Compreender a dor

DorA dor é uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a um dano real ou potencial de tecidos. É um mecanismo de defesa do organismo que alerta o cérebro de que os seus tecidos podem correr perigo, embora a dor possa ocorrer sem que tenha havido um dano físico real.

Parece não haver uma relação directa entre uma lesão e a dor, daí o aspecto subjectivo do fenómeno doloroso. Os nociceptores são receptores sensoriais que enviam ao cérebro o sinal que causa a percepção da dor, em resposta a um estímulo que possui potencial de dano. O cérebro interpreta esse sinal como dor. Os nociceptoes podem ser activados por lesão mecânica dos tecidos ou pelo stresse. A percepção da dor é regulada pelo cérebro e é influenciada por factores físicos e psicológicos. Continue a ler “Compreender a dor”

Preciso de mais atenção…

Pedaços da sessãoA Madalena tem 11 anos e está em acompanhamento por apresentar sintomatologia depressiva e decréscimo do rendimento escolar. Vive com os pais e um irmão de 16 anos. É uma menina muito afectuosa e rapidamente estabeleceu uma boa relação com a Psicóloga. A Madalena refere com frequência que gostaria que a família lhe desse mais atenção e que fizessem mais actividades em conjunto.

Certo dia, em sessão, a menina verbaliza: “O meu irmão nunca faz nada comigo nem sai com a família. Fica sempre em casa, no quarto dele, fechado a jogar, lá no mundo dele e eu não percebo porquê. O meu pai passa o tempo a ver televisão e nem sai comigo e com a mãe ao domingo. Não tem paciência e se lhe digo para irmos fazer um jogo, manda-me estar quieta e que o deixe ouvir a televisão. A mãe, depois de fazer as coisas todas lá de casa , joga no tablet”.

Durante todo o tempo em que fez estas verbalizações, a Madalena não conseguiu conter as lágrimas.

Perturbações do sono mais frequentes na adolescência

Dificuldades de sonoOs problemas de sono na adolescência são um fenómeno frequente e nem sempre transitório. Tendem a diminuir apenas marginalmente com a idade podendo tornar-se crónicos e exigir intervenção médica e psicológica (Fricke-Oerkermann, Pluck, Schredl, Heinz, Mitschke, Wiater et al., 2007).

Estes problemas, quando persistentes, podem levar a situações de stresse e a um pobre desempenho escolar ou ocupacional. A restrição aguda do sono leva a um aumento de respostas de afecto negativo como raiva, tristeza ou medo, influenciando as relações interpessoais (O’Brien & Mindell, 2005). No entanto, as dificuldades de sono em crianças e adolescentes são um tema que tende a ser negligenciado quer em contexto escolar, quer em contexto de saúde. Rosen, Zozula, Jahn & Carson (2001) referem que apenas 3% da população pediátrica com perturbações de sono está a ser diagnosticada correctamente e a ser tratada ou acompanhada por um profissional de saúde. Continue a ler “Perturbações do sono mais frequentes na adolescência”

Este peso que eu carrego

Obesidade adolescenteO Marcelo tem 15 anos e tem um problema grave de obesidade. Foi encaminhado para a Consulta de Psicologia para fazer a avaliação necessária para a decisão de vir a ser  ou não sujeito a uma intervenção cirúrgica bariátrica.

O jovem entra no gabinete com ar de enfado e começa por dizer: “Estou farto disto, o médico disse que me ia operar e agora manda-me para aqui como se eu estivesse maluco. Não sei o que estou aqui a fazer… diga-me lá se vou ser operado ou não, senão é para fazer a operação eu nunca mais cá venho”, diz com agressividade.

É-lhe então explicado o motivo da sua presença na consulta. O Marcelo fica em silêncio, prolonga-se o silêncio, não responde a 2 ou 3 perguntas que a Psicóloga lhe faz. De repente, levanta-se e diz: “Vou-me embora que não estou para isto. Falar consigo não me vai tirar este peso que eu carrego!”

Rói-se de ciúmes…

Adolescente em sessão

A Mafalda é uma menina de 18 anos que está em acompanhamento psicológico há poucas semanas. Procurou ajuda por iniciativa própria e iniciou acompanhamento por estar a viver um processo de luto complicado, pela perda do pai há cerca de oito meses. Além disso tem também uma relação difícil com a mãe.

Vai sempre sozinha às sessões, a mãe leva-a mas fica sempre no carro à sua espera. Um dia, quando a Psicóloga se dirige à sala de espera para a ir buscar, a mãe está com ela. A Psicóloga cumprimenta a mãe e convida-a a entrar. A mãe recusa, diz que não é necessário. A Psicóloga não insiste. Lá dentro, a Mafalda diz: “Ela tinha que vir, ela tinha que ver a cara da pessoa com quem eu falo e a quem conto tudo o que não lhe conto a ela. Rói-se de ciúmes…”

Sobredotados

sobredotaçãoJá todos ouvimos falar em sobredotados, no entanto, será que sabemos exactamente o que é isso de ser sobredotado? A definição da ideia pode não ser tarefa fácil, pois o primeiro conceito que frequentemente ocorre é o de Q.I. (quociente de inteligência),  porém, esse factor parece não ser suficiente para determinar se um indivíduo é sobredotado.

