A educação para a sexualidade é não só um direito mas também uma necessidade, tendo em vista a prevenção de comportamentos de risco, principalmente dos jovens.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) a Educação Sexual não só oferece aos jovens a informação correta e apropriada acerca das várias dimensões da vida sexual, como também os ajuda a desenvolver competências para que possam comportar-se de acordo com essa informação. A falta de informação acerca desta temática ou o acesso a informação errónea pode ter um impacto verdadeiramente negativo na vida dos jovens e das suas famílias, uma vez que os pode conduzir a tomadas de decisão e a escolhas pouco adequadas.
E falar de Educação Sexual é falar de educação para a saúde. A partir do final da década de 70 do século passado, as preocupações com a saúde acentuaram-se, em parte com o reconhecimento de algumas perturbações psicológicas relacionadas com o stresse e a ansiedade, decorrentes da mudança de ritmo imposta por uma sociedade cada vez mais global e modernizada. No entanto, o aparecimento da SIDA constituiu-se como um marco relevante em termos de saúde pública, tendo sido um forte contributo para que as preocupações com a aquisição de hábitos saudáveis relacionados com as práticas sexuais se intensificassem e que o conceito de saúde tivesse também ele sofrido uma alteração. Se até então, a saúde era descrita como um estado de conservação do bem-estar físico, emocional e social, a partir desse marco, o conceito de saúde adotado pela OMS passou a abarcar uma componente ativa do indivíduo, na promoção da sua própria saúde. Este tem uma participação efetiva com a finalidade de aumentar a sua capacidade para controlar a sua própria saúde, no sentido de a melhorar, através da prática de estilos de vida saudáveis, com grande foco na prevenção.
Em 1984 foi aprovada em Portugal a primeira lei que contemplava a Educação Sexual em contexto escolar, com a necessidade de reforçar as garantias do direito à saúde reprodutiva. Mais tarde, em 2000, a Escola foi reconhecida, como entidade competente para integrar estratégias de promoção e Educação para a Saúde que incluíam a Educação Sexual nos currículos dos ensinos básico e secundário, mas foi apenas em 2009 que se estabeleceu a sua aplicação nos estabelecimentos do ensino básico e do ensino secundário. A saúde dos jovens depende em parte do nível de informação sobre sexualidade, a que estes têm acesso. A falta de conhecimentos nesta área pode levar a situações de gravidez indesejada, ao aumento das interrupções voluntárias da gravidez, a infeções sexualmente transmissíveis ou ao abuso sexual, entre outros.
Estarão então os jovens portugueses, informados e com habilidades desenvolvidas para lidarem com a sua sexualidade forma adequada? Um estudo de 2002 sobre o papel da escola na educação sexual dos jovens portugueses, refere que estes globalmente revelaram poucos conhecimentos sobre a temática da educação sexual, tendo-se verificado que a escola desempenhou um papel pouco significativo, como agência de educação sexual dos jovens que constituíram a amostra do estudo. Em 2009, uma investigação direcionada para o objetivo geral de compreender o nível de educação sexual dos jovens portugueses escolarizados e o papel da escola e dos professores neste processo, revela que o papel da escola tem já alguma relevância na educação sexual dos jovens. No entanto, a escola está maioritariamente centrada numa abordagem de tipo biológico e preventivo, feita no contexto das Ciências Naturais. O mesmo estudo diz que embora a maioria dos jovens tenham revelado um conhecimento razoável acerca do tema, revelaram também défices de conhecimentos relativamente às questões práticas referentes aos métodos contracetivos e à informação sobre as infeções sexualmente transmissíveis (à exceção da SIDA). A maioria destes jovens afirmou ter tido comportamentos preventivos em matéria de gravidez não desejada e doenças sexualmente transmissíveis, pelo que parece que a lógica preventiva integra já a sua vivência sexual. A mesma investigação aponta para um reduzido recurso a profissionais e serviços de saúde, por parte dos jovens, em parte justificado pelo facto de nunca terem sentido essa necessidade mas também relacionado com falta de informação e dificuldades no acesso aos mesmos.
Em 2013, um estudo levado a cabo em escolas portuguesas com o objetivo de perceber a influencia dos conhecimentos, atitudes e comportamentos sexuais dos adolescentes no sentido da adoção de estilos de vida saudáveis, concluiu que a maioria dos adolescentes portugueses que iniciou a sua vida sexual tem comportamentos protetores. O mesmo estudo mostra que os adolescentes que referiram ter tido Educação Sexual têm mais conhecimentos face à SIDA e mais atitudes inclusivas face aos portadores desta síndrome. O estudo revela ainda que a Educação Sexual não teve qualquer efeito negativo nos conhecimentos, atitudes ou comportamentos dos adolescentes portugueses. Segundo uma investigação mais recente (2015) com o intuito de avaliar a implementação da Educação Sexual em contexto escolar, confirma o aumento e a consolidação dos conhecimentos dos adolescentes como objetivos privilegiados numa vertente de prevenção. Porém, o mesmo estudo refere alguma falta de formação, de experiência e de à-vontade dos docentes nesta área como limitações no processo de implementação da Educação Sexual.
