucesso deste processo é extremamente importante a vivencia dos afetos, a expressão das emoções e a qualidade das experiencias de vida, conseguidas em grande parte através das suas relações com os vários contextos onde se desenvolve. Os estímulos, os modelos e as influências são determinantes para a construção do pensamento e para o desenvolvimento da personalidade do adolescente. Quanto maiores e melhores foram os estímulos a que o jovem é exposto (ex. música, pintura, teatro, cinema) mais este assimila as experiências e as assimila e internaliza. Do mesmo modo, as experiências negativas têm também um efeito neste mesmo processo, mas pernicioso, pelo que algumas delas podem ser muito desadaptativas. O jovem assimila todas as novas experiências que vive e nem sempre se preocupa ou consegue avaliar se se ajustam ou não.

AdolescênciaUm dos contextos com maior impacto na vida do adolescente é a escola. Aqui o jovem aprende, ensina, expressa-se sob as mais diversas formas e tem a possibilidade de desenvolver competências a vários níveis. A par dos conhecimentos que adquire, o adolescente, em contexto escolar, tem a possibilidade de desenvolver responsabilidades individuais ou de grupo. A escola constitui-se como um território que o acolhe e onde ele se sente à vontade para exercitar as suas vivências e convivências. É em contexto escolar que se dão encontros, desencontros e relações, em que o adolescente questiona valores e começa a delinear e construir o seu projeto de vida. Para os adolescentes, a escola é o principal espaço de construção e partilha de conhecimentos sobre a vida futura.

Adolescer Mas o papel da família não é menor. É em família que o jovem passa a maior parte, ou mesmo toda a adolescência, e é aqui que encontra modelos específicos para o seu desenvolvimento intelectual. A família, principalmente os pais, têm o importante papel de incentivar os adolescentes a descobrirem as suas potencialidades e de monitorizarem os seus comportamentos e as suas possíveis dificuldades. O adolescente deverá perceber a preocupação e a atenção dos pais, mas também de perceber que tem a quem recorrer em qualquer situação em que sinta necessidade de o fazer. A família é uma referência muito importante para o jovem, quer pelo diálogo, troca de ideias, partilha de interesses, discussão de conceitos e opiniões mas principalmente pela vivência dos afetos e pela expressão emocional.

Obesidade infantil e televisão

Obesidade

A obesidade e o excesso de peso na infância é atualmente uma das áreas que suscita grandes preocupações a profissionais de saúde, pais e educadores, assim como à comunidade científica, que em virtude do aumento da prevalência destas problemáticas entre os mais novos, se tem vindo a dedicar ao estudo desta matéria.

Sendo este um problema de saúde com graves consequências no desenvolvimento e no futuro da criança, há que estudar todas as possíveis causas, no sentido de se poderem encontrar soluções para as eliminar ou fazer diminuir o seu efeito. De entre as diversas causas atualmente apontadas para a elevada prevalência de problemas relacionados com o excesso de peso infantil, prevê-se que os meios de comunicação possam ter também um papel influenciador nesta matéria, nomeadamente a publicidade a alguns produtos alimentares, veiculada através da televisão. Vários são os estudos que se debruçaram sobre este tema, no entanto, nem todos são convergentes no que diz respeito aos resultados. Se uns apontam para uma forte influência da publicidade televisiva no que concerne a produtos alimentares de elevado teor de sal e açúcares, no consumo dos mesmos, outros há que não destacam essa variável mas sim, encontram uma associação direta negativa entre o ver televisão e a prática de exercício físico, ou por outras palavras, à medida que aumenta a atividade física, apesar dos valores elevados de consumo televisivo, a tendência para a obesidade diminui.

fast foodPor outro lado, os hábitos alimentares das sociedades modernas mudaram e começou a notar-se uma grande adesão por parte dos pais ao fast-food. Esta adesão deve-se em parte à comodidade mas também aos preços acessíveis que este tipo de alimentação oferece, tornando-se muitas vezes uma tentação, para muitas famílias difícil de resistir. Juntando este fator à falta de tempo e à quantidade de exigências do dia-a-dia, muitos pais facilitam e desvalorizam o consumo televisivo e tendem por vezes a não dar importância nem ao tempo, nem aos conteúdos a que as suas crianças estão sujeitas e a estímulos que podem ter um efeito pernicioso.  É certo que as escolhas alimentares das crianças resultam da combinação de vários fatores, não se podendo responsabilizar apenas a publicidade televisiva. Porém, o excesso de publicidade durante a exibição de programas infantis, especialmente em horário nobre televisivo, pode conduzir a um aumento da apetência para o seu consumo, com todos os potenciais efeitos negativos.