O sobredotado é alguém cujos atributos psicológicos lhe permitem ir para além do que é tipicamente esperado, comparativamente a outros sujeitos com características comuns, como por exemplo a faixa etária. O conceito de sobredotação tem vindo a evoluir ao longo dos tempos e vários autores se têm debruçado sobre esta temática propondo diferentes modelos explicativos. Renzulli (1986), por exemplo, propõe o Modelo dos Três Anéis, que considera que a sobredotação deve ser identificada a partir de três domínios: a capacidade intelectual, a criatividade e a motivação. É da interacção destes três componentes que se pode definir a sobredotação, sendo que cada um deles por si só não será suficiente para a determinar.

sobredotação

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Adolescência – uma Perspectiva Psicodinâmica

AdolescênciaA adolescência corresponde a uma fase do desenvolvimento que começa com a entrada na puberdade, tendo por isso um início biológico marcado por transformações às quais o jovem tem que se adaptar. O final da adolescência poderá ser determinado pela independência do jovem em relação aos pais, logo tem um carácter psico-social e uma idade indeterminada, no entanto podemos estabelecer como final da adolescência os vinte e poucos anos.

 Em termos psicológicos a tarefa básica do adolescente é a aquisição do sentimento de identidade. Descobrir e experimentar coisas novas, assim como ensaiar vários papéis característicos do adulto, são tarefas típicas deste período. Para isso é fundamental que o contexto relacional do adolescente lhe forneça a segurança e o apoio necessário à experimentação e à sua estruturação enquanto individuo. É uma fase de paradoxos uma vez que há uma inconstância de sentimentos e emoções que levam o jovem a oscilar entre o desejo de estar só e a vontade de sentir atenção e companhia, “Entre o medo e o desejo de crescer” (M. Fleming, 2005). Continue a ler “Adolescência – uma Perspectiva Psicodinâmica”

Aquisição da moralidade segundo Piaget

Moral, regras

Um dos objectivos da socialização é inculcar valores morais que são respeitados não apenas para evitar a punição mas também porque a pessoa acredita que eles são correctos (Gleitman, H., Fridlund, A. J. e Reisberg, D., 2011).

Segundo Piaget, o desenvolvimento moral das crianças, desde o nascimento até por volta dos 12 anos de idade, passa por duas orientações: heteronomia e autonomia. Numa primeira fase, as crianças encontram-se em moralidade heterónoma, ou seja, todas as regras são impostas pelo adulto, exteriores a si e não podem ser contestadas. Um comportamento é visto como completamente certo ou completamente errado, não havendo lugar para ver o ponto de vista do outro. Numa segunda fase, as crianças evoluem para uma moralidade autónoma, onde aceitam que as regras podem ser alteradas por elas próprias ou pelos outros, julgam os actos pela sua intenção e não apenas pela consequência dos mesmos e têm a capacidade de se colocar no lugar do outro, considerando mais do que um ponto de vista. Continue a ler “Aquisição da moralidade segundo Piaget”

Psicologia Clínica da Saúde e da Doença

Psicologia da SaúdeA Psicologia é a ciência que estuda os processos mentais e o comportamento humano com o objectivo de os compreender, organizar, classificar, antecipar e modificar. A Psicologia da Saúde é a área disciplinar da Psicologia que diz respeito ao comportamento humano no contexto da saúde e da doença” (Weinman, 1990).

É o conjunto das contribuições educacionais científicas e profissionais da Psicologia para a promoção e manutenção da saúde, a prevenção e tratamento da doença, a identificação da etiologia e o diagnóstico das doenças e disfunções associadas e a análise e melhoria do sistema de saúde e das políticas de saúde” (APA Meeting 1980; Matarazzo 19982). A APA (American Psychological Association) enfatiza o papel do Psicólogo como profissional de saúde e não apenas como profissional da saúde mental. A intervenção oferecida pelos Psicólogos da saúde deve ser de cuidados inclusivos, isto é, ao longo do tempo, coordenados com os outros elementos da equipa de saúde e com recurso a outros especialistas sempre que necessário. Na sua prática interventiva, o Psicólogo da saúde deve reconhecer o papel dos sistemas (família, escola, comunidade, serviços de saúde) e dos factores contextuais, na saúde e na doença, e as suas funções são definidas num contínuo de promoção, prevenção, educação, consultoria e tratamento. Continue a ler “Psicologia Clínica da Saúde e da Doença”

Esquizofrenia

EsquizofreniaA esquizofrenia é uma doença cerebral crónica e grave que se caracteriza pela perda de contacto com a realidade. É um quadro complexo que envolve sintomas muito típicos, em que o indivíduo, durante grande parte do tempo e num período mínimo de seis meses,  passa a funcionar num nível bastante abaixo ao seu funcionamento anterior.

O doente esquizofrénico pode apresentar vários tipos de sintomas, como alucinações (ver, ouvir, sentir, cheirar coisas que os outros não conseguem percepcionar), delírios (crenças falsas, resistentes ao confronto lógico e racional), discurso desorganizado ou empobrecido, embotamento afectivo (face inexpressiva, fala monocórdica e monótona), perda da capacidade de iniciar e manter actividades planeadas, perda de prazer no dia a dia, isolamento social, entre outros. Continue a ler “Esquizofrenia”