Fumar ou parar? Eis a perturbação!

É sabido que o consumo de tabaco é responsável por inúmeros danos na nossa saúde, desde o aumento do risco de cancro ao aumento da propensão para os acidentes  vasculares cerebrais, entre outros malefícios. No entanto, embora deixar de de fumar traga muitos benefícios para a saúde e para a “carteira”, muitas pessoas têm grande dificuldade em fazê-lo.

O Tabaco é uma planta do género nicotínico, existindo cerca de cinquenta espécies diferentes. A Nicotina Tabacum, planta originária do continente americano, é a que ao longo do tempo tem despertado maior interesse. Historicamente, a sua utilização é difundida por toda a Europa, sobretudo por causa do grande e suposto valor terapêutico que lhe era atribuído. No entanto, aos dias de hoje, embora fumar seja uma prática socialmente aceite, ela envolve sérios riscos para a saúde, não só do fumador mas de quem com ele priva. O tabaco pode ser fumado ou mascado, tendo em qualquer uma das formas um potencial patogénico significativo. O grau de toxicidade do tabaco deve-se em grande parte à maneira como é consumido, assim como à intensidade da inalação que se faz desta substância. Quer pela inalação de monóxido de carbono através do tabaco fumado, quer pela absorção da nicotina e outros agentes carcinogéneos pelas mucosas, o consumo de tabaco é altamente nocivo.

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A senhora salvou-me a vida…

A Paula é uma mulher de 35 anos que está em acompanhamento psicológico há cerca de um ano. O diagnóstico inicial foi uma depressão major, com encaminhamento para psiquiatria, tendo sido imediatamente medicada, ao mesmo tempo que iniciou intervenção psicológica cognitivo-comportamental. A Paula tinha uma ideação suicida muito forte, tendo já havido uma tentativa prévia. Não conseguia trabalhar, não conseguia cuidar da sua filha de 3 anos…

A Paula tem sido muito cooperante e estabeleceu uma forte relação terapêutica. Não falha uma consulta e faz todos os “trabalhos de casa”. A melhoria é significativa, embora haja ainda um caminho a percorrer. Há dias, em sessão, verbalizou: “Não sei o que seria de mim sem a Dra., a senhora salvou-me a vida“…

O mérito é todo dela!

Não deixe que o preconceito ou os estereótipos a/o impeçam de pedir ajuda. Não deixe que um impulso a/o ponha em risco. Cuide de si!

É de pequenino que se forma o autoconceito

Cada indivíduo, reserva no seu mundo exterior uma parcela destinada à perceção de si mesmo. Da mesma forma que o indivíduo percebe e atribui valor à realidade que o cerca, percebe e atribui valor e significado a si mesmo, formando gradualmente o seu autoconceito.

Desde a infância, e á medida que nos relacionamos com os outros e com os diversos contextos nos quais vamos estando inseridos, desenvolvemos também a nossa perceção de nós mesmos, ou seja, o nosso autoconceito. Assim, com base no modo como nos avaliamos e julgamos a nós próprios, o nosso autoconceito vai-se formando, influenciando de forma direta a nossa autoestima. O autoconceito deriva da forma como interpretamos as nossas emoções, o nosso comportamento e a comparação que fazemos de nós próprios com os outros.

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A psicologia e o turismo

A Psicologia do Turismo surge como uma área inovadora da psicologia, que se centra no estudo do comportamento humano em contexto de turismo, especificamente do turista, do residente e do profissional da área da hotelaria e turismo.

 A Psicologia como a ciência que estuda o comportamento, os sentimentos e as emoções do ser humano, emerge como uma forte aliada aos estudos no âmbito do turismo. Ainda que á partida possam ser encaradas como duas áreas científicas incongruentes, na realidade, não o são. O turismo é um meio potenciador de movimento humano. Assim sendo, o seu foco são as pessoas, o mesmo foco que a psicologia tem na sua essência. Deste modo, psicologia e turismo cruzam-se no indivíduo enquanto turista, residente ou profissional da área do turismo. A psicologia permite o desenvolvimento de estratégias que podem ajudar a suportar e impulsionar a inovação neste campo.

No âmbito do turismo, pode-se destacar o importante contributo da psicologia positiva, ciência que visa a promoção do bem-estar e que tem tudo a ver com a experiencia do turista, uma vez este busca essencialmente experiências enriquecedoras e promotoras de bem-estar físico e psicológico. Assim, a riqueza de ideias e estratégias da psicologia positiva pode potenciar a inovação e diferenciação dos destinos turísticos. Da aplicação prática da psicologia positiva ao turismo, podem-se destacar três áreas com potencial de crescimento: a participação de psicólogos na construção de atividades para os turistas, no desenvolvimento de estratégias de promoção de experiências significativas ou ainda no desenvolvimento de intervenções de bem-estar junto dos turistas, trabalhadores e residentes.

