1ªs Jornadas de Comportamentos Aditivos: Alcool, Tabaco e Internet

Alcool tabaco jogos

Tiveram lugar pela primeira vez no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa, as Jornadas dos Comportamentos Aditivos, que contaram com a participação, como oradores, de profissionais da área da saúde mental, nomeadamente médicos, psiquiatras, psicólogos e enfermeiros, entre outros. O evento foi da máxima importância uma vez que abordou temas muito actuais – álcool, tabaco e internet – focando-se nas várias dimensões de uma problemática com um indiscutível impacto negativo, no indivíduo, nas famílias e na sociedade, que é a adição.

Deixo aqui um resumo dos temas apresentados e debatidos, que embora incompleto devido à quantidade das comunicações e especificidades das mesmas, tem como objectivo despertar a consciência dos meus leitores, no sentido da reflexão e porventura da procura de mais informação sobre o tema. Para isso deixo no final algumas referências, de publicações que serviram de base para a informação abaixo descrita e/ou complementar à informação apresentada. Continue a ler “1ªs Jornadas de Comportamentos Aditivos: Alcool, Tabaco e Internet”

Entrevista motivacional

AmbivalênciaA entrevista motivacional é considerada por si só, não apenas como uma trivial entrevista de recolha de informação mas principalmente como um modelo de intervenção terapêutica. Baseada em constructos da psicologia social experimental como, por exemplo, a atribuição causal, a dissonância cognitiva e a auto-eficácia, esta entrevista tem características muito específicas e uma eficácia cientificamente comprovada.

Trata-se de um conjunto de estratégias relacionais que em contexto de intervenção terapêutica, tem revelado ser promotora de comportamentos orientados para a saúde. A entrevista motivacional tem sido descrita como um modelo de intervenção constituído por duas fases: a primeira fase enfatiza a promoção da motivação intrínseca e a segunda fase, baseia-se no compromisso para a mudança. Pretende-se através deste modelo que o sujeito possa entender a importância da mudança para a sua vida e para o seu bem-estar. Continue a ler “Entrevista motivacional”

Time in, time out e os comportamentos difíceis das crianças

ComportamentosUma das principais intervenções para a gestão de comportamentos disruptivos em crianças é fornecer aos pais estratégias de gestão de comportamentos. As técnicas de treino parental foram cuidadosamente documentadas e têm suporte empírico significativo na literatura como uma intervenção para problemas de comportamento em crianças.

 Existem alguns componentes-chave para a maioria dos programas de treino parental, incluindo a psicoeducação, o ensino de como fornecer atenção diferencial aos comportamentos das crianças, como fornecer instruções eficazes, como usar consequências como recompensas e em tempo apropriado e como integrar essas habilidades num abrangente plano de gestão comportamental. Os programas de treino parental são normalmente oferecidos em formatos de 8 a 12 sessões, muitas vezes promovendo competências de acordo com a fase de desenvolvimento da criança. Cada competência é ensinada através de informações didácticas, bem como modelagem e role playing com a mãe/pai e/ou a criança no consultório. Continue a ler “Time in, time out e os comportamentos difíceis das crianças”

Crianças, comportamentos e instrução eficaz

Comportamentos crianças

Os comportamentos desajustados das crianças cumprem na maioria das situações, um papel no seu desenvolvimento, associado ao teste dos limites e regras, às imposições por parte dos adultos e aos seus próprios processos de autorregulação emocional.

Todos nós, pais, educadores e outros profissionais que lidamos frequentemente com crianças, já nos deparamos inúmeras vezes, com birras amuos e outros comportamentos desajustados e que por vezes nos põem à prova. As crianças, como seres em desenvolvimento acelerado, passam por várias fases num relativamente curto espaço de tempo, tendo que se adaptar constantemente às exigências de cada uma das fases do desenvolvimento normativo. Por vezes, comportam-se mal porque não sabem fazer de outra maneira, porque ainda não aprenderam a fazer diferente. Continue a ler “Crianças, comportamentos e instrução eficaz”

Mudar comportamentos

Mudança comportamentalMudar um comportamento pode não ser tarefa fácil. Muitas vezes, mudar um comportamento implica alterar hábitos de longa duração, ou seja, acções já há muito tempo mantidas e que podem efectivamente, estar já automatizadas no nosso dia-a-dia.

Para que haja a mudança de um comportamento, a pessoa precisa de ter intenção de o fazer, ou melhor, estar motivada para essa mudança. Para além disso precisa de tomar decisões e de planear acções, isto é, encontrar comportamentos alternativos para poder substituir aqueles que quer ver modificados. Para estas tarefas, a ajuda do/a psicólogo/a é fundamental para que o individuo se sinta apoiado na tomada de decisões mas também para iniciar as novas rotinas. Tão importante como adoptar novos comportamentos, mais adaptativos, é conseguir mantê-los, resistindo às tentações e por vezes ao que é mais fácil, ao que está habituado. Continue a ler “Mudar comportamentos”

As doenças, os factores de risco e o papel do psicólogo

Psicologia da saude e da doençaSegundo a Direcção Geral de Saúde (2016), as doenças com maior impacto na população portuguesa são: o cancro (18,5%), as doenças cardiovasculares (15,4%), os problemas de saúde mental e comportamental (8,9%), as doenças respiratórias (4,1%) e a diabetes (3,6%).

