O Jorge e a Clara são um casal jovem com dois filhos. Uma filha de 7 anos e um menino de dois. Marcaram uma consulta de psicologia no “desespero” de não conseguirem tirar a filha mais velha da cama dos pais. “Há 7 anos que não sei o que é dormir sozinho com a minha mulher”, diz o Jorge, e a Clara esboça um sorriso tímido.
Após uma avaliação psicológica feita à criança, percebe-se que não há nenhuma perturbação com significado clínico, mas sim apenas uma questão comportamental, aparentemente fácil de resolver. Com uma estratégia relativamente simples, no espaço de uma semana a menina passou a dormir tranquilamente na sua cama, no quarto que partilha com o irmão.
Três semanas depois, em consulta, os pais referem: “Nós não acreditávamos mesmo que fosse possível, estamos muito surpreendidos mas muito felizes”! O comportamento da menina mantém-se até hoje. Já passaram 6 meses.
O desenvolvimento de competências sociais resulta da aprendizagem comportamental e relacional positiva. A adolescência, é um período da vida em que o relacionamento interpessoal sofre grandes alterações, em que se estabelecem novos relacionamentos e em que as relações com o grupo de pares assumem uma maior relevância.
Atualmente, a intervenção precoce na área da saúde mental juvenil, por meio de estratégias de prevenção e promoção da saúde e de estilos de vida saudáveis, assume cada vez mais importância. As normas internacionais orientam para uma maior preocupação com este assunto. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2001) determinadas perturbações mentais como a ansiedade ou a depressão, podem derivar da dificuldade de alguns jovens em lidarem com o stresse gerado pelas relações sociais. Assim, torna-se fundamental o desenvolvimento de competências socio emocionais.
As perturbações de ansiedade estão atualmente entre os quadros psicopatológicos mais debilitantes e impactantes do indivíduo comum. Milhares de pessoas lutam diariamente para controlar os seus medos e preocupações, ao mesmo tempo que percebem que quanto mais tentam fugir da ansiedade e dos seus “gatilhos”, pior ficam as suas vidas e mais afetado é o seu bem-estar.
Todos nós sabemos como é sentir medo, quando somos confrontados pelo desconhecido e assustador, ou ficamos ansiosos antes de um exame ou de uma entrevista de trabalho, ou até mesmo antes de um encontro amoroso. Viver implica termos que nos deparar com uma boa dose de ansiedade, causada pelo perigo, pelos riscos, pelas incertezas ou inseguranças próprias do dia-a-dia. O medo faz parte da vida e tem também um papel de extrema importância, na medida em que pode ser protetor e fazer com que paremos e olhemos, antes de atravessar uma estrada, diminuindo significativamente o risco de sermos atropelados. A ansiedade leva-nos também a que nos preparemos melhor antes de prestar uma prova, para aumentar a probabilidade de termos um melhor desempenho. Contudo, medo em excesso pode-nos impedir de agir e causar um enorme sofrimento.
A Psicologia tem dado ao longo dos tempos um forte contributo para a melhoria do ensino e da aprendizagem em sala de aula. Sabe-se que o bem-estar emocional influencia positivamente o desempenho escolar, a aprendizagem e o desenvolvimento das crianças e dos jovens.
O ensino e a aprendizagem estão intrinsecamente relacionados com fatores sociais e comportamentais do desenvolvimento, incluindo a cognição, a motivação, a interação social e a comunicação. Uma avaliação da saúde psicológica poderá ser de grande importância, não só em termos de prevenção, como no desenvolvimento de estratégias de intervenção, no sentido de melhorar o desempenho escolar e académico, as relações familiares e com os pares, e, consequentemente, a satisfação dos jovens com a vida. Promover o bem-estar emocional de crianças e jovens, irá certamente potenciar o sucesso da sua funcionalidade diária, bem como o sucesso do seu desempenho, tanto em sala de aula, como no restante ambiente escolar e não só…
O medo e a ansiedade são naturais ao ser humano, desempenhando um papel muito importante no comportamento e na sobrevivência. É porque temos medo que nos protegemos e nos defendemos dos perigos que percecionamos. No entanto, medo em excesso pode interferir de forma muito negativa na nossa vida, uma vez que nos pode comprometer a nossa funcionalidade.
