Terapia familiar

O termo Terapia Familiar engloba um conjunto de procedimentos que visam a intervenção na família e assenta no pressuposto de que a causa do sofrimento familiar não é necessariamente a patologia de um ou mais elementos da família, mas sim as interações dentro do contexto familiar.

A Terapia Familiar teve a sua origem nos Estados Unidos da América nos anos 50 do século XX. Baseia-se em conceitos de diversas áreas da psicologia como a pragmática da comunicação humana ou a teoria geral dos sistemas, bem como da cibernética.  Os objetivos da Terapia Familiar incluem a avaliação da comunicação entre os vários elementos que compõem a família, a compreensão das razões que levaram a que “aquelas pessoas” tivessem constituído “aquela família”, assim como os motivos que os levam a pedir ajuda, isto é, quais as suas queixas e preocupações.  Faz também parte desta terapia, escutar os vários elementos que constituem a família e ensiná-los a que se ouçam e que compreendam o que não está funcional, naquele sistema que é a sua constelação familiar. Consciencializar os vários elementos acerca do que podem mudar e de que forma cada um pode contribuir para melhorar aquilo que é o seu projeto de família.

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Adolescência: quando o tema é sexualidade

A adolescência é um período de grandes mudanças, tanto a nível fisiológico como psicológico. Fase de descoberta, afirmação e construção da identidade, é rica em experiências e vivências comuns e normativas mas revestidas de um potencial de risco que merece toda a atenção e cuidado. Quando o tema é a sexualidade, não é exceção.

A sexualidade é uma área que acompanha todo o curso de vida, desde o nascimento até à morte mas que tem particular relevância durante o período da adolescência. É nesta fase que o corpo e as suas transformações se tornam centrais na vida do jovem e emergem as questões relacionadas com a capacidade de atração e de desempenho. Numa fase inicial, os jovens preocupam-se mais com a sua aparência, baseiam-se muitas vezes em comparações com os modelos ditados pela sociedade e questionam-se acerca da adequação do seu desempenho, tendo em conta a sua ainda pouca experiência e dos seus pares.

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Memórias e esquecimentos

A memória é a capacidade que o indivíduo tem de adquirir, armazenar e evocar informação. Podemos distinguir 3 tipos de memória: sensorial, de curto prazo e de longo prazo.

A memória sensorial é um tipo de memória que tem origem nos órgãos dos sentidos. Deste modo podemos referir a memória auditiva, visual, olfativa, etc. A informação obtida através dos órgãos dos sentidos é retida por um curto espaço de tempo (0.2 a 2 segundos). É a memória sensorial visual que nos permite, por exemplo, ver um filme. Por outro lado, a memória sensorial auditiva permite-nos entender uma notícia que ouvimos ser relatada na rádio. A informação obtida através deste tipo de memória, se for processada, passa para a memória de curto prazo, caso contrário, a falta de processamento, leva a que a informação se perca. A memória sensorial é ilimitada, ou seja, são ilimitados os dados passíveis de serem registados pelos nossos cinco sentidos. Para que a informação seja captada pela memória sensorial não é necessário o envolvimento da atenção, o processo é automático e involuntário.

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Punição: palmada sim ou palmada não?

Punição físicaAs práticas de punição física são as menos eficazes porque traduzem um modelo de violência, porque não ensinam um comportamento adequado alternativo e ainda, porque promovem um comportamento de obediência baseado no medo, com efeitos habitualmente pouco duradouros e por vezes devastadores para o desenvolvimento da criança.

É frequente ouvir-se dizer que uma palmada no momento certo nunca fez mal a ninguém. Também ouvimos muitas vezes, pais que dizem coisas do género “também apanhei muitas vezes e não morri” ou “levei muitas palmadas e não fiquei traumatizada”. Enfim, quem nunca disse ou ouviu este tipo de desabafo? A palmada, ou seja, a punição física, no âmbito da educação de uma criança é milenar. Pais, outros familiares e até professores, eram legitimados a exercer a força física no sentido de educar, disciplinar ou controlar as crianças. No entanto, hoje em dia essa prática tem vindo a ser condenada e desaconselhada uma vez que se trata de um ato de agressividade, habitualmente perpetrada por uma pessoa adulta a uma criança, com toda a desigualdade que isso implica.