O turismo pode ser um campo de atuação da psicologia, numa perspetiva diferenciadora, criativa e inovadora, com inúmeros benefícios para a sociedade, bem como para a evolução da ciência psicológica, nomeadamente através do desenvolvimento de investigação sobre temáticas de interesse no turismo, na construção de materiais cientificamente validados para a avaliação das variáveis psicológicas em contextos turísticos e a investigação empírica de variáveis psicológicas junto dos turistas. Pelos estudos já realizados, é clara a pertinência da aliança entre a psicologia e o turismo. Abrem-se as portas para a investigação científica psicológica neste contexto, mas simultaneamente abrem-se portas para a prática psicológica em contexto de turismo, nos seus diferentes domínios.

Fonte:

Garcês, S., Pocinho, M., & Jesus, S. (2020). The best tourism island destination in the world and meaningful experiences: A systematic literature review. Revista Portuguesa de Estudos Regionais, 53, 23-34.

Piromania: o fascínio pelo fogo

A piromania é uma perturbação do foro mental, cuja principal característica é o fascínio de um indivíduo por atear fogo, nos mais variados tipos de objetos ou por iniciar incêndios, de maior ou menor extensão.

O indivíduo que reúna os critérios de diagnóstico de piromania necessita de ser acompanhado em psiquiatria, uma vez que o seu desejo por atear fogo pode provocar um comportamento impulsivo que o leva a iniciar pequenos incêndios sem que se consiga controlar. Este desejo e fascínio pelo fogo coloca em risco a vida do indivíduo e a de outras pessoas, bem como os bens materiais e ambientais. O pirómano demonstra sentir um grande prazer em atear fogo, planear o ato e colocar em prática cada etapa prévia do incêndio.

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Violência conjugal

Algumas pessoas, tipicamente mulheres, permanecem numa relação conjugal violenta em que são vítimas, sem que muitas vezes tenham a consciência dessa sua condição. Deste modo, acabam por não recorrer aos organismos destinados a intervir e a fazer cessar os abusos, mantendo o sofrimento e correndo riscos relacionados com a sua integridade física e moral ou até com a própria vida.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a violência conjugal afeta entre 15% a 70% da população mundial, na grande maioria mulheres, tendo os homens como agressores. Em Portugal, muitas mulheres são também elas vitimas deste tipo de violência, e, segundo dados da Associação Portuguesa de Apoio á Vítima (APAV), cerca de 76% dos crimes referenciados em 2021, são de violência doméstica, nos quais a violência conjugal se insere, tendo sido registados perto de 20 mil casos, entre eles 30 homicídios consumados. Segundo o relatório anual desta associação, no ano passado houve uma média diária de 37 vítimas, das quais 25 foram mulheres. O perfil da mulher vítima de violência conjugal corresponde a uma média de idade de 40 anos, é transversal a todos os níveis de ensino e os abusos são perpetrados na sua maioria pelo cônjuge ou companheiro.

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Falar do “Ninho Vazio”…

Síndrome de “ninho vazio” é a denominação dada a um conjunto de sentimentos e emoções que os pais habitualmente experienciam, aquando da saída dos seus filhos da casa da família. Esta síndrome não é uma patologia, no entanto pode ser vivida de forma mais ou menos intensa e ser algo perturbadora.

Independentemente de se ter apenas um filho ou vários, vê-los sair de casa para estudar, trabalhar, casar ou o que quer que seja, desencadeia nos pais sentimentos por vezes muito contraditórios. A ambivalência de sentimentos como orgulho de os ver crescer e atingir autonomia e independência, e a sensação de vazio que causa a sua ausência, podem afetar tanto o pai como a mãe. No entanto, a mãe é tipicamente a que mais se manifesta… Muitos pais têm extrema dificuldade em conceber as suas vidas longe dos filhos, vivendo esta fase com muita angústia e sofrimento.

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Ativação comportamental: combater a depressão

As pessoas deprimidas sentem uma diminuição da vontade de executar tarefas, bem como dificuldade em obter satisfação com atividades que anteriormente lhes agradavam. A estruturação comportamental pode ser o primeiro passo, numa caminhada para combater a depressão.

A depressão pode contribuir para a redução do numero de atividades que realiza e com as quais está comprometido/a. Ao mesmo tempo, estar deprimido/a retira a vontade de realizar tarefas que são do seu agrado e que lhe podem trazer bem-estar. Assim, uma forma de lidar com essa dificuldade de agir, é precisamente estruturar o seu dia-a-dia. Sozinho/a ou com o apoio do seu psicólogo/a, a implementação de um plano de estruturação comportamental e o comprometimento com o mesmo, são fundamentais para que possa aos poucos sair dessa “escuridão” que é o estado depressivo.

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O papel do psicólogo no processo de envelhecimento

O envelhecimento da população mundial é uma realidade e Portugal não é exceção. Dos fatores que contribuem para esta situação, destacam-se a baixa natalidade mas também a melhoria das condições de vida e os avanços médicos e tecnológicos, que assim promovem o aumento da esperança média de vida.