Em contexto escolar, a ansiedade dos alunos perante a perspetiva de um teste é um fenómeno particularmente difícil. A ansiedade gerada pela avaliação, ou seja, a ansiedade de desempenho, principalmente em contexto formal, como é o caso de testes e exames, ou até mesmo informal, como a leitura de uma poesia em família, é sempre mais ou menos perturbadora. Ser avaliado corresponde a uma situação complexa que reúne várias dimensões (cognitiva, emocional, fisiológica e comportamental). Em termos teóricos, a ansiedade de desempenho face a um teste pode assumir duas formas distintas: como traço ou como estado. Enquanto traço, a ansiedade corresponde a uma predisposição psicológica para reagir com o mesmo nível de ansiedade (alto ou baixo) a um conjunto indiscriminado de situações. Enquanto estado (ou sobrecarga) a ansiedade acontece em situações esporádicas, como um exame particularmente difícil ou para o qual o aluno não se sente devidamente preparado.
Com a abrangência da internet e a diversidade de dispositivos à qual se pode aceder, as crianças e os adolescentes desta era digital, têm ao seu dispor plataformas e conteúdos, a qualquer hora e a partir de qualquer lugar. Queremos acreditar que na maioria dos casos, a ligação à internet proporciona oportunidades positivas e benefícios, no entanto, sabemos que oferece também riscos, aos quais devemos estar muito atentos.
A internet permite que estejamos ligados ao mundo, com tudo o que isso tem de positivo, mas também de negativo. Se por um lado, as crianças e adolescentes podem utilizar a internet para estudar, pesquisar e adquirir conhecimento, comunicar com os amigos, jogar e fazer atividades em grupo, partilhar fotos, enfim, um sem número de possibilidades de interação e socialização, por outro lado, têm também a possibilidade de “cair em armadilhas” que os podem conduzir a situações de perigo, que no limite, podem por em causa a sua integridade física e moral. A violência e os conteúdos de cariz sexual, são exemplos de riscos aos quais as crianças e jovens podem estar expostos através do acesso à internet, podendo estes ser alvo de exploração e abusos.
É sabido que o consumo de tabaco é responsável por inúmeros danos na nossa saúde, desde o aumento do risco de cancro ao aumento da propensão para os acidentes vasculares cerebrais, entre outros malefícios. No entanto, embora deixar de de fumar traga muitos benefícios para a saúde e para a “carteira”, muitas pessoas têm grande dificuldade em fazê-lo.
O Tabaco é uma planta do género nicotínico, existindo cerca de cinquenta espécies diferentes. A Nicotina Tabacum, planta originária do continente americano, é a que ao longo do tempo tem despertado maior interesse. Historicamente, a sua utilização é difundida por toda a Europa, sobretudo por causa do grande e suposto valor terapêutico que lhe era atribuído. No entanto, aos dias de hoje, embora fumar seja uma prática socialmente aceite, ela envolve sérios riscos para a saúde, não só do fumador mas de quem com ele priva. O tabaco pode ser fumado ou mascado, tendo em qualquer uma das formas um potencial patogénico significativo. O grau de toxicidade do tabaco deve-se em grande parte à maneira como é consumido, assim como à intensidade da inalação que se faz desta substância. Quer pela inalação de monóxido de carbono através do tabaco fumado, quer pela absorção da nicotina e outros agentes carcinogéneos pelas mucosas, o consumo de tabaco é altamente nocivo.
A ansiedade é uma reação comum e até certo ponto funcional, na vida de qualquer indivíduo, podendo manifestar-se por comportamentos de fuga ou evitamento. É normal que cada um de nós, em vários momentos da nossa existência, experienciemos o sentimento de ansiedade, sempre que avaliamos cognitivamente uma situação ou um acontecimento que consideramos importante.
O regresso às aulas é para a maioria crianças e jovens, um momento aguardado com alguma ansiedade. Corresponde ao reinício de rotinas e tarefas, interrompidas pelo período de férias. Principalmente as crianças do primeiro ciclo, tendem a revelar uma grande vontade de recomeçar a escola e de rever colegas e professores, o que de um modo geral, nem sempre é vivido com o mesmo entusiasmo por parte dos adolescentes. De qualquer modo, o momento de se confrontarem com novos professores, distribuição de turmas e horários, bem como novas disciplinas e novas matérias, pode ser sempre acompanhado de alguma ansiedade e outras emoções intensas.
Os desafios da parentalidade são muitos e a adolescência pode ser um dos mais complexos. No entanto, nem todos os adolescentes são problemáticos e nem todos os pais apresentam grandes dificuldades em lidar com os seus filhos, durante esta fase do seu desenvolvimento.