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O meu filho dorme comigo…

Crianças a dormirem com os paisGeralmente aconselha-se que a criança durma sozinha, se possível a partir dos seis meses de vida, de preferência no seu próprio quarto, no sentido de favorecer a sua capacidade de estar só e de promover o desenvolvimento da sua autonomia.

Filhos a dormir no meio dos pais, mães ou pais a dormir na cama com o filho, o pai a dormir no sofá da sala porque o filho dorme com a mãe, a mãe a dormir na cama de um filho e o pai na cama com o outro… tantas possibilidades de cenários e tão reais e até frequentes. Vários são os argumentos utilizados pelos pais para justificarem algumas destas situações. “Se eu não for para a cama dele, ele não dorme”, “se não a deixar aconchegar-se no meio de nós ela passa a noite a acordar e ninguém tem sossego”, “eu deixo-o dormir comigo porque também gosto desse miminho” ou “é uma boa maneira de não ter que dormir com o meu marido”. São todos argumentos possíveis, e eu já os ouvi a todos!

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As minhas crianças estão muito preocupadas com o Covid-19!

De há um tempo a esta parte fui recebendo mensagens de pais que me questionavam sobre se seria normal a preocupação excessiva que algumas das suas crianças manifestavam acerca do Coronavírus. De facto o assunto tornou-se uma preocupação generalizada e os números de infetados, quer a nível nacional como internacional são muito significativos, tendo conduzido a esta situação de pandemia que hoje vivemos.

Algumas crianças mais ansiosas, começaram a preocupar-se com o novo vírus logo que se começou a falar dele. Outras, foram aos poucos dando atenção ao assunto e, principalmente após a adoção de medidas mais extremas como o fecho das escolas e as recomendações de isolamento social, entre outras, foram ficando “contaminadas” de medos e dúvidas, para algumas delas muito perturbadoras. Como tal, deixo aqui algumas dicas de como agir com a sua criança neste momento de inquietação tão novo para todos nós.

Não deixe de falar com a sua criança sobre este tema, começando por questionar a criança acerca do que ela já sabe ou de como pensa sobre o assunto. Ouça a sua criança com atenção e deste modo irá permitir que a criança se exprima, que fale sobre o que receia mas acima de tudo poderá corrigir alguma informação errada à qual a criança tenha tido acesso. Ensine à criança como se transmite o vírus e como se pode proteger, falando sempre com verdade e adequando a sua linguagem à idade da criança e à sua capacidade de entendimento. Use um tom de voz tranquilo pois informação e serenidade são recomendáveis em momentos como este.

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Suspensão das consultas presenciais

Caros clientes, de acordo com as normas estabelecidas para a prevenção da transmissão do Covid-19, as minhas consultas presenciais estão temporariamente suspensas. No entanto, estou diaponivel via email , Skype ou telefone para qualquer questão relacionada com o acompanhamento psicológico em curso.
Grata pela vossa compreensão, aproveito para recomendar que sigam as indicações de precaução veiculadas através dos meios de comunicação social.
Cumprimentos a todos, certa de que conseguiremos ultrapassar este período com relativa tranquilidade.

www.gracindapsi.com
gracinda.psicologia@gmail.com
T 919057801

Infância: violência e maus tratos

Violência e infânciaOs maus tratos na infância são definidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como qualquer forma de abuso ou violência física, psicológica, sexual, negligência, exploração comercial ou outra, no contexto de uma relação de responsabilidade, confiança ou poder, de um adulto em relação a uma criança/ adolescente.

“A minha mãe anda sempre em stresse. Ferve em pouca água e às vezes, se eu estou por perto, grita-me e empurra-me ao ponto de eu já ter caído nas escadas. Acho que ela se devia era tratar…” (Cláudia, 16 anos).

