Alunos desmotivados

Desmotivação escolar

Parecem ser cada vez mais frequentes as queixas dos pais em relação à desmotivação dos filhos para o estudo. Deparo-me muitas vezes na minha prática clínica com casos de adolescentes e até algumas crianças mais novas, que revelam grande desinteresse pela escola, ou seja, pelas aulas e pelas matérias.

Palavras como é uma seca, não tenho paciência, não preciso de saber aquilo para nada, etc., são ouvidas amiúde e causam grande preocupação a pais, professores e outros profissionais, como é o caso dos psicólogos. As causas deste desinteresse e falta de empenho de alguns jovens na vida escolar são multifactoriais e algumas delas difíceis de contornar mas os efeitos que esta desmotivação tem nos nossos miúdos é sem dúvida nefasto. Torna-se imperativo ajudar estes jovens, quer através de uma intervenção que promova o aumento da sua motivação e autoeficácia, quer no treino de estratégias de aprendizagem e monitorização das mesmas.

 Em contexto de intervenção/acompanhamento psicológico, após a avaliação psicológica do jovem, torna-se necessária a avaliação da sua disponibilidade para mudar, isto é, do seu envolvimento num plano de mudança. Estará a criança/adolescente disposta a deixar-se ajudar? Estará disposta a mudar algo em si, na sua forma de pensar e de se comportar no sentido de aumentar a sua motivação e melhorar o seu desempenho? Continue a ler “Alunos desmotivados”

Separação, divórcio e alienação parental

Divórcio separaçãoPerante a separação de um casal com filhos menores, torna-se fundamental a protecção das crianças, devendo estas tornar-se no principal alvo de preocupação dos pais, de modo a que não haja a tendência de as colocar contra um dos progenitores.

Com o crescente número de separações e divórcios, muitos deles litigiosos, os pais têm o dever de minimizar o sofrimento dos filhos uma vez que estes se vêem forçados a adaptar a uma nova realidade, muitas vezes precedida de acontecimentos traumáticos. A par de lidarem com os traumas, ansiedades e inseguranças que uma situação de separação dos pais pode gerar nas crianças, estas têm forçosamente que ser protegidas do flagelo da alienação parental, sob pena de virem a ter consequências muito graves ao nível do seu funcionamento emocional, saúde física, percurso relacional e desempenho escolar. Continue a ler “Separação, divórcio e alienação parental”

A vida, os filhos e o tempo

Tempo para os filhos

No decorrer da minha prática profissional enquanto psicóloga clínica em contexto pediátrico, venho cada vez mais a aperceber-me de que há pais que lutam com grandes dificuldades no exercício da sua parentalidade. Uma das questões que muito me preocupa é a questão do tempo ou da falta dele, muitas vezes referido pelos pais em consulta.

Os dias de hoje são sem dúvida de uma grande exigência para nós, comuns mortais, que acumulamos tarefas, funções e papéis, como se não houvesse amanhã. São as exigências académicas e a crescente competitividade nesse campo, por parte dos mais novos, com a necessidade de mostrarem um desempenho de excelência em todas as áreas, de serem os melhores, de ficarem à frente… Já para não falar das actividades extra-curriculares, encaixadas cuidadosamente entre os horários escolares e que fazem as nossas crianças andarem num verdadeiro carrossel de ocupações, mas isso será tema para outra reflexão. Continue a ler “A vida, os filhos e o tempo”

Psicologia Pediátrica

Psicólogo infantil

A infância é uma fase da vida em que tudo acontece a um ritmo alucinante. O desenvolvimento infantil é rápido e encerra em si uma série de tarefas de adaptação muito exigentes.

É uma etapa muito importante na vida e a forma como é vivida vai determinar o modo como a criança se vai autonomizar, construir a sua identidade e desenvolver a sua saúde física e emocional. Assim, a infância deverá ser feliz, tranquila, apoiada, cheia de boas experiências e muito amor. Porém, por vezes há problemas familiares, sociais ou até mesmo contextuais que impedem que a infância seja um período dourado da vida. Continue a ler “Psicologia Pediátrica”

Higiene do sono e qualidade do sono

Higiene do sonoOs comportamentos de higiene do sono são elementos do estilo de vida que influenciam de forma positiva ou negativa a qualidade do sono (LeBourgeois et al., 2005), ou seja, são essencialmente comportamentos que podem contribuir em benefício ou em prejuízo do sono.