Excesso de peso infantil

Um trabalho de Story, Newmark-Sztainer e French (2002) identifica a existência de quatro níveis de fatores com grande relevância para a compreensão da escolha alimentar. O primeiro é o nível individual em que se observam fatores biológicos, comportamentais e psicossociais. O segundo é o nível ambiental que inclui a família e os amigos. O terceiro nível corresponde ao sistema comunitário que se refere à existência e ao acesso aos alimentos e o quarto nível tem a ver com o macrossistema que é a sociedade. É neste nível que se encontra a comunicação social, nomeadamente a oferta publicitária presente nos conteúdos televisivos infantis. Assim, pode-se dizer que em relação à exposição aos referidos conteúdos, estes conduzem também a uma maior exposição à publicidade a produtos alimentares pouco equilibrados do ponto de vista nutricional. Também o ver televisão pode estar associado ao consumo de petiscos doces ou salgados, habitualmente calóricos, ou até mesmo à ingestão de alimentos de forma distraída e por vezes abundante. Sendo o visionamento de televisão uma atividade sedentária, o metabolismo é reduzido e a atividade física é nula e vêm constituir-se como fatores de propensão ao aumento do peso.

Atividades ao ar livrePois bem, a ideia não é diabolizar a televisão nem entrar em extremismos pouco adaptativos. O objetivo deste artigo é o de chamar a atenção para estes factos do quotidiano, no sentido de consciencializar para os perigos dos excessos e para os benefícios do equilíbrio. Como em tudo na vida, o segredo está no equilíbrio. Não vamos proibir as nossas crianças de verem televisão, nem de terem contacto com a publicidade televisiva, nem mesmo proibi-las de comerem doces ou fast-food, a não ser que outros problemas de saúde o tornem imperativo. Vamos sim dar atenção ao tempo que as nossas crianças passam em frente ao écran e controlar o que ingerem durante esses períodos de tempo. Para além disso, promover a prática de exercício físico e de atividades ao ar livre, é sempre salutar e pode atuar como fator de proteção para o problema da obesidade assim como pode ajudar a promover o desenvolvimento de competências sociais, através da interação com outras crianças, ao mesmo tempo que pode proporcionar momentos de expressão afetiva.

VER TELEVISÃO

 

Fonte:

Story, M. T., Neumark-Stzainer, D. R., Sherwood, N. E., Holt, K., Sofka, D., Trowbridge, F. L., and Barlow, S. E. (2002), “Management child and adolescent obesity: Attitudes, barriers, skills, and training needs among health care professionals”, Pediatrics, 110 (1), 210-214.

 

A vinculação humana

Vinculação humanaA vinculação humana pode ser entendida como uma ligação emocional recíproca e duradoura entre o bebé e a figura parental, em que cada um contribui para a qualidade da relação. É uma relação diádica na qual o nível de participação da criança vai aumentando gradualmente  embora a importância da figura parental não diminua no que diz respeito à reciprocidade desta díade.

John Bowlby, psicanalista britânico, defendeu inicialmente a ideia de que a teoria da vinculação consistia principalmente numa estratégia de sobrevivência para a protecção do bebé com origem em processos evolutivos para a promoção reprodutiva. Posteriormente distingue 4 estádios do desenvolvimento da vinculação durante o primeiro ano de vida. Antes dos 2 meses o bebé responde indiscriminadamente a qualquer pessoa e interage involuntariamente. Entre os 2 e os 3 meses o bebé sorri e foca-se na mãe mais do que nas outras pessoas. Entre os 6 e os 7 meses o bebé revela uma vinculação à mãe bem definida (locomoção e linguagem)e começa a recear os estranhos. Depois dos 8 meses, o bebé desenvolve uma relação reciproca com uma ou mais figuras e começa a inferir sobre os objectivos do outro.

