Psicóloga Clínica Especialista - Mestrado em Psicologia Clínica e da Saúde (Núcleo Saúde e Doença) pela Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa e formação em Psico-Oncologia pela Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental e em Oncosexologia pela European School of Lifestyle Oncology.
Avaliação e acompanhamento psicológico a adolescentes e adultos (individual ou casal).
Ansiedade, Depressão, Dificuldades Relacionais, Dificuldades na Parentalidade, Perturbações do Comportamento Alimentar, Dificuldades de Adaptação à Doença Crónica e Processos de Luto.
A síndrome de burnout corresponde a um conjunto de sintomas que caracterizam um estado de “esgotamento” físico e mental, causado pelo exercício de uma atividade profissional. Esta síndrome pode ocorrer quando as exigências laborais são desajustadas face aos conhecimentos e/ou ás capacidades dos indivíduos.
Uma das 3 dimensões da síndrome de burnout é a exaustão. Esta é a primeira reação ao stresse provocado pelas exigências do trabalho, e relaciona-se com sentimentos de sobrecarga e de falta de recursos, tanto físicos como emocionais. Assim, o indivíduo sente-se cansado, sem energia, com as suas capacidades reduzidas, e com extrema dificuldade em enfrentar os desafios e as exigências em contexto de trabalho. As principais causas desta exaustão são a sobrecarga de tarefas e/ou o desajuste das mesmas, mas também os conflitos interpessoais em contexto laboral. Este sentimento de exaustão pode provocar reações de distanciamento emocional, de si próprio e do trabalho, supostamente como um mecanismo para conseguir lidar melhor com a sobrecarga.
A avaliação psicológica desenvolveu-se através de diferentes quadros teóricos e modelos, com metas e objetivos distintos e complementares. Os modelos mais relevantes para a avaliação em psicologia são o traço, o médico, o cognitivo, o comportamental, o psicodinâmico e o construtivista (Fernández-Ballesteros, 2004).
O modelo traço tem por base as características individuais da pessoa. É uma abordagem que tem como objetivo primário descobrir o verdadeiro valor de uma característica específica e relacionar a sua verdadeira posição com um grupo normativo. É um modelo que utiliza várias técnicas psicométricas de recolha de informação e que tem como finalidade fazer a previsão de comportamentos futuros, ao mesmo tempo que ajuda os psicólogos na classificação e na descrição do indivíduo avaliado.
O modelo médico parte do pressuposto de que a explicação de um comportamento tem por base variáveis internas ou endógenas. Tem como foco a descrição de critérios e a classificação das perturbações mentais, tendo levado ao desenvolvimento de sistemas específicos de classificação, como é o caso do Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM-V) da Associação Americana de Psiquiatria. Este modelo utiliza um sistema de classificação que tem como finalidade oferecer descrições claras dos critérios de diagnóstico das respetivas perturbações.
O modelo cognitivo tem como objeto as estruturas e os processos mentais, e como objetivo a descrição, a predição, a explicação e a avaliação dos mesmos. É uma abordagem focada no estudo dos processos cognitivos e na sua influência e determinação sobre os comportamentos do indivíduo. A avaliação à luz deste modelo centra-se particularmente no desempenho dos sujeitos em tarefas cognitivas (Fernández-Ballesteros, 2004). Ao avaliar-se um indivíduo com base neste modelo, o psicólogo foca-se no que ocorre quando o indivíduo adquire informação nova e em como a elabora e imite, ou seja, como esta se manifesta no seu comportamento.
O modelo comportamental tem como objetivo a descrição, a predição, a explicação funcional, isto é a necessidade de intervenção, bem como a avaliação dos resultados da mesma. Esta abordagem sustenta-se através da premissa de que o comportamento humano pode ser explicado pela interação do indivíduo com o contexto, diferenciando 3 sistemas (motor, cognitivo, e psicofisiológico) e postulando que os problemas psicológicos advêm de múltiplas causas, principalmente ambientais. Assim, a avaliação comportamental pressupõe uma análise de múltiplos métodos, em que a avaliação das condições comportamentais, ambientais e interações adjacentes a estas, são efetuadas através da observação, do autorrelato e de técnicas psicofisiológicas.
Quanto ao modelo psicodinâmico, este centra-se essencialmente nos processos mentais inconscientes e na sua dinâmica por vezes conflituante, geradora de ansiedade. Foca-se também nos mecanismos de defesa do indivíduo e nos seus padrões interpessoais, regidos pelas suas experiências ao longo do desenvolvimento. Esta abordagem teórica explica aspetos estruturais e dinâmicos da personalidade, enfatizando os processos inconscientes do indivíduo. Como instrumentos de diagnóstico diferencial pode recorrer a técnicas projetivas, sendo estas facilitadoras das respostas livres. Este tipo de provas/testes procura obter respostas com um conteúdo rico em detalhes e centra-se na interpretação do mesmo.
