Luto infantil

LutoO luto é uma reacção emocional a uma perda significativa e constitui-se como um processo natural de recuperação emocional, face a essa mesma perda. O processo de luto pode ter vários determinantes, como a morte de um ente querido, o final de um relacionamento, a perda do emprego, a perda de capacidades decorrentes de uma situação de doença ou acidente, a perda de um animal doméstico, entre muitas outras perdas, que cada um de nós poderá eleger.

Se para os adultos o luto é um processo difícil, por vezes muito demorado e doloroso podendo mesmo tornar-se patológico, para as crianças, podemos ter a tendência de pensar que elas não entendem nem sofrem do mesmo modo que os adultos, o impacto causado por uma perda. Podemos também acreditar, que desde que as suas necessidades sejam supridas e as rotinas do seu quotidiano sejam mantidas, as crianças facilmente esquecerão quem perderam ou o que perderam. Um dos erros em que podemos cair enquanto adultos é pensar que as crianças não vivem o luto, devido à sua imaturidade psicológica, por não compreenderem o conceito de reversibilidade. Este pensamento pode levar a que por vezes o tema da morte não seja discutido com as crianças, por se acreditar que elas não o vão compreender ou porque lhes pode ser prejudicial. Porém, na realidade, as crianças em qualquer idade fazem luto. O nível do desenvolvimento e as experiências individuais da criança é que diferem no processo de luto. Continue a ler “Luto infantil”

Perturbação de Oposição e Desafio: O que fazer?

ComportamentosA Perturbação de Oposição e Desafio (POD) é uma patologia com elevada prevalência em idade pediátrica e que tem consequências potencialmente comprometedoras para a criança/adolescente e para a sociedade. Caracteriza-se basicamente por um padrão recorrente e persistente de comportamentos negativos, desafiantes, desobedientes, vingativos e hostis, que se revelam particularmente perante as figuras de autoridade.

Perante um diagnóstico de POD, muitos pais ou cuidadores, já exaustos de tentarem levar a bom porto a tarefa árdua que é educar aquela criança, vêm no psicólogo o último recurso para que se dê o milagre tão desejado de a corrigir e de tornar pacifica a sua convivência nos diversos contextos em que se inclui, especialmente na família. Cabe-me desde já alertar os mais expectantes de que não existem soluções fáceis nem radicais ou milagrosas para ajudar a lidar com as dificuldades apresentadas por estas crianças/adolescentes e seus pais, cuidadores e pessoas mais próximas. No entanto, há muito que se pode fazer no sentido de melhorar as relações familiares e as relações da criança com os pares. Na base dessa melhoria relacional está a modificação do comportamento da criança, em particular o controlo dos seus impulsos. Para isso, um dos fatores de maior importância para o sucesso nesta difícil tarefa é a precocidade com que o problema é identificado e a intervenção é iniciada. Quanto mais cedo a criança for avaliada e quanto mais cedo se der inicio à intervenção terapêutica maior será a probabilidade de se obterem bons resultados. Continue a ler “Perturbação de Oposição e Desafio: O que fazer?”

A solidão e os mais velhos

EnvelhecerO conceito de solidão tem vindo a ser estudado por diversas áreas do conhecimento cientifico e pode ser entendido sob várias perspectivas. É um conceito que envolve uma grande subjectividade uma vez que a solidão é sentida por cada um de forma particular, sendo também alvo de inúmeras definições e significados.

Se para uns estar só significa estar fisicamente só, outros descrevem a solidão como um sentimento que podem ter, mesmo rodeados de uma multidão. Se uns desejam estar sós porque gostam de estar consigo mesmos e apreciam o silencio e a quietude, outros há que não suportam a ideia de ficarem sozinhos por mais do que um par de horas. À luz da psicologia, a solidão pode caracterizar-se pela ausência afectiva do outro e pela sensação de se estar sozinho. O outro pode até estar fisicamente perto, mas não existe aproximação psicológica, por falta de comunicação e de interacção emocional. Assim, a solidão constitui-se como um sentimento angustiante e doloroso, sentido pelo sujeito sempre que há discrepância entre o tipo de relação social que deseja ter e o tipo de relação social que consegue ter. Continue a ler “A solidão e os mais velhos”

Crianças e castigos corporais

Disciplinar e ensinar
A violência pode estar presente nas vidas das crianças de três formas distintas: os atos de violência a que assistem, os atos de violência de que podem ser vítimas e os atos de violência que elas próprias perpetram.

