As crianças e os meios electrónicos de comunicação

Dispositivos eletrònicosA presença dos meios electrónicos de comunicação na vida das nossas crianças é hoje em dia uma inevitabilidade. A televisão, o tablet, o computador e o telemóvel, são presenças assíduas na vida dos nossos filhos desde cedo. Estes dispositivos são frequentemente diabolizados, mas podem ter uma utilização útil e favorável se disponibilizados de forma equilibrada, como tudo na vida. Tornar-mo-nos reféns deles ou pior ainda, tornar as crianças dependentes desses meios é que me parece perigoso e desadequado e com efeitos prejudiciais, quer a curto, quer a longo prazo.

O que me parece preocupante é o facto de as crianças, a partir dos 2 anos, passarem cada vez mais tempo a ver televisão, a jogar e a interagir com a máquina, por vezes em detrimento de outras actividades mais saudáveis, do ponto de vista físico e social. Muitos dos conteúdos aos quais as crianças têm acesso fácil são violentos e desadequados. Ora, se as crianças aprendem por imitação, não é difícil entender que a probabilidade de aprenderem comportamentos agressivos através desses conteúdos e de os reproduzir é elevada. Usar a violência quando acontece algo que os contraria, ser agressivo para ganhar a alguém e usar a força física para resolver um problema, não é com certeza o modelo que queremos para os nossos filhos. Continue a ler “As crianças e os meios electrónicos de comunicação”

Crianças expostas à violência

Crianças e violência

A violência está infelizmente muito presente na vida das crianças, sob várias formas e proveniente de origens diversas. Não é tarefa fácil eliminar todas as fontes de violência que possam dar às nossas crianças, exemplos de acções e reacções agressivas. Mas o que é afinal a violência e de que forma pode ela entrar na vida de uma criança?

A violência pode ser descrita como a utilização da agressividade, de forma intencional e excessiva, para ameaçar ou cometer uma acção que possa causar dano físico, emocional ou psicológico. A violência chega às crianças através das suas relações familiares, escolares e sociais. Muitas vezes os agressores estão dentro da própria família, mas as crianças também podem vivenciar situações violentas por observação de interacções entre vizinhos, pela televisão ou até mesmo pelos jogos ou livros de histórias infantis. Continue a ler “Crianças expostas à violência”

Suicídio na adolescência

Comportamentos auto lesivosNa adolescência, os comportamentos auto lesivos e a ideação suicida, são dois problemas graves que têm vindo a aumentar a nível mundial (Williams & Bydalek, 2007). Em Portugal ocorrem todos os anos cerca de 600 casos de suicídio e 2400 comportamentos para-suicidas, estimando-se que seja a segunda causa de morte de jovens entre os 15 e os 24 anos, logo depois dos acidentes rodoviários.

A adolescência é  uma fase de intensas transformações, ambiguidades e conflitos, em que o jovem pode por vezes entrar por caminhos mais tortuosos e assumir comportamentos agressivos, impulsivos ou mesmo suicidas, como solução para os seus problemas. Sentindo desespero e impotência perante as dificuldades, alguns jovens parecem não encontrar outra solução para o alívio do seu sofrimento intolerável que não seja o suicídio ou o ataque ao seu próprio corpo (Borges & Werlang, 2006), o que pode sugerir que a maioria dos adolescentes que se evolvem em comportamentos auto lesivos, o fazem como forma de regulação emocional ou também de comunicação social. Os jovens mais velhos são os que se encontram em maior risco uma vez que são os que já adquiriram maior autonomia e têm menor supervisão parental. Continue a ler “Suicídio na adolescência”

Estilos de comunicação

Estilos de comunicaçãoO ser humano tem desde que nasce, a necessidade de comunicar com os outros. Comunicar é uma capacidade que se vai desenvolvendo ao longo da vida e que se vai aprimorando com a aquisição da linguagem falada, depois a escrita e também através da linguagem corporal, tão rica e tão clara que por vezes torna as palavras dispensáveis.

Cada um de nós, ao seu jeito e influenciado por factores diversos, tem o seu estilo próprio de comunicação. O temperamento de cada um de nós dá o seu contributo à forma como nos expressamos, assim como a educação, o contexto e a cultura em que nos inserimos. Uns mais calmos e doces, outros mais bruscos e intempestivos, cada um diferente do outro e igual a si mesmo. Continue a ler “Estilos de comunicação”

Dislexia

DislexiaA dislexia é uma dificuldade significativa na escrita e na leitura (descodificação das palavras) e  que tem na sua génese um défice a nível do sistema fonológico.

O Manual de Diagnóstico e Estatística das Doenças Mentais (DSM-V) classifica a dislexia como uma Perturbação da Aprendizagem Específica com défice na leitura e caracteriza-a por um padrão de leitura em que se verifica fundamentalmente, desde as primeiras fases de aprendizagem, uma grande dificuldade na identificação das palavras escritas.