Segundo dados do Eurostat, em Portugal cerca de26,6% da população tem 65 anos ou mais e estima-se que em 2050 esse valor ultrapasse os 40%. Este facto está a transformar as sociedades e a economia a nível global, levantando questões como o financiamento dos cuidados de saúde e as medidas de proteção social. Por outro lado, importa também não esquecer a importância da criação e implementação de programas de promoção da saúde e prevenção da doença, para que a qualidade de vida e o bem-estar das populações se mantenha o mais satisfatória possível, ao longo de todo o curso de vida, nomeadamente nos anos mais tardios.

Perante esta realidade, e uma vez que os adultos mais velhos estão mais vulneráveis à doença crónica, isolamento social, depressão e processos de demência, entre outras patologias, os/as psicólogos/as podem ter um papel fundamental na avaliação e acompanhamento destas pessoas, tendo em vista uma resposta adequada às suas necessidades. Tendo em conta a sua formação e o conhecimento cientifico teórico-prático sobre desenvolvimento, comportamento e sobre o impacto psicológico do processo de envelhecimento, os/as psicólogos/as estão preparados para apoiar os adultos mais velhos nos seus diferentes contextos de vida e problemáticas.

A eficácia da intervenção psicológica está demonstrada nas várias fases do desenvolvimento humano (desde a primeira infância). Assim sendo, alguns adultos mais velhos poderão beneficiar de uma intervenção psicológica com muito bons resultados, ao invés de intervenções apenas farmacológicas. Esta população apresenta frequentemente comorbilidades com outras patologias características da idade, encontrando-se por vezes muito medicada. Em muitas situações o recurso à psicologia pode ser a melhor opção. E quais poderão ser os campos de ação do/a psicólogo/a na sua intervenção com pessoas idosas?

Com esta população específica, o/a psicólogo/a pode ajudar a promover o envelhecimento ativo rentabilizando o potencial de cada indivíduo, para que numa relação terapêutica possam trabalhar as suas várias dimensões, tendo em vista o aumento do seu bem-estar. Questões como informar e consciencializar a pessoa acerca do natural processo de envelhecimento, desmistificar crenças e mitos sobre a velhice, promover uma perspetiva realista mas positiva da vida, salientar e potenciar os pontos fortes do individuo, facilitar a sua participação ativa em sociedade/comunidade, são áreas de abrangência do trabalho do/a psicólogo/a. A facilitação da expressão emocional, a compreensão dos processos e situações problemáticas da vida da pessoa idosa, bem como o apoio na adaptação a possíveis mudanças decorrentes do passar do tempo, cabem também na esfera da intervenção psicológica. A acrescentar, este profissional pode ajudar na aceitação e controlo da doença. física ou mental e respetivo tratamento, assim como ensinar e treinar estratégias para lidar com a dor, com a ansiedade, entre outras patologias típicas desta fase da vida, como por exemplo a prevenção da demência ou ainda o apoio em processos de luto.

Envelhecer faz parte da vida e saber envelhecer é muito importante na preservação da qualidade de vida e da satisfação com a mesma. Há que ter uma perspetiva de aceitação e de esperança e tomar decisões importantes para o seu próprio bem-estar emocional, físico e social. A felicidade é um direito universal e cada um de nós pode contribuir efetivamente para ela.

Não basta dar anos á vida, é fundamental dar vida aos anos. Se para isso sentir que precisa de ajuda, não espere mais, peça-a á Sua Psicóloga!

O trabalhador do século XXI

A psicologia do desenvolvimento e gestão de carreiras em contexto organizacional, tem como objeto de estudo a relação entre o individuo e a organização onde trabalha. Os interesses, a produtividade e o proveito mútuo, são tópicos relevantes a ter em conta, de modo a sustentar o desenvolvimento dos indivíduos, dar resposta às necessidades das organizações e procurar um compromisso entre a estratégia organizacional e as aspirações de cada trabalhador.

Do trabalhador do século XXI espera-se que reúna um conjunto de características potenciadoras de uma carreira bem-sucedida. Em primeiro lugar deverá ter flexibilidade cognitiva e emocional, necessária para a mudança do seu campo de atuação e adaptação às necessidades do mercado. A criatividade, ou seja, a forma como o individuo lida com a informação obtida, de forma inovadora e “fora da caixa”, pode ser mais valorizada do que os seus conhecimentos propriamente ditos, uma vez que o que parece ser mais significativo no tratamento da informação é a originalidade, a imaginação e a capacidade de “pensar diferente”. Outra característica importante é a capacidade para fazer formação ao longo da vida. A evolução da tecnologia e o aumento de informação, obrigam a constantes atualizações, de modo a que se possam abraçar novos desafios. O individuo deve também promover o autoconhecimento, de forma a poder direcionar a sua ação no sentido da realização pessoal e da competência profissional, adequando as suas características individuais ao mercado de trabalho, ao longo do curso de vida. A cultura geral e o conhecimento eclético são fundamentais para o processo de construção da identidade e adaptação aos diversos ambientes e formas de trabalho.

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