Velhos ou envelhecidos?

O envelhecimento é um processo inexorável que ocorre desde o nascimento até à morte e que pressupõe um conjunto de transformações do organismo, tanto a nível fisiológico como psicológico. Consiste na diminuição progressiva das funções cognitivas, físicas e motoras. A velhice por sua vez, não tem apenas a ver com os efeitos da passagem do tempo no organismo, mas também com a forma como o indivíduo se vai adaptando psicologicamente às transformações inerentes à passagem dos anos.

Parece consensual que distinguir envelhecimento de velhice faz muito sentido. Pode parecer um “lugar-comum” dizer que há velhos de 40 anos e jovens de 80, mas de facto a forma como o indivíduo enfrenta as dificuldades, resolve os problemas, escolhe estratégias que lhe permitem viver melhor e sobretudo, a forma como se relaciona com os outros e como mundo, leva-me a considerar que não é apenas a idade cronológica, as rugas e outras alterações do aspecto físico do indivíduo, que determinam o que é ser um velho. Ser velho, correlaciona-se fortemente com a perda de capacidades que permitam ao individuo manter-se auto suficiente, quer a nível físico como mental, mas também com a perda da capacidade de sonhar e de projetar o futuro.

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Ansiedade e faculdade, uma associação normativa

O momento em que os jovens terminam o enino secundário é um marco nas suas vidas. Aqueles que optam por continuar a sua formação em meio académico, enfrentam um grande desafio, desde o momento em que se candidatam, já para não falar, da por vezes difícil tomada da decisão acerca do curso e da instituição de ensino superior que irão escolher mas também até saberem se foram colocados, onde e em que curso. Tudo isto pode ser naturalmente, gerador de ansiedade.

A ansiedade é uma resposta natural do organismo a uma situação de alarme, medo, surpresa, desafio ou novidade. Por norma, aquilo que não conhecemos ou controlamos, pode provocar-nos ansiedade. É uma emoção normativa e por vezes muito protetora e adaptativa, no entanto, a ansiedade intensa e associada a sensações de angústia e a sintomas fisiológicos, pode tornar-se incapacitante e conduzir a patologia, causando um mal-estar significativo e pondo em causa a funcionalidade do indivíduo. A eminência da mudança, de um meio escolar conhecido e na maioria das vezes confortável, para ingressar no ensino universitário, novo e desconhecido, pode levar a uma expetativa apreensiva e causar sentimentos de ansiedade relacionados com a necessidade de adaptação ao contexto e ás vivências académicas.

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Inteligência emocional e gestão de conflitos

A comunicação e as relações interpessoais nem sempre são fáceis e por vezes implicam ter conversas difíceis, sobre assuntos igualmente difíceis e que podem ferir suscetibilidades ou gerar conflito, tanto a nível pessoal e familiar como profissional.

O conceito de inteligência emocional pressupõe a capacidade de se identificar emoções, dos próprios e dos outros, bem como saber geri-las de forma adaptativa. Deste modo, a gestão de conflitos está incluída nesta competência tão necessária á nossa adaptação aos desafios do dia-a-dia. Por vezes, evitar ou adiar uma “conversa difícil” pode ser protetor e adequado naquele momento, no entanto, só resolve o problema a curto prazo. Se o assunto é realmente importante, mais cedo ou mais tarde terá que ser abordado e se pensarmos bem, quanto mais cedo for esclarecida uma dúvida, resolvido um mal-entendido ou esclarecida uma confusão, mais cedo a nossa paz interior será reestabelecida.

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Stresse! O mau e o bom…

Segundo Selye (1976) o stresse é um conjunto de respostas fisiológicas adaptativas que mobilizam o organismo para a ação. Considera-se que o stresse é um processo de adaptação e não propriamente uma doença, embora a exposição repetida a fatores causadores de stresse possa levar a um estado patológico pelo desgaste que provoca no indivíduo.

Existem vários tipos de stressores. Podem ser internos (representação mental ou memória) ou externos (viver uma situação). O indivíduo reage aos fatores causadores de stresse através da resposta emocional (ex. ansiedade ou medo), da resposta fisiológica (ex. roer as unhas), das respostas comportamentais (ex. agitação motora) ou as respostas cognitivas(ex. o pessimismo ou a dificuldade em tomar decisões). O stresse tem habitualmente no indivíduo consequências muito negativas. No entanto, também pode ser positivo pois leva-o à ação. Sendo muitas vezes inevitável, pois está presente nas situações do dia-a-dia, o stresse é também de certo modo desejável na medida em que funciona como o motor que nos conduz à resolução dos problemas. Pode ser a oportunidade de adquirirmos competências práticas e de nos tornarmos capazes.

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Resolução de problemas

Tomada de decisãoÉ comum ouvir-se dizer que todos temos problemas. Uns de nós mais dados a “problematizar” e outros menos, o facto é que os problemas existem e andam por aí para serem resolvidos, caso contrário, permanecem como uma nuvem negra que paira sobre as nossas cabeças, incomodando, incomodando…

Há problemas e problemas, ou seja, há problemas de fácil resolução, na medida em que sabemos exatamente o que fazer para nos livrarmos deles, mas há outros, que por várias ordens de razão, são mais difíceis de solucionar pois implicam a tomada de decisões importantes que têm que ser bem ponderadas. Vários são os fatores que contribuem para a dificuldade que possamos ter em resolver um determinado problema. Ou porque o assunto implica gastos inesperados, ou porque nos obriga a alterar as nossas rotinas e vem revolucionar o nosso quotidiano, ou porque pode causar algum tipo de conflito ou mal-entendido com alguém ou porque nos encontramos num período particularmente difícil, em termos emocionais, o que nos condiciona e dificulta a tomada de decisão. Certo é que resolver um problema nem sempre está ao nosso alcance mas também é certo, que muitas vezes está, só não sabemos como. Continue a ler “Resolução de problemas”