Vinculação humana

Mary Ainsworth, discípula de John Bowlby, veio a dedicar-se a este tema tendo desenvolvido ela própria uma técnica de avaliação dos padrões de vinculação em bebés com cerca de 12 meses e geralmente, a mãe–  situação estranha – que consiste numa sequência de situações de reunião e separação da criança à figura de  vinculação e em que da observação do comportamento das crianças se podem distinguir 3 tipos/grupos de vinculação. Estes tipos são o grupo A, inseguro-evitante ou ansioso-evitante, caracterizado por comportamentos de evitamento em relação à figura de vinculação, o grupo B, seguro, o grupo mais comum, no qual se podem distinguir 4 sub-grupos ou padrões de comportamento, sendo os grupos B1 e B2 caracterizados por uma interacção mais distante com a figura de vinculação e os grupos B3 e B4 por uma procura activa de contacto e proximidade por parte do bebé. O grupo C, inseguro-ambivalente ou ansioso–resistente divide-se ainda em C1 cujas crianças revelam irritação na procura de contacto e C2 caracterizado pela passividade.

Vinculação humana

Devido ao facto de haver ainda bebés cujos comportamentos não se enquadravam em nenhum dos grupos referidos, foi ainda criado o grupo D, desorganizado-desorientado onde se incluem crianças com comportamentos contraditórios, movimentos assimétricos e expressões de confusão e apreensão em relação à figura parental, revelando incapacidade de manter uma estratégia de vinculação coerente.

As características atribuídas a cada grupo não são apenas exclusivas das crianças sendo que também as mães revelam um padrão comportamental específico, isto é, as mães de crianças pertencentes ao grupo de vinculação segura mostram tendencialmente maior sensibilidade e disponibilidade tanto emocional como física para responder às necessidades dos seus bebés enquanto as mães das crianças evitantes mostram normalmente menor envolvimento afectivo, menor disponibilidade, rejeição e até aversão à criança. Por sua vez as mães das crianças ansiosas revelam frequentemente dificuldade em captar os sinais e as necessidades do bebé, apresentam comportamentos inconscientes e imprevisíveis, irritação e tratamento desajeitado do bebé.

Vinculação humanaA qualidade da relação de vinculação depende não apenas das características parentais mas também do contexto familiar, do apoio social, da qualidade da relação do casal e de stressores ambientais, entre outros. Assim sendo, a vinculação passa a ser vista como um modelo ecológico baseando-se no pressuposto de que a parentalidade e a relação criança-figura de vinculação são multideterminadas e o desenvolvimento da insegurança poderá resultar da acumulação de várias vulnerabilidades.

São vários os estudos que demonstram que a qualidade de vinculação precoce pode ter implicações na vida futura da criança, sendo que a vinculação segura aumenta a probabilidade da criança vir a desenvolver relações de maior qualidade com a figura parental e com os seus pares, desenvolver características como a autonomia em relação às suas figuras de vinculação, desenvolver um autoconceito positivo, maior tolerância a situações de stresse, persistência e entusiasmo na resolução de problemas, melhores competências emocionais e de compreensão da linguagem e menor probabilidade de desenvolver problemas de comportamento durante a infância. Estas vantagens estendem-se pela adolescência pois tornar-se-ão jovens com maior facilidade em estabelecer relações de amizade e de funcionar em grupo comparativamente a jovens anteriormente classificados como evitantes ou resistentes e têm tendencialmente melhor saúde emocional e auto-estima.

