Estímulos ambíguos

PercepçãoA ambiguidade ocorre quando falta uma informação fundamental para dar significado à realidade, ou seja, quando um estímulo ao nível sensorial pode gerar diferentes interpretações em termos de perceção e identificação.

Exemplo disso é o conhecido vaso que ilustra os trabalhos de Rubin (1915) sobre a organização da figura-fundo na percepção visual. Todos nós, de um modo geral, temos tendência a ordenar estímulos ambíguos e acontecimentos aleatórios. Essa tendência constrói-se no nosso aparelho cognitivo pois apreendemos melhor os fenómenos ordenados do que os aleatórios, sendo essa nossa predisposição para criar padrões e estabelecer conexões que nos faz progredir e desenvolver.

Olhar para uma nuvem e distinguir uma figura ou observar a lua cheia e identificar um rosto, são experiências comuns. Encontrar padrões e dar sentido ao que vemos é uma tendência natural, automática e inconsciente.

PercepçãoIsto poderia não constituir um problema se esta tendência não estivesse demasiado enraizada o que por vezes nos leva a aceitar determinados factos como certezas e não apenas como hipóteses. Vemos coerência onde ela realmente não existe e chegamos a acreditar em fenómenos que nunca o foram. Nestes casos mesmo examinando repetidamente os resultados de experiências que contrariam as nossas crenças, continuamos a acreditar nelas. A nossa dificuldade em lidar com o que é aleatório e imprevisível, leva-nos a acreditar em factos que cremos serem reais e sistemáticos quando na realidade não passam de factos ilusórios para os quais apenas temos explicações muito simples e infundadas.

Segundo as teorias cognitivas da ansiedade, os adultos ansiosos tendem a interpretar as situações ambíguas de forma negativa, valorizando o perigo e desvalorizando as suas capacidades de resposta.

Compreender a dor

DorA dor é uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a um dano real ou potencial de tecidos. É um mecanismo de defesa do organismo que alerta o cérebro de que os seus tecidos podem correr perigo, embora a dor possa ocorrer sem que tenha havido um dano físico real.

Parece não haver uma relação directa entre uma lesão e a dor, daí o aspecto subjectivo do fenómeno doloroso. Os nociceptores são receptores sensoriais que enviam ao cérebro o sinal que causa a percepção da dor, em resposta a um estímulo que possui potencial de dano. O cérebro interpreta esse sinal como dor. Os nociceptoes podem ser activados por lesão mecânica dos tecidos ou pelo stresse. A percepção da dor é regulada pelo cérebro e é influenciada por factores físicos e psicológicos. Continue a ler “Compreender a dor”

Perturbações do sono mais frequentes na adolescência

Dificuldades de sonoOs problemas de sono na adolescência são um fenómeno frequente e nem sempre transitório. Tendem a diminuir apenas marginalmente com a idade podendo tornar-se crónicos e exigir intervenção médica e psicológica (Fricke-Oerkermann, Pluck, Schredl, Heinz, Mitschke, Wiater et al., 2007).

Estes problemas, quando persistentes, podem levar a situações de stresse e a um pobre desempenho escolar ou ocupacional. A restrição aguda do sono leva a um aumento de respostas de afecto negativo como raiva, tristeza ou medo, influenciando as relações interpessoais (O’Brien & Mindell, 2005). No entanto, as dificuldades de sono em crianças e adolescentes são um tema que tende a ser negligenciado quer em contexto escolar, quer em contexto de saúde. Rosen, Zozula, Jahn & Carson (2001) referem que apenas 3% da população pediátrica com perturbações de sono está a ser diagnosticada correctamente e a ser tratada ou acompanhada por um profissional de saúde. Continue a ler “Perturbações do sono mais frequentes na adolescência”

Parentalidade positiva

Educar filhosA parentalidade positiva descreve um conjunto de comportamentos dos pais que potenciam a capacidade da criança para amar, confiar, explorar o mundo e aprender.

O objectivo da parentalidade positiva é o de ajudar os pais a apoiarem o desenvolvimento saudável dos seus filhos em contexto de família. Os elementos-chave da parentalidade positiva, incluem a capacidade para: Continue a ler “Parentalidade positiva”

Perturbação do desenvolvimento intelectual

Perturbação do desenvolvimento intelectualA perturbação do desenvolvimento intelectual é uma condição complexa. O seu diagnóstico envolve a compreensão da acção combinada de quatro grupos de factores: etiológicos, comportamentais, sociais e educacionais.

