Adolescência – uma Perspectiva Psicodinâmica

AdolescênciaA adolescência corresponde a uma fase do desenvolvimento que começa com a entrada na puberdade, tendo por isso um início biológico marcado por transformações às quais o jovem tem que se adaptar. O final da adolescência poderá ser determinado pela independência do jovem em relação aos pais, logo tem um carácter psico-social e uma idade indeterminada, no entanto podemos estabelecer como final da adolescência os vinte e poucos anos.

 Em termos psicológicos a tarefa básica do adolescente é a aquisição do sentimento de identidade. Descobrir e experimentar coisas novas, assim como ensaiar vários papéis característicos do adulto, são tarefas típicas deste período. Para isso é fundamental que o contexto relacional do adolescente lhe forneça a segurança e o apoio necessário à experimentação e à sua estruturação enquanto individuo. É uma fase de paradoxos uma vez que há uma inconstância de sentimentos e emoções que levam o jovem a oscilar entre o desejo de estar só e a vontade de sentir atenção e companhia, “Entre o medo e o desejo de crescer” (M. Fleming, 2005). Continue a ler “Adolescência – uma Perspectiva Psicodinâmica”

Aquisição da moralidade segundo Piaget

Moral, regras

Um dos objectivos da socialização é inculcar valores morais que são respeitados não apenas para evitar a punição mas também porque a pessoa acredita que eles são correctos (Gleitman, H., Fridlund, A. J. e Reisberg, D., 2011).

Segundo Piaget, o desenvolvimento moral das crianças, desde o nascimento até por volta dos 12 anos de idade, passa por duas orientações: heteronomia e autonomia. Numa primeira fase, as crianças encontram-se em moralidade heterónoma, ou seja, todas as regras são impostas pelo adulto, exteriores a si e não podem ser contestadas. Um comportamento é visto como completamente certo ou completamente errado, não havendo lugar para ver o ponto de vista do outro. Numa segunda fase, as crianças evoluem para uma moralidade autónoma, onde aceitam que as regras podem ser alteradas por elas próprias ou pelos outros, julgam os actos pela sua intenção e não apenas pela consequência dos mesmos e têm a capacidade de se colocar no lugar do outro, considerando mais do que um ponto de vista. Continue a ler “Aquisição da moralidade segundo Piaget”

Psicologia Clínica da Saúde e da Doença

Psicologia da SaúdeA Psicologia é a ciência que estuda os processos mentais e o comportamento humano com o objectivo de os compreender, organizar, classificar, antecipar e modificar. A Psicologia da Saúde é a área disciplinar da Psicologia que diz respeito ao comportamento humano no contexto da saúde e da doença” (Weinman, 1990).

É o conjunto das contribuições educacionais científicas e profissionais da Psicologia para a promoção e manutenção da saúde, a prevenção e tratamento da doença, a identificação da etiologia e o diagnóstico das doenças e disfunções associadas e a análise e melhoria do sistema de saúde e das políticas de saúde” (APA Meeting 1980; Matarazzo 19982). A APA (American Psychological Association) enfatiza o papel do Psicólogo como profissional de saúde e não apenas como profissional da saúde mental. A intervenção oferecida pelos Psicólogos da saúde deve ser de cuidados inclusivos, isto é, ao longo do tempo, coordenados com os outros elementos da equipa de saúde e com recurso a outros especialistas sempre que necessário. Na sua prática interventiva, o Psicólogo da saúde deve reconhecer o papel dos sistemas (família, escola, comunidade, serviços de saúde) e dos factores contextuais, na saúde e na doença, e as suas funções são definidas num contínuo de promoção, prevenção, educação, consultoria e tratamento. Continue a ler “Psicologia Clínica da Saúde e da Doença”

Terapia Cognitivo-Comportamental. O que é?

Terapia Cognitiva e ComportamentalA Terapia Cognitivo-Comportamental é uma abordagem específica, breve e focada no problema actual do cliente. Explica que o que nos afecta não são os acontecimentos em si mas sim a forma como os interpretamos é que vai influenciar, senão determinar, o modo como nos vamos sentir e comportar.

As terapias cognitivo-comportamentais têm por base vários modelos. O modelo de aprendizagem de competências, foca-se no desenvolvimento de reportórios adaptativos e competências específicas de autonomia, comunicação e relação interpessoal, bem como de autocontrolo e autorregulação emocional. O modelo de resolução de problemas ensina métodos para examinar os problemas e encontrar a melhor solução. Pensar alternativas, antecipar consequências, chegar a compromissos, ensaiar soluções, etc. Também o modelo de estruturação cognitiva tem o seu papel relevante na medida em que promove um funcionamento adaptativo, tanto comportamental como emocional, alterando os processos cognitivos disfuncionais. Permite identificar pensamentos, analisar a interligação de variáveis, analisar distorções da realidade e procurar interpretações mais realistas. Continue a ler “Terapia Cognitivo-Comportamental. O que é?”

