Isolamento ou afastamento social na adolescência

Numa altura em que a palavra de ordem é isolamento, no sentido de mantermos distanciamento pessoal dos outros, importa entender o isolamento na adolescência. Muitos jovens, ao longo da difícil tarefa de crescer e se tornarem adultos, passam por momentos mais ou menos dolorosos em que por vezes se isolam, tornando esses momentos um tanto ou quanto perturbadores para os que com eles coabitam.

Comum no período da adolescência, o isolamento dos jovens geralmente ocorre em relação aos seus familiares mais diretos (pais) mas por vezes também em relação ao seu grupo de pares e à vida social em geral. A razão pelas quais o adolescente se isola pode ser de várias ordens. Por um lado, pode haver uma necessidade de se diferenciar em relação aos outros e de quebrar barreiras de autoridade que sente em relação a pais e professores. Mais do que isolamento, trata-se de um afastamento, por vezes marcado pela rebeldia, em que o jovem procura ter novas experiências, quebrar regras e testar limites. Por vontade própria relacionada com traços de personalidade, pressão dos pares ou por necessidade de se sentir parte integrante de um determinado grupo, o adolescente tende a afastar-se das ideias, opiniões e recomendações dos adultos significativos e fecha-se no seu mundo, passando a viver centrado em si em busca do auto-conhecimento e da autonomia.

Continue a ler “Isolamento ou afastamento social na adolescência”

Só queria ver o meu pai uma vez, só uma…

Pai ausente.jpegO Filipe tem 12 anos e é um menino muito meigo, tranquilo e sossegado. Não gosta de barulho, de confusão, de locais muito movimentados e de grandes reboliços. Prefere estar em casa, não lida bem com o imprevisto e escolhe brincar sozinho em vez de ir jogar à bola com o seu grupo de colegas da escola.

O Filipe não vê o pai desde os seus 5 anos. Por essa altura, os pais divorciaram-se e o pai apenas o procurou um par de vezes para estar com ele. Saíram, foram para a casa do pai e o Filipe recorda um jantar que não terá corrido muito bem, pois diz que o pai tinha a casa cheia de amigos e pouco lhe ligou. Foi a última vez que o viu. Do pai nada sabe, se está vivo, onde vive, o que faz… nada. Sofre muito com essa ausência na sua vida mas parece que nada pode ser feito para alterar a sua realidade. Pelo menos para já.

Em sessão com a psicóloga, onde anda em acompanhamento por apresentar elevada sintomatologia ansiosa, o Filipe verbaliza: “Só queria ver o meu pai uma vez, só uma, para lhe dizer que estou muito zangado com ele. E depois, nunca mais o quero ver na vida”.