Não há uma fórmula mágica nem um livro de instruções que ajude os pais a educarem os seus filhos. Cada individuo e cada família têm as suas especificidades, e que está certo e resulta como regra numa família, pode não se adequar a outra. Porém, ao longo do tempo, vários estudos na área da psicologia, mais especificamente na área da parentalidade e do desenvolvimento, revelam que algumas práticas podem ser muito úteis aos pais, para ajudarem os seus filhos a ultrapassar esta fase da vida, algumas vezes muito difícil, mas também para se ajudarem a si mesmos a exercer a parentalidade de forma mais tranquila…
A primeira sugestão é que se estabeleçam regras e limites (de preferência desde a infância) uma vez que o cumprimento dos limites será uma tarefa a ter em conta ao longo da vida, sendo que vivemos inseridos numa sociedade organizada. Estabelecer regras e limites, e fazer com que sejam cumpridas, não significa sermos “pais ditadores” e as exceções também fazem parte da equação. Mantenha o controlo, mas ao mesmo tempo permita um diálogo aberto com os seus filhos, não só para que estes possam expressar os seus pensamentos e emoções, mas também para que as várias situações possam ser reavaliadas e com eles possa negociar. Procure manter em aberto, o mais possível, todas as linhas de comunicação com os seus filhos. Crianças e adolescentes que sentem que são ouvidos e compreendidos veem potenciado o seu desenvolvimento emocional e desempenho escolar.
É fundamental conseguir manter o equilíbrio saudável entre privacidade e vigilância. Se por um lado proibir aumenta a curiosidade e a vontade de desafiar a regra, por outro lado, perseguir também pode trazer consequências bastante difíceis de aceitar e entender. O ideal será dar liberdade com responsabilidade, mantendo-se atento ao que se passa com os seus filhos. Mudanças bruscas do humor ou do comportamento podem indiciar problemas que precisam de ser resolvidos. O seu papel é estar lá, estar disponível para que o seu filho em dificuldades recorra a si. Demonstrar ao seu filho adolescente que confia nele, abre espaço para que ele peça a sua ajuda quando sentir necessidade, sem medo de julgamentos ou de recriminações.
Seja presente na vida dos seus filhos, vivendo ou não na mesma casa. Valorizar as suas conquistas, mas também os seus esforços, elogiar, reforçar e encorajar as suas iniciativas pode ser uma ferramenta bem útil para lidar com a pressão dos pares, tão comum e por vezes perigosa, nesta fase do desenvolvimento. Um forte apoio emocional da família, bem como a expressão inequívoca dos afetos, são extremamente importantes para a estabilidade dos jovens, embora por vezes pareçam não o valorizar. É também muito importante que os pais procurem informação, acerca dos hábitos e passatempos dos seus filhos adolescentes, para com eles poderem discutir e avaliar os seus riscos e benefícios, e fornecer apoio às dúvidas que possam surgir (ex. consumos, sexualidade, etc.).
Quando os pais sentem dificuldade em lidar com algumas questões relacionadas com os comportamentos típicos da adolescência, então devem pedir ajuda especializada. Um psicólogo/a pode ajudar o jovem a ultrapassar esta fase por vezes tão conturbada. Contudo, alguns jovens oferecem resistência quando ouvem falar em procurar apoio psicológico. Uma forma de combater essa resistência, é explicar aos adolescentes que são os pais que vão pedir ajuda para “aprenderem” a lidar melhor com as questões que geram conflito ou preocupação na sua relação com os filhos. Num esforço conjunto e num trabalho colaborativo, psicólogo/a, pais e adolescente irão conseguir ultrapassar de uma forma adaptativa e mais tranquila os desafios desta etapa.
Todas as fases do desenvolvimento dos filhos podem ser fantásticas e enriquecedoras. Aprecie cada momento e acima de tudo procurem divertir-se!
O estabelecimento regras e limites e o cumprimento dos mesmos, é fundamental para um bom desenvolvimento infantil, uma vez que facilita a aquisição de competências relacionais. Respeitar limites, ensina a criança a compreender a importância das regras sociais e potencia a sua autorregulação, promovendo o seu adequado relacionamento com os vários elementos dos contextos em que a criança está inserida.
São os adultos, na sua relação com as crianças, que lhes ensinam o que são e quais são, os limites de cada interação. Através da observação e imitação dos comportamentos dos adultos, as crianças aprendem com as reações e respostas dos mesmos perante os seus comportamentos e atitudes. No exercício da parentalidade, os pais devem ensinar mais do que punir, ou seja, em vez de agredir, ameaçar ou castigar a criança perante um comportamento desadequado, os pais devem chamar a atenção para o que está errado, no momento certo e logo que possível ensinar qual seria o comportamento adequado para a aquela situação. Assim, a criança tem a oportunidade de compreender o que fez mal e de aprender como fazer de forma correta, ou seja, de acordo com o que é esperado pelas normas da convivência familiar, cultural ou social.