Maus tratos infantisA violência sexual refere-se a todo o contacto ou interação com uma criança para estímulo ou gratificação sexual de um adulto ou de outra criança. Considera-se negligência a ausência da satisfação das necessidades básicas, sendo que estas incluem a alimentação, a higiene, os cuidados médicos, o abrigo, a segurança, a aceitação, o carinho, etc. Seja qual for o tipo de violência exercida sobre uma criança/adolescente, e seja quem for o agressor, o impacto na vida da criança e no seu futuro pode ser muito significativo. Quando o agressor é um dos progenitores ou ambos, o impacto é potencialmente maior. Receber maus tratos por parte daqueles de quem esperamos proteção, confiança e apoio incondicional leva sempre a uma perturbação e confusão maiores.

“O meu pai bate-me com uma revista. Por tudo e por nada ele enrola a maldita revista e bate-me nas pernas, nas costas, nos braços e até na cabeça”. Ele é meu pai, eu não entendo porque é tão mau para mim… Acho que eu devo ter algum problema que o deixa descontrolado. Sou sempre eu que pago quando ele chega a casa aborrecido com alguma coisa” (Francisco, 12 anos).

Violência na infânciaDe facto, os sentimentos de culpa são frequentes em situações em que a criança/adolescente sofre de maus tratos por parte dos progenitores. Ela não entende porque é que aquela pessoa a quem ama e a quem muitas vezes procura agradar, e que às vezes até revela algumas manifestações de afeto para com ela, consegue ser tão cruel. A ambiguidade de algumas relações pais-filhos podem provocar na criança/adolescente uma grande instabilidade emocional e sentimentos de medo, insegurança, desconfiança e frustração, conducentes a um enorme sofrimento emocional.

As situações de violência e maus tratos podem originar dano real ou potencial no desenvolvimento da criança bem como na sua capacidade de sobrevivência, integridade, saúde ou dignidade. A criança é considerada como vítima de maus tratos, quer quando estes são perpetrados contra si mesma mas também enquanto testemunha, em contexto de conflito parental, por exemplo. Os tipos mais comuns de violência e maus tratos contra crianças/adolescentes parecem ser a violência física, psicológica, sexual ou a negligência. A violência física refere-se a qualquer tipo de lesão causada na criança pelo uso da força física com ou sem a ajuda de um objeto (ex. cinto, pau, sapato). São exemplos de violência física o bater, empurrar, beliscar ou arranhar. Considera-se violência psicológica qualquer ação ou omissão que possa causar ou potenciar prejuízos ou degradação da autoestima, identidade ou do desenvolvimento da criança, quer a nível biológico como psicológico ou social. São exemplos de violência psicológica a humilhação, provocação, insulto, ameaça, intimidação ou exclusão.

“Eu tenho dores de barriga e vomito quando os meus pais discutem. Tenho medo dos gritos do meu pai e fico muito nervoso porque tenho medo que ele bata na mãe” (Rodrigo, 9 anos).

Infância e maus tratosAs crianças precisam e têm o direito de serem protegidas. Todo o tipo de violência tem sempre efeitos negativos mas a violência contra as crianças, tem um impacto extremamente significativo, comprometendo o seu futuro!

Violência na infânciaSão diversos os fatores de risco para a violência e os maus tratos infantis. Fatores como a doença mental, o temperamento, a genética, o consumo de álcool ou drogas, a história prévia de violência, os sentimentos de rejeição ou frustração, o próprio ambiente comunitário ou o isolamento social, a pobreza, bem como os modelos e exemplos veiculados através dos meios de comunicação social, podem potenciar comportamentos agressivos em contexto familiar. Outros fatores como a discriminação, o racismo, o machismo ou a falta de apoio social são exemplos de aspetos entre muitos outros, a levar em consideração quando o assunto é violência e maus tratos.

Adolescentes e comportamentos auto lesivos: porquê?

Adolescência

Designam-se por comportamentos auto lesivos todos os comportamentos diretos que causam lesão física ligeira a moderada, feita sem intenção suicida consciente, e que acontece na ausência de psicose ou incapacidade intelectual organicamente determinada.