Segundo a American Association on Mental Retardation (AAMR), a perturbação do desenvolvimento intelectual é caracterizada por limitações significativas no funcionamento intelectual e no comportamento adaptativo, revelado nas capacidades práticas, sociais e conceptuais da criança, que se manifestam durante o período do desenvolvimento (até aos 18 anos). Importa salientar que esta dificuldade não é representativa da criança em si mesma mas sim do estado do seu funcionamento. Continue a ler “Perturbação do desenvolvimento intelectual”

Sobredotados

sobredotaçãoJá todos ouvimos falar em sobredotados, no entanto, será que sabemos exactamente o que é isso de ser sobredotado? A definição da ideia pode não ser tarefa fácil, pois o primeiro conceito que frequentemente ocorre é o de Q.I. (quociente de inteligência),  porém, esse factor parece não ser suficiente para determinar se um indivíduo é sobredotado.

O sobredotado é alguém cujos atributos psicológicos lhe permitem ir para além do que é tipicamente esperado, comparativamente a outros sujeitos com características comuns, como por exemplo a faixa etária. O conceito de sobredotação tem vindo a evoluir ao longo dos tempos e vários autores se têm debruçado sobre esta temática propondo diferentes modelos explicativos. Renzulli (1986), por exemplo, propõe o Modelo dos Três Anéis, que considera que a sobredotação deve ser identificada a partir de três domínios: a capacidade intelectual, a criatividade e a motivação. É da interacção destes três componentes que se pode definir a sobredotação, sendo que cada um deles por si só não será suficiente para a determinar.

sobredotação

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Adolescência – uma Perspectiva Psicodinâmica

AdolescênciaA adolescência corresponde a uma fase do desenvolvimento que começa com a entrada na puberdade, tendo por isso um início biológico marcado por transformações às quais o jovem tem que se adaptar. O final da adolescência poderá ser determinado pela independência do jovem em relação aos pais, logo tem um carácter psico-social e uma idade indeterminada, no entanto podemos estabelecer como final da adolescência os vinte e poucos anos.

 Em termos psicológicos a tarefa básica do adolescente é a aquisição do sentimento de identidade. Descobrir e experimentar coisas novas, assim como ensaiar vários papéis característicos do adulto, são tarefas típicas deste período. Para isso é fundamental que o contexto relacional do adolescente lhe forneça a segurança e o apoio necessário à experimentação e à sua estruturação enquanto individuo. É uma fase de paradoxos uma vez que há uma inconstância de sentimentos e emoções que levam o jovem a oscilar entre o desejo de estar só e a vontade de sentir atenção e companhia, “Entre o medo e o desejo de crescer” (M. Fleming, 2005). Continue a ler “Adolescência – uma Perspectiva Psicodinâmica”

Aquisição da moralidade segundo Piaget

Moral, regras

Um dos objectivos da socialização é inculcar valores morais que são respeitados não apenas para evitar a punição mas também porque a pessoa acredita que eles são correctos (Gleitman, H., Fridlund, A. J. e Reisberg, D., 2011).

Segundo Piaget, o desenvolvimento moral das crianças, desde o nascimento até por volta dos 12 anos de idade, passa por duas orientações: heteronomia e autonomia. Numa primeira fase, as crianças encontram-se em moralidade heterónoma, ou seja, todas as regras são impostas pelo adulto, exteriores a si e não podem ser contestadas. Um comportamento é visto como completamente certo ou completamente errado, não havendo lugar para ver o ponto de vista do outro. Numa segunda fase, as crianças evoluem para uma moralidade autónoma, onde aceitam que as regras podem ser alteradas por elas próprias ou pelos outros, julgam os actos pela sua intenção e não apenas pela consequência dos mesmos e têm a capacidade de se colocar no lugar do outro, considerando mais do que um ponto de vista. Continue a ler “Aquisição da moralidade segundo Piaget”

O desenvolvimento da criança e o desenho

O desenvolvimento da criança e o desenhoA premissa de que a criança desenha menos o que vê e mais o que sabe de um objecto é comum a diferentes correntes teóricas sobre o desenvolvimento do desenho. O desenho, entre o jogo simbólico e a imagem mental, subordina-se às leis da conceituação e da percepção (Piaget, 1973).

O desenho é uma das formas através das quais a função de construção e designação de significado se expressa. Desenvolve-se ao mesmo tempo que outras habilidades, entre as quais a linguagem verbal e a marcha, sendo também um período em que a criança adquire muita autonomia. A evolução do desenho tal como o processo de desenvolvimento, passa por etapas que caracterizam a maneira da criança interpretar mundo que a rodeia. Continue a ler “O desenvolvimento da criança e o desenho”

Envelhecimento e família

Envelhecer com a famíliaActualmente envelhecemos integrados em famílias quantitativa e qualitativamente diferentes das famílias dos nossos antepassados, em termos de papeis, relações e responsabilidades.

A fragilidade estrutural das famílias actuais devido, por exemplo,  ao aumento das taxas de divórcio e segundos casamentos, leva a uma complexificação das relações entre gerações. Verifica-se uma maior dependência no comprometimento voluntário do envolvimento da família e uma maior dicotomia entre o compromisso de ter que tomar conta dos mais velhos e o viver a sua própria vida. Continue a ler “Envelhecimento e família”