Podemos ser disléxicos independentemente da nossa capacidade intelectual, no entanto, as crianças com baixas capacidades cognitivas, défices sensoriais, ou perturbações emocionais, para além de também poderem ter dislexia, terão nestes casos o seu problema intensificado, em consequência dos referidos défices. Continue a ler “Dislexia”

Mutismo selectivo, quando ele não fala

Não falaSegundo o Manual Diagnóstico e Estatístico das Doenças Mentais (DSM V), o mutismo selectivo traduz-se na incapacidade persistente do indivíduo para falar em situações sociais específicas, nas quais se espera que o faça (ex. na escola), apesar de conseguir falar noutras situações.

Esta perturbação interfere no percurso educacional, profissional ou ainda na comunicação do indivíduo em contexto social. A duração mínima da perturbação é de um mês (excepto o primeiro mês de escola) e a incapacidade para falar não se deve a um desconhecimento ou desconforto com a língua exigida pela situação social. As características que conduzem ao diagnóstico incluem, não se juntarem com outros indivíduos em interacções sociais e as crianças com mutismo selectivo não iniciam a conversa nem respondem reciprocamente quando os outros falam com elas. A incapacidade para falar acontece em interacções sociais com crianças ou adultos. As crianças com mutismo selectivo falam quando estão em casa na presença de elementos da família mais próximos, mas com frequência não o fazem diante de amigos ou familiares mais afastados. Continue a ler “Mutismo selectivo, quando ele não fala”

Ansiedade de Separação

Ansiedade separação

Dentro do espectro das perturbações de ansiedade na infância e na adolescência, a perturbação de ansiedade de separação é uma das formas mais expressivas e que pode ter consequências desadaptativas importantes.

Segundo a American Psychological Association (APA) esta perturbação é caracterizada por uma reacção anormal à separação de um ente próximo, separação esta que pode ser real ou imaginária e que interfere significativamente nas actividades diárias e no desenvolvimento do individuo. A criança/adolescente apresenta um medo excessivo da separação das figuras de vinculação, habitualmente os pais ou outros cuidadores que os substituam. Este medo pode começar a manifestar-se por volta dos 8 meses de idade, no entanto, a perturbação de ansiedade de separação tem por norma o seu início entre os 7 e os 12 anos, podendo porém ter um início precoce e manifestar-se antes dos 6 anos. A investigação nesta área aponta para uma prevalência de 3 a 13% em crianças e 1,8 a 2,4% em adolescentes, com maior incidência no sexo feminino (Costello & Angold, 1995). Continue a ler “Ansiedade de Separação”

Profecias autoconfirmatórias

Profecias auto confirmatóriasA profecia autoconfirmatória é a tendência que temos para confirmar as nossas expectativas, sem nos darmos conta do quanto nós próprios contribuímos para esse processo. São pensamentos preditivos que uma vez emitidos se transformam na causa que os vai realizar, gerando deste modo uma expectativa que acabará por se cumprir.

Por exemplo, quando uma pessoa se sente triste e aborrecida e pensa que os que a rodeiam não têm interesse em estar com ela, a sua atitude de menor abertura e maior pessimismo sobre si mesma irá provavelmente levar a que os outros sintam de facto uma menor vontade de estar perto de si. O eventual distanciamento por parte dos outros, por sua vez, vai reforçar as expectativas iniciais dessa pessoa de que ela é realmente desagradável ou desinteressante, entrando assim num círculo vicioso. Continue a ler “Profecias autoconfirmatórias”

Relações de amor e de amizade

Relações pessoaisO Homem é um animal relacional e estabelece ao longo da vida vários tipos de relações com os outros, tendo cada um desses tipos de relacionamentos as suas características e critérios particulares. Relações de trabalho, de amizade ou de amor, são exemplos dos vários tipos de relacionamentos que se estabelecem e mantêm (ou não) ao longo da vida.

Diferentes relacionamentos implicam diferentes critérios de escolha. Habitualmente, os critérios para a selecção de um parceiro romântico são mais exigentes do que os critérios para a escolha e criação de relações de amizade. Esse facto parece ser explicado, em parte, pelas funções evolutivas e adaptativas inerentes às relações românticas e que não se encontram presentes nas relações entre amigos. Essas mesmas funções conduzem a um maior cuidado na escolha e maior selectividade, de modo a garantir ou pelo menos procurar salvaguardar, uma genética mais favorável à descendência. Continue a ler “Relações de amor e de amizade”

Um abraço que incomoda

Desconforto AssertividadeAlguns de nós já nos deparámos ao longo das nossas vidas com pessoas que precisam de muita atenção. De uma atenção desmedida e às vezes despropositada. Alguém que se cola a nós, por vezes apenas porque calha, outras vezes porque lhe inspiramos confiança, segurança ou até mesmo porque lhe fazemos lembrar alguém de muito significativo, que por uma ou outra razão, não está presente.

De um modo geral, vivemos a nossa vida afectiva com pessoas que nos são próximas, quer seja porque nos unem laços de sangue, ou porque as escolhemos como amigas ou companheiras. O estranho é quando alguém que mal conhecemos nos acha graça e se aproxima de nós de uma forma que se torna incomodativa, sem que nos tenha visto mais do que apenas uma ou duas vezes e sem que lhe tenhamos dado espaço para o fazer. Continue a ler “Um abraço que incomoda”