Crianças e castigos corporais

Disciplinar e ensinar
A violência pode estar presente nas vidas das crianças de três formas distintas: os atos de violência a que assistem, os atos de violência de que podem ser vítimas e os atos de violência que elas próprias perpetram.

Uma das principais formas de violência presente nas vidas de algumas crianças são os castigos corporais. Os castigos corporais referem-se ao uso da força física por parte, habitualmente de adultos, com a intenção de corrigir ou controlar um comportamento desadequado, causando dor à criança. São exemplos de castigos corporais as palmadas, empurrões, beliscões, puxões de cabelo ou de orelhas, assim como o uso de produtos agressivos como por exemplo pimenta na língua, entre outros. Estes castigos corporais que não são menos que atos de violência utilizados contra as crianças, são muitas vezes justificados pela necessidade de disciplinar. Disciplinar é ensinar, e ao tentar disciplinar-se uma criança por meio de castigos corporais vai levar a que ela aprenda a resolver os seus problemas com base na violência. A criança agredida aprende a agredir como forma de lidar com os seus problemas e dificuldades, correndo o risco de ela própria se tornar agressora. Continue a ler “Crianças e castigos corporais”

O meu filho tem uma perturbação do comportamento, e agora?

Oposição e desafioCrianças com Perturbação Desafiante de Oposição (PDO) ou crianças com Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção (PHDA) apresentam frequentemente comportamentos disfuncionais e difíceis de controlar.

Estas crianças apresentam dificuldades ao nível do controlo dos impulsos e são crianças que frequentemente se exaltam, discutem com adultos, desobedecem ou têm dificuldade em seguir e respeitar regras. Por vezes incomodam deliberadamente os outros e culpam muitas vezes outras pessoas pelos seus comportamentos, chegando mesmo a assumir atitudes vingativas ou rancorosas. As crianças que revelam este tipo de comportamentos têm um impacto negativo nas pessoas que as rodeiam (família, amigos, professores, pares) o que habitualmente gera nessas pessoas, atitudes e comportamentos igualmente negativos, provocando deste modo um círculo vicioso de discussões e agressões. Continue a ler “O meu filho tem uma perturbação do comportamento, e agora?”

Comunicar: falar e não só…

LinguagemNos seres humanos, a capacidade de comunicar através da fala é inata, sendo aperfeiçoada e utilizada ao longo do seu desenvolvimento.

A comunicação verbal pode revestir-se de diversas formas e alternativas de utilização. Podemos falar diferentes idiomas, o mesmo idioma com variantes de pronuncia, tons de voz diferentes, diferentes ritmos, enfim, dispomos de uma diversidade de modos de falar que normalmente adequamos a cada situação. O modo como cada um de nós comunica através da linguagem pode ser muito revelador da nossa personalidade, estado emocional, identidade pessoal e social, enfim, sobre aquilo que somos. Ao comunicarmos pela fala, podemos diversificar no vocabulário que usamos e podemos utilizar as palavras de diferentes formas. O discurso e as frases que formulamos podem ter diferentes intenções: perguntar, pedir, informar, declarar, etc. O sucesso da comunicação verbal depende muito da forma com que se transmite a mensagem. Existindo vários estilos de comunicação, entende-se como mais eficaz o estilo de comunicação assertiva, em que a mensagem é transmitida de forma clara, firme e directa, respeitando obviamente a posição, o ponto de vista e o entendimento do seu interlocutor. Continue a ler “Comunicar: falar e não só…”

Para que servem os Psicólogos?

Para que serve o psicólogo?

Se por vezes alguns adultos revelam dúvidas sobre o que faz um Psicólogo, as crianças poderão ter maior dificuldade em perceber qual a função destes profissionais. Quem são, para que servem e o que fazem é aquilo que me proponho esclarecer neste texto dedicado aos mais pequenos, para que possam saber o que contar se precisarem de recorrer à ajuda psicológica.

É relativamente frequente, em consulta, à pergunta “Sabes o que faz um psicólogo?”, algumas crianças ainda responderem algo do tipo “Tratam os malucos” ou “ajudam as pessoas que não são boas da cabeça”. Estes estereótipos são para eliminar de uma vez por todas. Primeiro porque não há malucos mas sim pessoas com perturbações mentais ou défices nas suas diversas capacidades, e depois, porque qualquer pessoa dita “normal” poderá beneficiar do apoio de um Psicólogo, em algum momento da sua vida. Continue a ler “Para que servem os Psicólogos?”

O poder do abraço

O poder do abraçoO toque físico pode ser tão agradável como necessário. Várias são as teorias que defendem que a estimulação pelo toque favorece o bem-estar físico e emocional dos indivíduos. O toque terapêutico, como por exemplo a massagem, constitui-se como uma ferramenta eficaz no alívio e tratamento de determinados sintomas físicos de doença. O abraço é uma forma especial de toque que pode contribuir para o aumento do bem-estar físico e emocional.

Algumas  pessoas não gostam de abraços e sentem-se desconfortáveis com o contacto físico. Qualquer tentativa de conforto pelo toque será desagradável e indesejada, criando uma barreira intransponível entre si e o outro. Abraçar e ser abraçado implica uma troca de afectos e disponibilidade para dar e receber, e quando essa disponibilidade não existe, quando o contacto físico é indesejado, forçar terá sempre um efeito nocivo. Há que saber ler os sinais transmitidos pelo outro e perceber se efectivamente o abraço pode ser ou não bem-vindo. Continue a ler “O poder do abraço”

Crianças: Prevenção da dependência da Internet

Jogos onlinePor mais voltas que se dê, nos dias de hoje a Internet está presente em todos os contextos das nossas vidas, para o bem e para o mal. Se uns de nós temos mais facilidade em controlar a sua utilização e fazê-lo de forma adequada, outros terão tendência a deixar-se levar mais facilmente pela panóplia de temas e actividades a que ela nos dá acesso.

