Preciso de mais atenção…

Pedaços da sessãoA Madalena tem 11 anos e está em acompanhamento por apresentar sintomatologia depressiva e decréscimo do rendimento escolar. Vive com os pais e um irmão de 16 anos. É uma menina muito afectuosa e rapidamente estabeleceu uma boa relação com a Psicóloga. A Madalena refere com frequência que gostaria que a família lhe desse mais atenção e que fizessem mais actividades em conjunto.

Certo dia, em sessão, a menina verbaliza: “O meu irmão nunca faz nada comigo nem sai com a família. Fica sempre em casa, no quarto dele, fechado a jogar, lá no mundo dele e eu não percebo porquê. O meu pai passa o tempo a ver televisão e nem sai comigo e com a mãe ao domingo. Não tem paciência e se lhe digo para irmos fazer um jogo, manda-me estar quieta e que o deixe ouvir a televisão. A mãe, depois de fazer as coisas todas lá de casa , joga no tablet”.

Durante todo o tempo em que fez estas verbalizações, a Madalena não conseguiu conter as lágrimas.

Perturbações do sono mais frequentes na adolescência

Dificuldades de sonoOs problemas de sono na adolescência são um fenómeno frequente e nem sempre transitório. Tendem a diminuir apenas marginalmente com a idade podendo tornar-se crónicos e exigir intervenção médica e psicológica (Fricke-Oerkermann, Pluck, Schredl, Heinz, Mitschke, Wiater et al., 2007).

Estes problemas, quando persistentes, podem levar a situações de stresse e a um pobre desempenho escolar ou ocupacional. A restrição aguda do sono leva a um aumento de respostas de afecto negativo como raiva, tristeza ou medo, influenciando as relações interpessoais (O’Brien & Mindell, 2005). No entanto, as dificuldades de sono em crianças e adolescentes são um tema que tende a ser negligenciado quer em contexto escolar, quer em contexto de saúde. Rosen, Zozula, Jahn & Carson (2001) referem que apenas 3% da população pediátrica com perturbações de sono está a ser diagnosticada correctamente e a ser tratada ou acompanhada por um profissional de saúde. Continue a ler “Perturbações do sono mais frequentes na adolescência” →

Já não aguento o meu filho!

PHDAO Ricardo tem 8 anos, um diagnóstico de Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção (PHDA) e dislexia. O Pedopsiquiatra aconselhou o acompanhamento psicológico que o menino iniciou há pouco tempo. Em sessão, para além dos treinos de atenção e concentração, o Ricardo e a mãe aprendem e treinam estratégias para lidarem com os comportamentos desadaptativos e com os sintomas de PHDA do menino. Numa das sessões conjuntas com a mãe, esta verbaliza: “Já não aguento o meu filho, ele não pára quieto um minuto. Eu já não me aguento a mim que sou igual a ele, os dois assim é demais, parece uma casa de loucos!”

Parentalidade positiva

Educar filhosA parentalidade positiva descreve um conjunto de comportamentos dos pais que potenciam a capacidade da criança para amar, confiar, explorar o mundo e aprender.

O objectivo da parentalidade positiva é o de ajudar os pais a apoiarem o desenvolvimento saudável dos seus filhos em contexto de família. Os elementos-chave da parentalidade positiva, incluem a capacidade para: Continue a ler “Parentalidade positiva” →

Perturbação do desenvolvimento intelectual

Perturbação do desenvolvimento intelectualA perturbação do desenvolvimento intelectual é uma condição complexa. O seu diagnóstico envolve a compreensão da acção combinada de quatro grupos de factores: etiológicos, comportamentais, sociais e educacionais.

Segundo a American Association on Mental Retardation (AAMR), a perturbação do desenvolvimento intelectual é caracterizada por limitações significativas no funcionamento intelectual e no comportamento adaptativo, revelado nas capacidades práticas, sociais e conceptuais da criança, que se manifestam durante o período do desenvolvimento (até aos 18 anos). Importa salientar que esta dificuldade não é representativa da criança em si mesma mas sim do estado do seu funcionamento. Continue a ler “Perturbação do desenvolvimento intelectual” →

Este peso que eu carrego

Obesidade adolescenteO Marcelo tem 15 anos e tem um problema grave de obesidade. Foi encaminhado para a Consulta de Psicologia para fazer a avaliação necessária para a decisão de vir a ser  ou não sujeito a uma intervenção cirúrgica bariátrica.

O jovem entra no gabinete com ar de enfado e começa por dizer: “Estou farto disto, o médico disse que me ia operar e agora manda-me para aqui como se eu estivesse maluco. Não sei o que estou aqui a fazer… diga-me lá se vou ser operado ou não, senão é para fazer a operação eu nunca mais cá venho”, diz com agressividade.

