Sobredotados

sobredotaçãoJá todos ouvimos falar em sobredotados, no entanto, será que sabemos exactamente o que é isso de ser sobredotado? A definição da ideia pode não ser tarefa fácil, pois o primeiro conceito que frequentemente ocorre é o de Q.I. (quociente de inteligência),  porém, esse factor parece não ser suficiente para determinar se um indivíduo é sobredotado.

O sobredotado é alguém cujos atributos psicológicos lhe permitem ir para além do que é tipicamente esperado, comparativamente a outros sujeitos com características comuns, como por exemplo a faixa etária. O conceito de sobredotação tem vindo a evoluir ao longo dos tempos e vários autores se têm debruçado sobre esta temática propondo diferentes modelos explicativos. Renzulli (1986), por exemplo, propõe o Modelo dos Três Anéis, que considera que a sobredotação deve ser identificada a partir de três domínios: a capacidade intelectual, a criatividade e a motivação. É da interacção destes três componentes que se pode definir a sobredotação, sendo que cada um deles por si só não será suficiente para a determinar.

sobredotação

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Adolescência – uma Perspectiva Psicodinâmica

AdolescênciaA adolescência corresponde a uma fase do desenvolvimento que começa com a entrada na puberdade, tendo por isso um início biológico marcado por transformações às quais o jovem tem que se adaptar. O final da adolescência poderá ser determinado pela independência do jovem em relação aos pais, logo tem um carácter psico-social e uma idade indeterminada, no entanto podemos estabelecer como final da adolescência os vinte e poucos anos.

 Em termos psicológicos a tarefa básica do adolescente é a aquisição do sentimento de identidade. Descobrir e experimentar coisas novas, assim como ensaiar vários papéis característicos do adulto, são tarefas típicas deste período. Para isso é fundamental que o contexto relacional do adolescente lhe forneça a segurança e o apoio necessário à experimentação e à sua estruturação enquanto individuo. É uma fase de paradoxos uma vez que há uma inconstância de sentimentos e emoções que levam o jovem a oscilar entre o desejo de estar só e a vontade de sentir atenção e companhia, “Entre o medo e o desejo de crescer” (M. Fleming, 2005). Continue a ler “Adolescência – uma Perspectiva Psicodinâmica”

Aquisição da moralidade segundo Piaget

Moral, regras

Um dos objectivos da socialização é inculcar valores morais que são respeitados não apenas para evitar a punição mas também porque a pessoa acredita que eles são correctos (Gleitman, H., Fridlund, A. J. e Reisberg, D., 2011).

Segundo Piaget, o desenvolvimento moral das crianças, desde o nascimento até por volta dos 12 anos de idade, passa por duas orientações: heteronomia e autonomia. Numa primeira fase, as crianças encontram-se em moralidade heterónoma, ou seja, todas as regras são impostas pelo adulto, exteriores a si e não podem ser contestadas. Um comportamento é visto como completamente certo ou completamente errado, não havendo lugar para ver o ponto de vista do outro. Numa segunda fase, as crianças evoluem para uma moralidade autónoma, onde aceitam que as regras podem ser alteradas por elas próprias ou pelos outros, julgam os actos pela sua intenção e não apenas pela consequência dos mesmos e têm a capacidade de se colocar no lugar do outro, considerando mais do que um ponto de vista. Continue a ler “Aquisição da moralidade segundo Piaget”

O desenvolvimento da criança e o desenho

O desenvolvimento da criança e o desenhoA premissa de que a criança desenha menos o que vê e mais o que sabe de um objecto é comum a diferentes correntes teóricas sobre o desenvolvimento do desenho. O desenho, entre o jogo simbólico e a imagem mental, subordina-se às leis da conceituação e da percepção (Piaget, 1973).

O desenho é uma das formas através das quais a função de construção e designação de significado se expressa. Desenvolve-se ao mesmo tempo que outras habilidades, entre as quais a linguagem verbal e a marcha, sendo também um período em que a criança adquire muita autonomia. A evolução do desenho tal como o processo de desenvolvimento, passa por etapas que caracterizam a maneira da criança interpretar mundo que a rodeia. Continue a ler “O desenvolvimento da criança e o desenho”

Envelhecimento e família

Envelhecer com a famíliaActualmente envelhecemos integrados em famílias quantitativa e qualitativamente diferentes das famílias dos nossos antepassados, em termos de papeis, relações e responsabilidades.

A fragilidade estrutural das famílias actuais devido, por exemplo,  ao aumento das taxas de divórcio e segundos casamentos, leva a uma complexificação das relações entre gerações. Verifica-se uma maior dependência no comprometimento voluntário do envolvimento da família e uma maior dicotomia entre o compromisso de ter que tomar conta dos mais velhos e o viver a sua própria vida. Continue a ler “Envelhecimento e família”

Psicologia Clínica da Saúde e da Doença

Psicologia da SaúdeA Psicologia é a ciência que estuda os processos mentais e o comportamento humano com o objectivo de os compreender, organizar, classificar, antecipar e modificar. A Psicologia da Saúde é a área disciplinar da Psicologia que diz respeito ao comportamento humano no contexto da saúde e da doença” (Weinman, 1990).