Se cada cabeça é um mundo, no caso dos adolescentes, podem mesmo ser vários mundos. As variações do humor e dos sentimentos, características desta fase de ambiguidades e descobertas, podem fazer com que os jovens se sintam ora os “donos do mundo”, cheios de razão e de verdades absolutas, ora os seres mais infelizes na face da terra, cheios de dúvidas e de incertezas. Estas oscilações podem ter um impacto significativo no bem-estar emocional dos jovens ou na perturbação do mesmo. Continue a ler “Adolescentes e comportamentos auto lesivos: porquê?”

Síndrome do X-Frágil, o que é?

X FrágilA Síndrome do X-Frágil é uma doença genética associada ao cromossoma sexual X, sendo a causa hereditária mais comum para o défice cognitivo, antigamente designado por atraso mental.

A síndrome do X-Frágil tem na sua origem uma alteração na estrutura do ADN num gene específico, o FMR-1, que o impede ou dificulta a produção da proteína FMRP. Esta proteína ajuda a regular a produção de outras proteínas que influenciam o desenvolvimento das sinapses, isto é, as conexões especializadas entre as células nervosas e fundamentais para a neuro-transmissão. O grau de dificuldade na produção da referida proteína ou mesmo a impossibilidade de a produzir, é que vai determinar o nível do défice intelectual, ou seja, se é ligeiro, moderado ou acentuado. Pode ainda ocorrer que algumas pessoas sejam apenas portadoras, tendo apenas um pequeno defeito no gene FMR1, conhecido como pré-mutação, não apresentando os sintomas característicos da Síndrome do X-Frágil. Esta doença deriva da alteração de um único gene e pode ser transmitida à geração seguinte. É uma síndrome mais comum nos rapazes do que nas raparigas, pelo facto de estes possuírem apenas um cromossoma X. No caso dos rapazes, o défice cognitivo é tendencialmente mais acentuado do que nas raparigas.

Síndrome X FrágilOs sintomas apresentados pelos indivíduos afetados pela Síndrome do X-Frágil são físicos e comportamentais. Em relação aos sintomas ou características físicas destacam-se a cabeça grande, as orelhas grandes ou salientes, a fronte proeminente e a face alongada. Habitualmente estes indivíduos apresentam baixo tónus muscular, pé plano e o céu-da-boca elevado e com uma curvatura acentuada. No que diz respeito às características comportamentais salientam-se o défice cognitivo, que como já foi referido pode variar desde perturbações ligeiras de aprendizagem até ao défice cognitivo profundo. Associam-se a esta síndrome as dificuldades de atenção e concentração, bem como a hiperatividade. Timidez, ansiedade social, dificuldade em manter contacto ocular e oscilações do humor podem também ser características das pessoas afetadas por esta síndrome. Estas apresentam também frequentemente atitudes de defesa tátil devido à hipersensibilidade sensorial. A mordedura das mãos e os movimentos estereotipados fazem também parte das características físicas. É de referir ainda como associadas a esta síndrome, as dificuldades de linguagem e por vezes as perturbações do espectro do autismo.

Síndrome do X FrágilNão é ainda conhecida uma cura para este problema, uma vez que se trata de uma doença genética. No entanto, as crianças diagnosticadas com a Síndrome do X-Frágil podem beneficiar de uma intervenção precoce ao nível da educação, com os apoios adequados disponíveis no ensino regular, ao invés de serem institucionalizadas em centros de apoio para deficientes. Terapia da fala, terapia ocupacional e psicoterapia podem também fazer a diferença na vida destas crianças, a par da intervenção farmacológica. Todos estes apoios podem potenciar a sua funcionalidade e explorar os seus pontos fortes. Pessoas com Síndrome do X-Frágil são frequentemente empáticas, com bom sentido de humor, boa memória e tendem a interessar-se intensamente por vários temas. Não havendo a possibilidade de curar a doença, há sempre a possibilidade de reduzir os seus efeitos negativos agindo sobre os sintomas a ela associados. A intervenção com crianças com Síndrome do X-Frágil é fundamental no sentido de potenciar o seu rendimento escolar, adaptação sócio-emocional e qualidade de vida.

 

Sugestão:

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