Por último, o modelo construtivista, que tem como alvo o estudo dos sistemas de constructo pessoais e as narrativas do indivíduo. Ao contrário dos modelos anteriormente referidos, o modelo construtivista segue uma linha teórica que dita que cada indivíduo constrói a sua própria perceção da realidade. O principal objetivo deste modelo de avaliação é perceber a essência do indivíduo, focando-se na singularidade e unicidade de cada pessoa, bem como no modo como ela se vê a si mesmo e ao contexto onde está inserida. A avaliação do indivíduo é um processo de construção que emerge da interação entre o avaliador e o avaliado.
A avaliação psicológica é uma área amplamente desenvolvida e multimodal, uma vez que encerra em si diferentes quadros teóricos, cada um com as suas especificidades e objetivos. A diversidade de modelos permite ao psicólogo, assumir uma atitude integrativa e eclética, utilizando as múltiplas técnicas e instrumentos de avaliação que os vários modelos colocam à sua disposição.
Fonte:
Fernández-Ballesteros, R. (2004). Assement and Evaluation, Overview. In Spielberger, C. (Ed.). Encyclopedia of Applied Psychology (Vol. 2, p. 163-176). Oxford, UK: Elsevier.
A violência online é qualquer tipo de comportamento agressivo, ameaça ou intimidação efetuado com recurso à internet, ou seja, pelas tecnologias, por meio de mensagens de telemóvel, email, website, Youtube ou redes sociais, com a intenção de magoar, humilhar, envergonhar, assustar ou ofender.
O cyberbullying é uma forma de bullying cometido através da internet e das novas tecnologias, em que alguém, habitualmente uma pessoa ou grupo conhecido da vítima, a procura ofender, amedrontar, envergonhar ou humilhar. Qualquer jovem é uma potencial vítima de cyberbullying. Isto pode acontecer por email ou por mensagens recebidas com ofensas, insultos ou ameaças. Estas mensagens podem assumir formas distintas, podendo conter vídeos ou fotografias comprometedoras, causadoras de vergonha e desconforto. As agressões podem incluir o roubo de passwords e dar acesso à caixa de correio eletrónico ou às redes sociais, permitindo a publicação abusiva e a informação ofensiva acerca da vítima ou dos seus familiares.
A Perturbação Obsessivo-Compulsiva (POC) é uma doença do foro psiquiátrico que se caracteriza pela presença de obsessões, isto é, pensamentos, impulsos ou imagens mentais recorrentes e desagradáveis, e/ou compulsões, que são comportamentos repetitivos ou atos mentais que a pessoa se sente na obrigação de realizar em resposta às obsessões.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a prevalência da POC em Portugal é de cerca de 4%. Esta organização introduziu a POC na lista das dez condições mais debilitantes em todo o mundo, salientando-se deste modo a importância de um diagnóstico precoce e do entendimento da forma como a patologia se caracteriza clinicamente. Em termos de diagnóstico, os critérios estabelecidos pela American Psychiatric Association (APA) foram definido pela presença de dois dos principais componentes da POC, sendo estes a presença de obsessões e compulsões, que embora possam ser independentes, estão fortemente associados.
Uma das principais fontes de stresse é o dinheiro, tanto para os mais jovens como para os mais velhos. No entanto, na atual conjuntura socioeconómica e perante a crise mundial, os jovens parecem ser dos mais afetados pela ansiedade financeira, uma vez que são cada vez mais incertas as perspetivas de futuro.
A ansiedade financeira corresponde ao sentimento de preocupação, receio ou desconforto no que diz respeito às finanças pessoais (OPP). Os jovens que estão num período de transição para a idade adulta, tendem a sofrer deste tipo específico de ansiedade, perante as dificuldades que anteveem na aquisição da sua autonomia, devido à precariedade de emprego e aos baixos salários que se praticam no nosso país. Planear o futuro é uma tarefa cada vez mais complexa e geradora de stresse, que pode conduzir os jovens a sentimentos de ansiedade, irritabilidade, insegurança ou tristeza, e que vão interferir com as suas atividades diárias, podendo comprometer, por exemplo, as suas relações sociais.
A escola é parte integrante da vida da criança, e é em contexto escolar que ela passa muitas das horas do seu dia, em interações múltiplas, repletas de oportunidades de aprendizagem, socialização e crescimento.