Para todas estas patologias, os factores de risco são um traço comum. Desde os hábitos alimentares, à hipertensão, passando pelo excesso de peso e os consumos excessivos de tabaco e álcool, todos estes comportamentos estão de algum modo relacionados com as referidas patologias mas também associados entre si. Daí se conclui que a prevenção da doença e a promoção da saúde deverá incidir na mudança comportamental para a implementação de hábitos de vida saudáveis. E qual é o papel do psicólogo a este nível? Continue a ler “As doenças, os factores de risco e o papel do psicólogo”

Os pais e o seu envolvimento na intervenção psicológica dos filhos

 

PediatriaEm psicologia clínica pediátrica, o papel dos pais ou de outros cuidadores que os substituam, assume uma importância extrema em termos do sucesso da intervenção.

Começando pela consulta de triagem, pelo menos um dos pais procura ajuda psicológica por verificar alguma alteração preocupante no comportamento da criança ou por vezes, por ele próprio sentir que está com dificuldade em lidar, com uma ou mais áreas funcionais que envolvem a sua tarefa de cuidador. É importante que as dificuldades ou os motivos que levam à busca de ajuda, sejam bem esclarecidos, no sentido de se orientar a avaliação do caso, de uma forma detalhada, completa e adequada. Continue a ler “Os pais e o seu envolvimento na intervenção psicológica dos filhos”

Perturbação Desafiante de Oposição (PDO)

Oposição e desafio

A Perturbação Desafiante de Oposição (PDO) enquadra-se nas Perturbações Disruptivas do Controlo dos Impulsos e do Comportamento, e constitui um problema que tem vindo a crescer e a preocupar cada vez mais as famílias, os profissionais de saúde e do ensino, bem como a sociedade em geral.

Esta perturbação caracteriza-se por um padrão persistente de comportamentos conflituosos e desafiantes, humor irritável, atitudes rancorosas e vingativas. A desobediência e hostilidade manifestam-se particularmente perante as figuras de autoridade (e. g. pais, outros cuidadores e professores). Trata-se de uma perturbação psicológica muito comum na criança e no adolescente, que pode perturbar de forma significativa todos os contextos da sua vida.

Perturbações do comportamentoA perda frequente do controlo, os sentimentos de raiva e ressentimento, as discussões com adultos ou grupo de pares, o culpar os outros pelos seus próprios erros e o incumprimento de regras, são exemplos de atributos presentes nesta perturbação, que podem ter um impacto muito negativo nas diferentes áreas funcionais da criança ou do adolescente (e. g. familiar, educacional, social, …).  Por vezes estes comportamentos podem observar-se apenas em casa ou com membros da família, e neste caso a perturbação é considerada de menor gravidade do que se os comportamentos se apresentarem de forma global, ou seja, nos vários contextos de vida da criança. Continue a ler “Perturbação Desafiante de Oposição (PDO)”

As crianças e os meios electrónicos de comunicação

Dispositivos eletrònicosA presença dos meios electrónicos de comunicação na vida das nossas crianças é hoje em dia uma inevitabilidade. A televisão, o tablet, o computador e o telemóvel, são presenças assíduas na vida dos nossos filhos desde cedo. Estes dispositivos são frequentemente diabolizados, mas podem ter uma utilização útil e favorável se disponibilizados de forma equilibrada, como tudo na vida. Tornar-mo-nos reféns deles ou pior ainda, tornar as crianças dependentes desses meios é que me parece perigoso e desadequado e com efeitos prejudiciais, quer a curto, quer a longo prazo.

O que me parece preocupante é o facto de as crianças, a partir dos 2 anos, passarem cada vez mais tempo a ver televisão, a jogar e a interagir com a máquina, por vezes em detrimento de outras actividades mais saudáveis, do ponto de vista físico e social. Muitos dos conteúdos aos quais as crianças têm acesso fácil são violentos e desadequados. Ora, se as crianças aprendem por imitação, não é difícil entender que a probabilidade de aprenderem comportamentos agressivos através desses conteúdos e de os reproduzir é elevada. Usar a violência quando acontece algo que os contraria, ser agressivo para ganhar a alguém e usar a força física para resolver um problema, não é com certeza o modelo que queremos para os nossos filhos. Continue a ler “As crianças e os meios electrónicos de comunicação”

Nunca mais serei a mãe dela…

Perturbação de Oposição e DesafioA Fernanda tem 49 anos, é tradutora, casada e tem uma filha de 11 anos com uma Perturbação de Oposição e Desafio, diagnosticada há cerca de 5 anos. A Fernanda revelou desde sempre grande dificuldade em lidar com os comportamentos da filha. Actualmente procurou ajuda psicológica, entre outros motivos, por sentir que já não consegue suportar mais a sua vivência com a filha e por temer os desafios da adolescência, que se vai aproximando. A pedido da criança, a Fernanda está prestes a tomar a decisão de a deixar ir viver com os avós maternos, a 200 km da residência da família. Estes estão dispostos a tomar conta da neta no sentido de ajudarem a filha e por temerem o seu desequilíbrio emocional.

O marido da Fernanda é engenheiro civil e trabalha há cerca de 5 anos em Angola. Visita a família duas vezes por ano e tem para com a filha um estilo parental totalmente permissivo, o que vai contra todas as tentativas da Fernanda para disciplinar a filha, causando grandes conflitos entre o casal.

Na última sessão com a psicóloga, a Fernanda verbaliza: “Estou desesperada, a minha filha odeia-me e eu sinto que não vou conseguir aguentar a nossa relação por muito mais tempo. Amo a minha filha mas não consigo estar com ela mais de 5 minutos sem que deseje que ela desapareça. Estou aflita e não sei o que fazer, se a deixo ir para casa dos meus pais, nunca mais serei a mãe dela. Se fica comigo, acho que a qualquer momento ela vai deixar de ter mãe…