É o conjunto das contribuições educacionais científicas e profissionais da Psicologia para a promoção e manutenção da saúde, a prevenção e tratamento da doença, a identificação da etiologia e o diagnóstico das doenças e disfunções associadas e a análise e melhoria do sistema de saúde e das políticas de saúde” (APA Meeting 1980; Matarazzo 19982). A APA (American Psychological Association) enfatiza o papel do Psicólogo como profissional de saúde e não apenas como profissional da saúde mental. A intervenção oferecida pelos Psicólogos da saúde deve ser de cuidados inclusivos, isto é, ao longo do tempo, coordenados com os outros elementos da equipa de saúde e com recurso a outros especialistas sempre que necessário. Na sua prática interventiva, o Psicólogo da saúde deve reconhecer o papel dos sistemas (família, escola, comunidade, serviços de saúde) e dos factores contextuais, na saúde e na doença, e as suas funções são definidas num contínuo de promoção, prevenção, educação, consultoria e tratamento. Continue a ler “Psicologia Clínica da Saúde e da Doença”

Esquizofrenia

EsquizofreniaA esquizofrenia é uma doença cerebral crónica e grave que se caracteriza pela perda de contacto com a realidade. É um quadro complexo que envolve sintomas muito típicos, em que o indivíduo, durante grande parte do tempo e num período mínimo de seis meses,  passa a funcionar num nível bastante abaixo ao seu funcionamento anterior.

O doente esquizofrénico pode apresentar vários tipos de sintomas, como alucinações (ver, ouvir, sentir, cheirar coisas que os outros não conseguem percepcionar), delírios (crenças falsas, resistentes ao confronto lógico e racional), discurso desorganizado ou empobrecido, embotamento afectivo (face inexpressiva, fala monocórdica e monótona), perda da capacidade de iniciar e manter actividades planeadas, perda de prazer no dia a dia, isolamento social, entre outros. Continue a ler “Esquizofrenia”

Psicologia da Arte – Desenho

Arte e DesenhoSegundo Vygotsky, “a arte só poderá ser objecto de estudo científico quando for considerada como uma das funções vitais da sociedade em relação permanente com todos os outros campos da vida social e no seu condicionamento histórico completo”.

Assim a aplicação da psicologia dos sentidos dá o seu contributo para o entendimento da arte, mas não apresenta a consistência necessária para o entendimento de uma Psicologia da Arte materialista, por não considerar os sentidos, além de “reacções biológicas, como uma elaboração socialmente construída” ( Vygotsky, 1999). A arte transpõe o mundo dos sentidos com a intenção de ir mais além e alcançar a percepção na sua forma mais criativa. Continue a ler “Psicologia da Arte – Desenho”

Psicologia da Arte – Banda Desenhada

superherois.jpgOs heróis de Banda Desenhada não envelhecem, permanecem iguais a si mesmos ao longo de um interminável número de aventuras (Tinoco, R., 2013). Embora algumas colecções de Banda Desenhada sejam “infindáveis” e já muito antigas é facto que tanto o herói protagonista como os seus personagens não acusam a passagem do tempo.

A força fantástica dos super heróis, os seus poderes sobrenaturais e a sua excelente forma física mantêm-se inalteráveis ao longo de décadas. Ao atingir uma idade um pouco mais avançada, o indivíduo adquire também uma noção de finitude que pode ser de certa forma “mascarada” com recurso aos livros da sua infância/imaginário infantil e à confrontação com heróis que continuam jovens e robustos e que apesar das inúmeras aventuras, lutas e peripécias se mantêm com as suas capacidades e habilidades intactas.

A banda desenhada e os aspectos emocionais, motivacionais, cognitivos e comportamentais do apreciador e do artista

Emoção

Será que podemos dizer que reler Banda Desenhada dos seus heróis de infância, reflecte uma necessidade do indivíduo voltar atrás no tempo, recuperar alguma ingenuidade infantil de forma a reencontrar em si a sensação de que o tempo não passou? Um dos aspectos que interage directamente com a apreciação de uma obra de Banda Desenhada é sem dúvida a emoção, quer seja ela causada pelo texto, pelos desenhos, cor, movimento, ou apenas pelo facto de nos poder remeter a esse mundo já vivido e sem retorno real. Continue a ler “Psicologia da Arte – Banda Desenhada”

Terapia Cognitivo-Comportamental. O que é?

Terapia Cognitiva e ComportamentalA Terapia Cognitivo-Comportamental é uma abordagem específica, breve e focada no problema actual do cliente. Explica que o que nos afecta não são os acontecimentos em si mas sim a forma como os interpretamos é que vai influenciar, senão determinar, o modo como nos vamos sentir e comportar.

As terapias cognitivo-comportamentais têm por base vários modelos. O modelo de aprendizagem de competências, foca-se no desenvolvimento de reportórios adaptativos e competências específicas de autonomia, comunicação e relação interpessoal, bem como de autocontrolo e autorregulação emocional. O modelo de resolução de problemas ensina métodos para examinar os problemas e encontrar a melhor solução. Pensar alternativas, antecipar consequências, chegar a compromissos, ensaiar soluções, etc. Também o modelo de estruturação cognitiva tem o seu papel relevante na medida em que promove um funcionamento adaptativo, tanto comportamental como emocional, alterando os processos cognitivos disfuncionais. Permite identificar pensamentos, analisar a interligação de variáveis, analisar distorções da realidade e procurar interpretações mais realistas. Continue a ler “Terapia Cognitivo-Comportamental. O que é?”