Comportamentos Positivos

Regras e comportamentos positivosNão é demais recordar que o reforço potencia a ocorrência de um determinado comportamento. Assim, sempre que as nossas crianças apresentam um comportamento adequado e desejado, o reforço imediato torna-se imprescindível para que se possa obter o desejado – que o comportamento ocorra mais vezes, de preferência até se tornar automático.

Parece consensual a importância da definição de regras por parte dos pais e educadores. Para potenciar a eficácia das regras, estas deverão ser claras, estáveis e específicas, de modo a que a criança as possa compreender e cumprir. As regras e instruções para além de claras devem ser curtas e dadas pela positiva. Por exemplo, em vez de um discurso como “És sempre o mesmo desarrumado do costume, nunca arrumas os brinquedos! Estou farta de te avisar que os brinquedos não podem ficar espalhados pela casa, bla, bla ,bla…”, experimente dizer ao seu filho “Por favor arruma os brinquedos. Cá em casa mantemos os quartos arrumados”. Continue a ler “Comportamentos Positivos”

Preciso mesmo…

adição a jogos electrónicosO Rui tem 15 anos e um problema de obesidade e de adição a jogos electrónicos. Anda em Acompanhamento Psicológico para melhorar a sua adesão à dieta, ao plano de exercício físico e para controlo da sua utilização disfuncional dos meios electrónicos de comunicação em geral e em particular da sua consola de jogos.

Questionado sobre os seus comportamentos nessas áreas na semana anterior, o Rui responde: ” Foi mais ou menos… os 2 ou 3 dias depois da consulta faço tudo direitinho como combinamos mas depois vou-me relaxando… preciso mesmo de cá vir todas as semanas para me relembrar das minhas tarefas…”

Educação Pré-Escolar

Educação pré-escolarA Educação Pré-Escolar constitui-se como um elemento protector no desenvolvimento infantil. É através da interacção com o meio e com os outros, que a criança pequena potencia o seu desenvolvimento, promove a sua autoestima, autoconfiança e desenvolve o sentimento de entreajuda, fundamentais para que se venha a tornar uma pessoa segura e confiante.

 No campo da investigação em Psicologia, a evidência cientifica aponta para a clara influência dos programas de Educação Pré–Escolar como forma de potenciar, estimular e enriquecer o desenvolvimento global da criança. Em termos de arquitectura cerebral, é durante os três primeiros anos que se estabelecem as sinapses, sendo o contexto parte influente da sua qualidade. Aos três anos, o cérebro da criança é duas vezes mais activo que o cérebro do adulto e cerca de 87% do seu peso foi já adquirido. Perante toda essa actividade cerebral, 75% da energia do corpo nessa fase é usada para o desenvolvimento neurológico. Dada a rapidez e a precocidade do desenvolvimento cerebral, a Educação Pré-Escolar assume uma importância fulcral no desenvolvimento infantil.  Continue a ler “Educação Pré-Escolar”

Alguém que me compreenda

preciso de falarA Filomena tem 16 anos e iniciou  Avaliação Psicológica por apresentar sintomatologia depressiva. Depois de uma primeira sessão com muitos “silêncios” e alguma dificuldade em estabelecer relação, no início da segunda sessão a Filomena verbaliza: “Quando vinha para cá estava nervosa mas agora nem por isso. Como estamos aqui sozinhas é mais fácil para mim falar. Acho que posso falar à vontade, preciso mesmo de falar com alguém que me consiga compreender…”

PHDA-Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção

PHDA

O meu filho parece que está sempre “ligado à corrente”. Já não sei o que fazer!

Se o seu filho apresenta manifestações comportamentais que afetam o seu normal funcionamento, em diferentes contextos de vida, caracterizadas por atividade excessiva (agitação psicomotora), distração (dificuldade de concentração, focagem e manutenção da atenção) e impulsividade (dificuldade na autorregulação, agir sem refletir), poderá estar perante uma Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA). Não basta que a criança apresente estes sintomas mas sim que estes se manifestem com uma intensidade e frequência desadaptativas no que diz respeito ao nível de desenvolvimento da criança. Continue a ler “PHDA-Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção”

Mãe-Monstro

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A Patrícia está em Acompanhamento Psicológico há cerca de 3 meses por dificuldades no relacionamento com a filha adolescente com 17 anos. Após relatar mais uma situação de conflito entre ambas a Patrícia verbaliza: “Sinto-me uma Mãe-Monstro, sabe, uma mãe que só ralha, critica, proíbe e castiga. Preciso de mudar”.