Ansiedade e faculdade, uma associação normativa

O momento em que os jovens terminam o enino secundário é um marco nas suas vidas. Aqueles que optam por continuar a sua formação em meio académico, enfrentam um grande desafio, desde o momento em que se candidatam, já para não falar, da por vezes difícil tomada da decisão acerca do curso e da instituição de ensino superior que irão escolher mas também até saberem se foram colocados, onde e em que curso. Tudo isto pode ser naturalmente, gerador de ansiedade.

A ansiedade é uma resposta natural do organismo a uma situação de alarme, medo, surpresa, desafio ou novidade. Por norma, aquilo que não conhecemos ou controlamos, pode provocar-nos ansiedade. É uma emoção normativa e por vezes muito protetora e adaptativa, no entanto, a ansiedade intensa e associada a sensações de angústia e a sintomas fisiológicos, pode tornar-se incapacitante e conduzir a patologia, causando um mal-estar significativo e pondo em causa a funcionalidade do indivíduo. A eminência da mudança, de um meio escolar conhecido e na maioria das vezes confortável, para ingressar no ensino universitário, novo e desconhecido, pode levar a uma expetativa apreensiva e causar sentimentos de ansiedade relacionados com a necessidade de adaptação ao contexto e ás vivências académicas.

Os sintomas da ansiedade podem ser físicos, como a arritmia, taquicardia, aperto no peito, tremores, entre outros. Para além destes sintomas físicos, a ansiedade pode provocar várias reações cognitivas como preocupação excessiva, dificuldades de concentração, falta de clareza do raciocínio, etc. Numa tentativa de nos protegermos, as nossas respostas à ansiedade podem ser de luta ou evitamento, ainda que aquilo que a desencadeia, possa não oferecer qualquer risco para nós. Uma vez mais, o receio do que é desconhecido, pode conduzir a um medo desproporcionado que vai desencadear uma reação ansiosa ou até mesmo, em situações mais extremas, um ataque de pânico.

É muito importante que se consigam identificar os primeiros sinais de ansiedade, de modo a poder controla-los e assim evitar a sua escalada para uma situação de mais difícil controlo e causadora de grande sofrimento, ou até de perda da funcionalidade. Então a que sinais devemos estar atentos? Uma sensação de aperto no peito, a aceleração dos batimentos cardíacos, a dificuldade em respirar ou respiração acelerada, pode ser indicador de um estado de ansiedade, A tensão muscular, náuseas ou mesmo perturbações intestinais como diarreia, podem ser também manifestações de um estado ansioso. Outro sinal é a dificuldade em focar a sua atenção ou de se concentrar na atividade que está a desempenhar no momento. Por outro lado, os pensamentos intrusivos e que surgem de forma automática, repetidos e perturbadores, são outro sinal de alarme, principalmente se estes forem derrotistas, pessimistas e catastróficos, e, se lhe provocarem a ideia de que não os vai conseguir parar. Outro sinal de alarme são as dificuldades de sono, ou seja, dificuldade em adormecer e/ou dificuldade em manter o sono durante a noite.

Num estado de ansiedade é comum ocorrerem sentimentos de insegurança, baixa autoestima, desalento, desmotivação, tristeza, desesperança ou irritabilidade. Em psicologia utiliza-se o conceito de coping, que se pode definir como a forma como lidamos com a nossa ansiedade ou com aquilo que nos preocupa. Refere-se aos esforços cognitivos e comportamentais que têm um caráter adaptativo e que perante determinada situação de stresse, potenciam as capacidades do indivíduo, no sentido do reestabelecimento da sua tranquilidade e do seu bem-estar. O coping pode ser centrado no problema, visando alterar a situação geradora de ansiedade que está a provocar o desajustamento, atuando assim na origem do problema e procurando formas de o resolver. Por outro lado, o coping entrado nas emoções, procura adequar a resposta emocional ao acontecimento stressante, sempre que não é possível controlá-lo, através da regulação das emoções negativas associadas ou resultantes de situações geradores de ansiedade.

As estratégias de coping centradas no problema são essencialmente a procura de informação credível e fiável, a exploração de objetivos ou soluções concretas e reais de resolução do problema e a identificação de respostas alternativas. Quanto o coping centrado nas emoções, este procura estratégias para dar significado ao problema e técnicas de controlo das emoções negativas, como poe exemplo os pensamentos intrusivos que as desencadeiam. A intervenção psicológica de orientação cognitivo-comportamental é o caminho ideal para ajudar os jovens que numa fase de mudança possam ter dificuldade em encontrar a melhor forma de lidar com a situação. Após uma cuidada avaliação do indivíduo e da situação, a/o psicóloga/o poderão propor um plano de intervenção, no sentido de dotar o jovem de “ferramentas” que o ajudem a adapta-se à sua nova realidade académica mas também a trabalharem o seu autoconhecimento, visando uma melhor adaptação a novos contextos, novas interações sociais e a uma facilitação do seu desenvolvimento e entrada na vida adulta.

Se te sentes ansioso em relação aos desafios do meio académico, procura ajuda. A Tua Psicóloga pode ajudar-te. Um caminho que se faz acompanhado, permite a partilha, a expressão emocional e o ensino e treino de estratégias que podem transformar os obstáculos, em degraus rumo à conquista !

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s