Uma higiene de sono adequada inclui uma rotina na hora de deitar, dormir num ambiente confortável, sossegado e não poluído e a diminuição de comportamentos inibidores do sono, como é o caso do consumo de tabaco, cafeína e álcool antes de deitar. Faz ainda parte de uma boa higiene do sono, evitar envolver-se em actividades física, psicológica ou emocionalmente estimulantes, cerca de uma hora antes de deitar (Wolfson, 2002). Continue a ler “Higiene do sono e qualidade do sono”

Perturbações do sono mais frequentes na adolescência

Dificuldades de sonoOs problemas de sono na adolescência são um fenómeno frequente e nem sempre transitório. Tendem a diminuir apenas marginalmente com a idade podendo tornar-se crónicos e exigir intervenção médica e psicológica (Fricke-Oerkermann, Pluck, Schredl, Heinz, Mitschke, Wiater et al., 2007).

Estes problemas, quando persistentes, podem levar a situações de stresse e a um pobre desempenho escolar ou ocupacional. A restrição aguda do sono leva a um aumento de respostas de afecto negativo como raiva, tristeza ou medo, influenciando as relações interpessoais (O’Brien & Mindell, 2005). No entanto, as dificuldades de sono em crianças e adolescentes são um tema que tende a ser negligenciado quer em contexto escolar, quer em contexto de saúde. Rosen, Zozula, Jahn & Carson (2001) referem que apenas 3% da população pediátrica com perturbações de sono está a ser diagnosticada correctamente e a ser tratada ou acompanhada por um profissional de saúde. Continue a ler “Perturbações do sono mais frequentes na adolescência”

Parentalidade positiva

Educar filhosA parentalidade positiva descreve um conjunto de comportamentos dos pais que potenciam a capacidade da criança para amar, confiar, explorar o mundo e aprender.

O objectivo da parentalidade positiva é o de ajudar os pais a apoiarem o desenvolvimento saudável dos seus filhos em contexto de família. Os elementos-chave da parentalidade positiva, incluem a capacidade para: Continue a ler “Parentalidade positiva”

Perturbação do desenvolvimento intelectual

Perturbação do desenvolvimento intelectualA perturbação do desenvolvimento intelectual é uma condição complexa. O seu diagnóstico envolve a compreensão da acção combinada de quatro grupos de factores: etiológicos, comportamentais, sociais e educacionais.

Segundo a American Association on Mental Retardation (AAMR), a perturbação do desenvolvimento intelectual é caracterizada por limitações significativas no funcionamento intelectual e no comportamento adaptativo, revelado nas capacidades práticas, sociais e conceptuais da criança, que se manifestam durante o período do desenvolvimento (até aos 18 anos). Importa salientar que esta dificuldade não é representativa da criança em si mesma mas sim do estado do seu funcionamento. Continue a ler “Perturbação do desenvolvimento intelectual”

Sobredotados

sobredotaçãoJá todos ouvimos falar em sobredotados, no entanto, será que sabemos exactamente o que é isso de ser sobredotado? A definição da ideia pode não ser tarefa fácil, pois o primeiro conceito que frequentemente ocorre é o de Q.I. (quociente de inteligência),  porém, esse factor parece não ser suficiente para determinar se um indivíduo é sobredotado.

O sobredotado é alguém cujos atributos psicológicos lhe permitem ir para além do que é tipicamente esperado, comparativamente a outros sujeitos com características comuns, como por exemplo a faixa etária. O conceito de sobredotação tem vindo a evoluir ao longo dos tempos e vários autores se têm debruçado sobre esta temática propondo diferentes modelos explicativos. Renzulli (1986), por exemplo, propõe o Modelo dos Três Anéis, que considera que a sobredotação deve ser identificada a partir de três domínios: a capacidade intelectual, a criatividade e a motivação. É da interacção destes três componentes que se pode definir a sobredotação, sendo que cada um deles por si só não será suficiente para a determinar.

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Adolescência – uma Perspectiva Psicodinâmica

AdolescênciaA adolescência corresponde a uma fase do desenvolvimento que começa com a entrada na puberdade, tendo por isso um início biológico marcado por transformações às quais o jovem tem que se adaptar. O final da adolescência poderá ser determinado pela independência do jovem em relação aos pais, logo tem um carácter psico-social e uma idade indeterminada, no entanto podemos estabelecer como final da adolescência os vinte e poucos anos.

 Em termos psicológicos a tarefa básica do adolescente é a aquisição do sentimento de identidade. Descobrir e experimentar coisas novas, assim como ensaiar vários papéis característicos do adulto, são tarefas típicas deste período. Para isso é fundamental que o contexto relacional do adolescente lhe forneça a segurança e o apoio necessário à experimentação e à sua estruturação enquanto individuo. É uma fase de paradoxos uma vez que há uma inconstância de sentimentos e emoções que levam o jovem a oscilar entre o desejo de estar só e a vontade de sentir atenção e companhia, “Entre o medo e o desejo de crescer” (M. Fleming, 2005). Continue a ler “Adolescência – uma Perspectiva Psicodinâmica”