Se muitos adultos sabem dar bom uso à Internet e ao que ela lhes permite, as crianças e os adolescentes têm tendencialmente mais dificuldade em controlar o tempo despendido em actividades online, bem como a seleccionar os conteúdos a que acedem. Se tem filhos ou crianças pequenas a seu cargo, deixo algumas recomendações que poderão ser muito úteis e que se levadas a sério e de forma consistente podem prevenir o flagelo da dependência da Internet, que actualmente tanto preocupa pais, educadores e outros profissionais que lidam diariamente com essa problemática. Continue a ler “Crianças: Prevenção da dependência da Internet”

Dependência da Internet

InternetNos tempos que correm, a Internet e tudo o que ela nos possibilita e facilita são de grande importância no nosso dia-a-dia. À semelhança de outras modernices, ficámos reféns da sua utilização e ela faz parte das nossas vidas, de um modo mais ou menos permanente. Mas até que ponto a nossa utilização da Internet e dos meios de comunicação electrónicos é funcional ou desajustada? As questões que se seguem, orientam para uma primeira abordagem no rastreio e avaliação dos problemas relacionados com dependência da Internet.

Dependência da internetSente que a Internet e a sua utilização estão a ocupar demasiado espaço e tempo na sua cabeça e na sua vida? Pensa constantemente em actividades online que já realizou ou sente-se frequentemente ansioso pela sessão online seguinte? Sente que tem necessidade de utilizar a Internet por períodos de tempo cada vez maiores, para se sentir satisfeito? Já tentou reduzir, controlar ou até mesmo parar de utilizar a Internet, sem que tenha conseguido? Sente-se agitado, mal-humorado, triste, ou irritado quando tenta diminuir ou parar a utilização da Internet? Fica online por mais tempo do que aquele que pretendia inicialmente? Já pôs em risco uma relação pessoal, o emprego, ou o seu desempenho escolar/académico, por causa do modo como utiliza a Internet? Já mentiu a familiares, terapeutas ou outras pessoas para esconder o quanto utiliza a Internet? E pense bem, usa a Internet como um escape para os seus problemas ou como forma de aliviar sentimentos de impotência, culpa, ansiedade, tristeza, solidão ou outros? Continue a ler “Dependência da Internet”

O meu filho comporta-se tão mal…

Oposição e desafioAs crianças que apresentam comportamentos muito difíceis, cujos pais desesperam e vivem na angústia de não conseguirem lidar tranquilamente com os seus filhos, podem ter melhorias significativas se procurarem ajuda psicológica. Não é necessário que a criança tenha dificuldades ao nível de uma perturbação neuropsiquiátrica, para que possa ou deva ser alvo de intervenção psicológica.

O processo de desenvolvimento infantil é caracterizado por marcos ou etapas, nas quais determinados comportamentos são esperados, a partir de uma certa idade. Na maioria das vezes, o que hoje é uma comportamento complicado de uma criança, amanhã já não o será. O tempo faz com que tudo possa mudar. Aqui, tempo refere-se à mudança da criança de uma etapa do desenvolvimento para outra, em que adquire novas competências, que a vão ajudar a entender, colaborar e autorregular-se. Deste modo, o psicólogo que trabalha em contexto pediátrico deve assumir sempre uma posição desenvolvimentista. Continue a ler “O meu filho comporta-se tão mal…”

Perturbação de Pesadelos

PesadelosQuem é que nunca teve um pesadelo? E pesadelos recorrentes e perturbadores? Saiba que o Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM-5) classifica como Perturbação de Pesadelos a ocorrência repetida de sonhos prolongados, extremamente perturbadores e que são facilmente recordados após o despertar, envolvendo em geral esforços para evitar ameaças à sobrevivência, segurança ou integridade física.

Estes sonhos geralmente ocorrem na segunda metade do período principal do sono, sendo que ao despertar, o sujeito fica rapidamente orientado e alerta. Para que possa ser classificada como Perturbação de Pesadelos, esta deverá ainda ser causadora de um mal-estar clinicamente significativo ou disfunção numa das áreas do funcionamento individual (e. g. social, laboral, ocupacional) e os sintomas desta perturbação não poderão estar associados a efeitos causados pela utilização de algum medicamento ou pelo consumo de outro tipo de substâncias. Esta perturbação, à semelhança de muitas outras, pode estar associada a outras comorbilidades e pode ser classificada como ligeira, grave ou moderada no que diz respeito à gravidade e aguda, subaguda ou persistente, consoante a sua duração. Continue a ler “Perturbação de Pesadelos”

Anorexia nervosa

Perturbações alimentares

A Anorexia Nervosa é uma das perturbações do comportamento alimentar mais comuns. Trata-se de uma patologia psiquiátrica com três características essenciais: restrição persistente do consumo de energia (alimentos), medo intenso de ganhar peso ou comportamentos persistentes que interferem com o ganho de peso (vómito) e perturbação da percepção do seu próprio peso ou imagem corporal.

O Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM-5) insere-a nas perturbações da alimentação e da ingestão e define como critérios de diagnóstico, a restrição do consumo de energia relativamente às necessidades que conduz a um peso significativamente baixo para a idade, sexo, trajectória do desenvolvimento e saúde física; o medo de engordar e ganhar peso e os comportamentos persistentes que interferem com o ganho de peso, mesmo quando este já é significativamente baixo. Constitui-se ainda como critério de diagnóstico, a perturbação na própria apreciação do peso ou do aspecto e forma corporal, bem como a ausência do reconhecimento da gravidade do peso actual. Continue a ler “Anorexia nervosa”