Vinculação humanaPara Bowlby, os modelos internos dinâmicos tendem para a continuidade ao longo das gerações. O modo como a mãe recorda as suas relações de vinculação com as suas figuras parentais pode predizer a qualidade da relação que irá estabelecer com o seu filho, ou seja, uma mãe com uma vinculação segura à sua própria mãe pode reconhecer com maior precisão os comportamentos de vinculação do bebé, responder de forma estimulante e ajudar o bebé a estabelecer uma vinculação segura a si.  Contudo, esta concordância não é absoluta. A replicação do modelo de vinculação de geração para geração poderia também dever-se à hereditariedade mas diversos estudos efectuados nesse sentido concluem que a influência genética é pequena sendo maior a influência do contexto, isto é, das características ambientais partilhadas, podendo deste modo inferir-se que a qualidade da relação conjugal e familiar assim como o ambiente emocional, contribuem fortemente para a transmissão do padrão de vinculação entre gerações.

 

Fontes:

Soares, I., Martins, S. (2007). Vinculação na infância. In I. Soares (Ed.), Relações de vinculação ao longo do desenvolvimento: Teoria e avaliação (pp. 47-98). Braga, Portugal: Psiquilibrios.

Papalia, D. E., Olds, S. W. & Feldman, R. D., (2001). O mundo da criança Lisboa: McGrow Hill

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Famílias modernas

FamíliaNas últimas décadas, as sociedades ocidentais têm sofrido alterações bastante significativas em relação às gerações anteriores. A família, enquanto instituição, tem sido alvo de muitas mudanças ao longo do tempo, devido ao aumento do número de separações e de divórcios, a par de outras transformações de carácter económico e social.

Socialmente, o divórcio já não é visto como outrora, em que o estigma conduzia muitas vezes a um sentimento de vergonha e de baixa autoestima, principalmente por parte das mulheres. Com a entrada da mulher no mundo profissional e com profissões cada vez mais diferenciadas, que conduzem a uma maior autonomia económica, o problema da dependência financeira do marido, deixou em muitos casos de ser um entrave à separação. Por outro lado, a procura da felicidade e do bem-estar emocional, constitui-se como um direito de todos, sendo que as exigências afetivas passaram a ter um papel cada vez mais determinante na decisão da manutenção ou da dissolução de uma união.

FamíliasUm estudioso destas matérias (Hall, 1999) identificou três formas de pensar acerca do casamento: a visão mais tradicional, que vê o casamento como uma obrigação de relação mútua, romântica e algo hierarquizada, a visão mais autocentrada, ou seja, que vê o casamento de forma mais paralela, prática, individualista e menos romântica e uma outra visão mais extremista no que diz respeito ao estatuto do casamento, muito orientada para a obrigação e muito pouco para o romantismo. Qualquer uma destas formas de olhar o casamento tem subjacente um conceito comum, a família, sendo que a cada modo de percecionar o casamento poderá corresponder um modelo de família. O modelo de família tradicional, caracteriza-se pelo destaque pela a autoridade paterna, a funcionalidade da união e a relação com a família alargada e a comunidade. Outro modelo de família, refere-se a um tipo de construção familiar mais influenciado pelo individualismo e autonomia, mais nuclear e menos complexa e que se centra essencialmente nos afetos e nos sentimentos. Por fim a família pós-moderna, pautada pela aceitação de formas menos convencionais, com maior flexibilidade e diversidade nos seus constituintes.

FamíliaPodemos encontrar hoje em dia famílias tradicionais, constituídas por pais, filhos, por vezes avós ou outros que coabitam e/ou que se relacionam de uma forma tipicamente hierarquizada. As famílias monoparentais, que são cada vez mais frequentes, assim como também vão sendo notórias, famílias cujos laços nem sempre são de sangue e que se organizam de uma forma menos convencional e mais flexível. Atualmente, as novas formas de conjugalidade concorrem com as mais tradicionais, no que se refere aos papéis de género, à sexualidade, à cultura, à religião, entre outros aspetos das sociedades modernas. Apesar de toda a diversidade de famílias que podemos encontrar na sociedade atual, existem algumas características comuns como a diminuição do número de filhos e de membros, o aumento da participação feminina no mercado de trabalho e a participação dos diversos elementos da família na economia doméstica. Observa-se assim que a evolução e a transformação das famílias, conduziu a uma organização das mesmas, mais democrática cooperante e participativa, comparativamente ao modelo de família patriarcal em que o chefe de família era o pai e se constituía como o núcleo económico e de poder.

Família