Uma das principais formas de violência presente nas vidas de algumas crianças são os castigos corporais. Os castigos corporais referem-se ao uso da força física por parte, habitualmente de adultos, com a intenção de corrigir ou controlar um comportamento desadequado, causando dor à criança. São exemplos de castigos corporais as palmadas, empurrões, beliscões, puxões de cabelo ou de orelhas, assim como o uso de produtos agressivos como por exemplo pimenta na língua, entre outros. Estes castigos corporais que não são menos que atos de violência utilizados contra as crianças, são muitas vezes justificados pela necessidade de disciplinar. Disciplinar é ensinar, e ao tentar disciplinar-se uma criança por meio de castigos corporais vai levar a que ela aprenda a resolver os seus problemas com base na violência. A criança agredida aprende a agredir como forma de lidar com os seus problemas e dificuldades, correndo o risco de ela própria se tornar agressora. Continue a ler “Crianças e castigos corporais”

Comunicar: falar e não só…

LinguagemNos seres humanos, a capacidade de comunicar através da fala é inata, sendo aperfeiçoada e utilizada ao longo do seu desenvolvimento.

A comunicação verbal pode revestir-se de diversas formas e alternativas de utilização. Podemos falar diferentes idiomas, o mesmo idioma com variantes de pronuncia, tons de voz diferentes, diferentes ritmos, enfim, dispomos de uma diversidade de modos de falar que normalmente adequamos a cada situação. O modo como cada um de nós comunica através da linguagem pode ser muito revelador da nossa personalidade, estado emocional, identidade pessoal e social, enfim, sobre aquilo que somos. Ao comunicarmos pela fala, podemos diversificar no vocabulário que usamos e podemos utilizar as palavras de diferentes formas. O discurso e as frases que formulamos podem ter diferentes intenções: perguntar, pedir, informar, declarar, etc. O sucesso da comunicação verbal depende muito da forma com que se transmite a mensagem. Existindo vários estilos de comunicação, entende-se como mais eficaz o estilo de comunicação assertiva, em que a mensagem é transmitida de forma clara, firme e directa, respeitando obviamente a posição, o ponto de vista e o entendimento do seu interlocutor. Continue a ler “Comunicar: falar e não só…”

Depressão no idoso

Depressão nos idososA depressão tardia refere-se ao aparecimento de estados depressivos depois dos 65 anos. Muitas vezes a sintomatologia depressiva está associada à presença de doença física ou neurológica e à incapacidade ou às limitações decorrentes de estados de doença que levam ao declínio do estado geral do indivíduo.

As queixas mais frequentes nos doentes mais velhos são as dores de cabeça, dores reumatológicas ou musculoesqueléticas bem como a sintomatologia gastrointestinal.  Feito o despiste de doença orgânica que explique a referida sintomatologia, a presença da mesma pode ser explicada pela depressão, se combinada com alguma da sintomatologia característica desta doença. Os factores de risco para a depressão no idoso prendem-se com questões de género, sendo mais prevalente nas mulheres do que nos homens. Outros factores de risco para o desenvolvimento de patologia depressiva estão relacionados com o sistema endócrino e o sistema vascular. O diagnóstico de doenças médicas não psiquiátricas, nomeadamente doença oncológica, demência, doenças cardiovasculares, hipotiroidismo ou artrite, entre outras, constitui-se como um factor de risco relevante para esta patologia. O tipo de personalidade também influencia a propensão para a depressão assim como as experiências de vida do sujeito e o stresse crónico a que está submetido (familiar, social ou económico). Continue a ler “Depressão no idoso”

Para que servem os Psicólogos?

Para que serve o psicólogo?