É-lhe então explicado o motivo da sua presença na consulta. O Marcelo fica em silêncio, prolonga-se o silêncio, não responde a 2 ou 3 perguntas que a Psicóloga lhe faz. De repente, levanta-se e diz: “Vou-me embora que não estou para isto. Falar consigo não me vai tirar este peso que eu carrego!”

Rói-se de ciúmes…

Adolescente em sessão

A Mafalda é uma menina de 18 anos que está em acompanhamento psicológico há poucas semanas. Procurou ajuda por iniciativa própria e iniciou acompanhamento por estar a viver um processo de luto complicado, pela perda do pai há cerca de oito meses. Além disso tem também uma relação difícil com a mãe.

Vai sempre sozinha às sessões, a mãe leva-a mas fica sempre no carro à sua espera. Um dia, quando a Psicóloga se dirige à sala de espera para a ir buscar, a mãe está com ela. A Psicóloga cumprimenta a mãe e convida-a a entrar. A mãe recusa, diz que não é necessário. A Psicóloga não insiste. Lá dentro, a Mafalda diz: “Ela tinha que vir, ela tinha que ver a cara da pessoa com quem eu falo e a quem conto tudo o que não lhe conto a ela. Rói-se de ciúmes…”

Sobredotados

sobredotaçãoJá todos ouvimos falar em sobredotados, no entanto, será que sabemos exactamente o que é isso de ser sobredotado? A definição da ideia pode não ser tarefa fácil, pois o primeiro conceito que frequentemente ocorre é o de Q.I. (quociente de inteligência),  porém, esse factor parece não ser suficiente para determinar se um indivíduo é sobredotado.

O sobredotado é alguém cujos atributos psicológicos lhe permitem ir para além do que é tipicamente esperado, comparativamente a outros sujeitos com características comuns, como por exemplo a faixa etária. O conceito de sobredotação tem vindo a evoluir ao longo dos tempos e vários autores se têm debruçado sobre esta temática propondo diferentes modelos explicativos. Renzulli (1986), por exemplo, propõe o Modelo dos Três Anéis, que considera que a sobredotação deve ser identificada a partir de três domínios: a capacidade intelectual, a criatividade e a motivação. É da interacção destes três componentes que se pode definir a sobredotação, sendo que cada um deles por si só não será suficiente para a determinar.

sobredotação

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Adolescência – uma Perspectiva Psicodinâmica

AdolescênciaA adolescência corresponde a uma fase do desenvolvimento que começa com a entrada na puberdade, tendo por isso um início biológico marcado por transformações às quais o jovem tem que se adaptar. O final da adolescência poderá ser determinado pela independência do jovem em relação aos pais, logo tem um carácter psico-social e uma idade indeterminada, no entanto podemos estabelecer como final da adolescência os vinte e poucos anos.

 Em termos psicológicos a tarefa básica do adolescente é a aquisição do sentimento de identidade. Descobrir e experimentar coisas novas, assim como ensaiar vários papéis característicos do adulto, são tarefas típicas deste período. Para isso é fundamental que o contexto relacional do adolescente lhe forneça a segurança e o apoio necessário à experimentação e à sua estruturação enquanto individuo. É uma fase de paradoxos uma vez que há uma inconstância de sentimentos e emoções que levam o jovem a oscilar entre o desejo de estar só e a vontade de sentir atenção e companhia, “Entre o medo e o desejo de crescer” (M. Fleming, 2005). Continue a ler “Adolescência – uma Perspectiva Psicodinâmica” →

Aquisição da moralidade segundo Piaget

Moral, regras

Um dos objectivos da socialização é inculcar valores morais que são respeitados não apenas para evitar a punição mas também porque a pessoa acredita que eles são correctos (Gleitman, H., Fridlund, A. J. e Reisberg, D., 2011).

Segundo Piaget, o desenvolvimento moral das crianças, desde o nascimento até por volta dos 12 anos de idade, passa por duas orientações: heteronomia e autonomia. Numa primeira fase, as crianças encontram-se em moralidade heterónoma, ou seja, todas as regras são impostas pelo adulto, exteriores a si e não podem ser contestadas. Um comportamento é visto como completamente certo ou completamente errado, não havendo lugar para ver o ponto de vista do outro. Numa segunda fase, as crianças evoluem para uma moralidade autónoma, onde aceitam que as regras podem ser alteradas por elas próprias ou pelos outros, julgam os actos pela sua intenção e não apenas pela consequência dos mesmos e têm a capacidade de se colocar no lugar do outro, considerando mais do que um ponto de vista. Continue a ler “Aquisição da moralidade segundo Piaget” →