A escolaridade obrigatória é um direito e um dever para todos os cidadãos com idades entre os 6 e os 18 anos. O Estado Português defende que os 12 anos de escolaridade são relevantes para o progresso social, económico e cultural da população e do país. Dentro da sala de aula, a criança aprende de forma estruturada as atividades e os conteúdos programáticos correspondentes ao ano que frequenta, no entanto, fora da sala de aula (e não menos importante), a criança experimenta diversas atividades e tem a possibilidade aprender através do brincar. Esta aprendizagem informal é de extrema importância a vários níveis, nomeadamente ao nível da socialização e desenvolvimento de competências relacionais.
A palavra assertividade tem origem no termo asserção. Fazer asserções significa afirmar, deriva do latim afirmare, ou seja, tornar firme, consolidar, confirmar ou declarar com firmeza. A assertividade é mais do que um estilo de comunicação, é uma filosofia de vida!
Uma comunicação assertiva pressupõe uma comunicação criativa e transparente, através da qual os indivíduos expressam os seus desejos e necessidades, pensamentos e sentimentos, de forma direta e honesta, respeitando o ponto de vista e o direito dos outros. É um estilo de comunicação que permite a manifestação da vontade do emissor, a afirmação do seu eu, sem agredir nem ignorar o recetor. Uma atitude assertiva permite-nos ocupar o nosso espaço sem invadir o espaço do outro, uma virtude, uma vez que está no meio de dois extremos inadequados: o estilo agressivo e o estilo passivo.
A Psicologia tem dado ao longo dos tempos um forte contributo para a melhoria do ensino e da aprendizagem em sala de aula. Sabe-se que o bem-estar emocional influencia positivamente o desempenho escolar, a aprendizagem e o desenvolvimento das crianças e dos jovens.
O ensino e a aprendizagem estão intrinsecamente relacionados com fatores sociais e comportamentais do desenvolvimento, incluindo a cognição, a motivação, a interação social e a comunicação. Uma avaliação da saúde psicológica poderá ser de grande importância, não só em termos de prevenção, como no desenvolvimento de estratégias de intervenção, no sentido de melhorar o desempenho escolar e académico, as relações familiares e com os pares, e, consequentemente, a satisfação dos jovens com a vida. Promover o bem-estar emocional de crianças e jovens, irá certamente potenciar o sucesso da sua funcionalidade diária, bem como o sucesso do seu desempenho, tanto em sala de aula, como no restante ambiente escolar e não só…
Podemos definir emoção como uma experiência subjetiva, que envolve a pessoa na sua totalidade: mente e corpo. Do ponto de vista neurológico, a emoção é descrita como uma variação psíquica e física, que tem origem num estímulo, avaliando-o e reagindo a ele.
As emoções são um modo natural de avaliação do meio envolvente, e a sua reação é consequência de uma adaptação. As emoções podem falar por nós, na medida em que são reveladoras da forma como nos sentimos e de como encaramos a vida. São estados de curta duração e onde estão incluídas a alegria, a tristeza ou o medo, entre muitas outras. Quando falamos de raiva, nojo, alegria, tristeza, surpresa ou medo, estamos a referir-nos a emoções básicas ou primárias, pois são aquelas não necessitam de reflexão ou introspeção. São inatas e estão ligadas ao instinto e à sobrevivência, e, por isso, surgem de forma súbita e inesperada e são de fácil definição pelo facto de serem rapidamente identificadas pelo indivíduo, independentemente da cultura a que pertence. As emoções secundárias ou sociais implicam uma tomada de consciência de si. Resultam das nossas aprendizagens e fazem uso das emoções primárias. No entanto, podem variar de acordo com o contexto cultural. São exemplos de emoções secundárias a vergonha, o ciúme, a inveja, a empatia, o embaraço, o orgulho ou a culpa.
Com a aproximação das festas natalícias, algumas pessoas sentem-se invadidas por uma alegria e entusiasmo que contrastam com a tristeza e angustia de muitas outras. Cada um de nós associa ao Natal, emoções tão positivas quanto as nossas memórias e expetativas, o que faz com que este período tipicamente de celebração, se possa transformar para alguns, numa enorme “dor de cabeça”.
De forma a contribuir para a redução do “stresse natalício”, deixo aqui algumas dicas que poderá ter em linha de conta, se o seu humor e os seus pensamentos em relação a esta quadra não forem os mais tranquilos. Comecemos pelos gastos, ou seja, saibamos gerir o nosso orçamento com equilíbrio e moderação, de modo a evitar gastos exagerados que se possam refletir em problemas nos meses seguintes. Presentes simbólicos, acompanhados de gestos carinhosos aos quais associamos emoções positivas, podem dar a quem recebe, uma satisfação maior do que uma prenda cara mas impessoal.