Se por vezes alguns adultos revelam dúvidas sobre o que faz um Psicólogo, as crianças poderão ter maior dificuldade em perceber qual a função destes profissionais. Quem são, para que servem e o que fazem é aquilo que me proponho esclarecer neste texto dedicado aos mais pequenos, para que possam saber o que contar se precisarem de recorrer à ajuda psicológica.

É relativamente frequente, em consulta, à pergunta “Sabes o que faz um psicólogo?”, algumas crianças ainda responderem algo do tipo “Tratam os malucos” ou “ajudam as pessoas que não são boas da cabeça”. Estes estereótipos são para eliminar de uma vez por todas. Primeiro porque não há malucos mas sim pessoas com perturbações mentais ou défices nas suas diversas capacidades, e depois, porque qualquer pessoa dita “normal” poderá beneficiar do apoio de um Psicólogo, em algum momento da sua vida. Continue a ler “Para que servem os Psicólogos?”

Ano Velho e Ano Novo

Ano novoCom o aproximar do fim de ano, muitos de nós tendemos a fazer um balanço do que nos trouxe ou nos tirou, o Ano que termina. Fazemos uma retrospectiva dos acontecimentos mais significativos, daqueles que por uma ou outra razão mais nos marcaram e idealizamos o Novo Ano  de acordo com as nossas preferências e necessidades.

Um novo projecto profissional que se abraçou, um novo relacionamento amoroso, uma casa nova, a compra de um carro, um filho que nasceu, ou aquele projecto que se conseguiu concluir, são exemplos de acontecimentos marcantes, naturalmente pela positiva. Um familiar que faleceu, um diagnóstico de doença, o filho que reprovou o ano, a perda do emprego, um acidente de automóvel ou uma zanga com um amigo, são exemplos de situações que podem ser igualmente marcantes mas pela negativa.

Ano NovoE feito um apanhado dos acontecimentos expressivos das nossas vidas, o que fazer com isso? Para que é que fazemos esse balanço se daí não tirarmos algo que nos permita crescer enquanto pessoa? Continue a ler “Ano Velho e Ano Novo”

O poder do abraço

O poder do abraçoO toque físico pode ser tão agradável como necessário. Várias são as teorias que defendem que a estimulação pelo toque favorece o bem-estar físico e emocional dos indivíduos. O toque terapêutico, como por exemplo a massagem, constitui-se como uma ferramenta eficaz no alívio e tratamento de determinados sintomas físicos de doença. O abraço é uma forma especial de toque que pode contribuir para o aumento do bem-estar físico e emocional.

Algumas  pessoas não gostam de abraços e sentem-se desconfortáveis com o contacto físico. Qualquer tentativa de conforto pelo toque será desagradável e indesejada, criando uma barreira intransponível entre si e o outro. Abraçar e ser abraçado implica uma troca de afectos e disponibilidade para dar e receber, e quando essa disponibilidade não existe, quando o contacto físico é indesejado, forçar terá sempre um efeito nocivo. Há que saber ler os sinais transmitidos pelo outro e perceber se efectivamente o abraço pode ser ou não bem-vindo. Continue a ler “O poder do abraço”

Um lugar vazio à mesa de Natal

Luto

O Natal, é para a maioria das pessoas uma época de grande alegria e entusiasmo. Mais ou menos crentes, ou até mesmo nada crentes no que se refere à essência do Natal – o nascimento de Jesus – parece-me que muita gente atribui ao Natal o seu próprio significado, fazendo dessa quadra, uma época de festa, partilha e amor.

Fazem-se listas de presentes e embarca-se muitas vezes numa azáfama consumista, umas vezes pelo prazer de oferecer, outras, pela obrigação de dar. Combina-se entre a família, onde vai ser a noite da consoada e o almoço do dia 25 de Dezembro. Quem assa o peru, quem faz as filhós, quem leva o vinho, etc. etc. Etc. Escolhe-se a roupa, mais ou menos chique, mais ou menos confortável. A casa decorada, para muitos é sinal de celebração, de festa e de conforto para a alma. As músicas natalícias que se vão ouvindo pelas ruas, pelos centros comerciais, por aí, enchem-nos de ternura e de uma alegria mais ou menos contagiante e inspiradora. Continue a ler “Um lugar vazio à mesa de Natal”