A escola, sendo o contexto ideal para a promoção dos direitos fundamentais dos indivíduos, pode constituir-se como um espaço privilegiado de aprendizagens, de desenvolvimento de competências sociais e relacionais ao mesmo tempo que pode permitir o aumento da consciência individual dos riscos para a saúde, associados a comportamentos relacionados com a sexualidade. A formação dos professores na área da sexualidade é uma necessidade, para a eficácia das intervenções em contexto escolar. Intervenções bem planeadas, com base numa prévia avaliação das necessidades e atividades dinâmicas e integrativas, irão certamente potenciar uma maior adesão por parte dos jovens, assim como uma melhor aquisição e consolidação de conhecimentos, tendo em vista a sua saúde e as suas experiências nos campos relacional e sexual. Uma atitude positiva face à sexualidade, passa pela informação e pelo conhecimento no sentido de favorecer atitudes e comportamentos responsáveis no que diz respeito à vivência tranquila e satisfatória da vida sexual dos jovens, como expressão de relações e de afetos.

Fontes:
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http://hdl.handle.net/10400.5/5862
http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0871 91872015000200008&lng=pt&tlng=pt.
https://www.if.ufrgs.br/cref/ojs/index.php/ienci/article/download/567/359

As separações e os divórcios são uma realidade muito frequente nos dias de hoje. Quando os casais que se separam têm filhos ainda pequenos, muitas vezes têm comportamentos em relação às crianças, que nem sempre são as mais adequadas e adaptativas. Algumas vezes fazem-no intencionalmente para magoar o ex-companheiro/a mas muitas vezes é apenas porque não sabem fazer melhor.
Assim, encha-se de paciência, de tolerância e não ceda a birras ou exigências. Não deixe que a separação seja um motivo para que o seu filho a/o manipule. As regras e o seu cumprimento são de grande importância para o seu filho, no presente e mais ainda no futuro. Não fique demasiado preocupada/o se o seu filho revelar reações de hostilidade, com frequência mais dirigidas ao progenitor com quem ficou a viver mais tempo. Ele poderá culpa-la/o de ser responsável pela separação e isso pode ser “normal” numa primeira fase. Dê ao seu filho tempo para aceitar a mudança. Se for possível, dedique alguns minutos por dia a conversar com o seu filho sobre o que se está a passar. Fale com ele sobre o que o preocupa ou assusta. Prepare-se para o aparecimento de alguns comportamentos regressivos (ex. falar “à bebé”, voltar a fazer xixi na cama, mau comportamento na escola, isolamento…). Se estes comportamentos persistirem, peça ajuda profissional.
Guarda partilhada? É fundamental que os pais pensem muito bem se este é o regime que beneficia a criança. Será benéfico para a sua criança mudar de casa todas as semanas? Como fazer em relação aos brinquedos, roupas, livros e à escola? Conseguem criar dois ambientes (casa da mãe e casa do pai) idênticos no que diz respeito a regras e rotinas? A guarda partilhada é uma solução cada vez mais com expressão em novos casos de divórcio, no entanto, a permanência numa casa fixa, com visitas semanais, quinzenais ou outras a combinar com o outro progenitor, poderá promover uma maior estabilidade emocional à criança. Pensem bem antes de decidir. Ponham sempre à frente o superior interesse da criança e nunca caia no erro de a utilizar para atingir o outro. Nunca se esqueça que os momentos que passa junto dos seus filhos devem ser de qualidade, muito mais do que em quantidade.
Na escola, é essencial que a professora/educadora seja avisada das alterações que sofreu a vida familiar da criança. A sua colaboração nesta fase será de grande importância, principalmente no que se refere à capacidade de empatia e de a saber ouvir. Os professores devem ter em conta que o divórcio pode prejudicar o rendimento escolar da criança, além de poder estar associado à agressividade e a problemas relacionados com a concentração e a atenção. Peça-lhe para lhe comunicarem caso a criança altere significativamente os seus comportamentos após a separação dos pais. Se os comportamentos se tornarem desadequados e preocupantes, a ajuda da professora pode ser muito útil na avaliação da criança e na definição de estratégias de apoio.
Está muito zangada/o ou magoada/o com o seu ex-companheiro/a? Pois é, por vezes e principalmente numa fase inicial, pode ser muito difícil o relacionamento entre os elementos de ex-casais. Evite ao máximo discutir com o pai/mãe da sua criança na sua presença. Seja antes, durante ou após o processo de separação, trocar argumentos e acusações na presença das crianças aumenta a sensação de conflito, gera confusão, sentimentos de culpa e de revolta nos mais pequenos. Procure que o processo de divórcio não seja demasiado prolongado. A separação pode causar muito sofrimento a uma criança mas ela certamente saberá ultrapassá-la, depois de um processo normal de luto, de duração variável, caso a caso.
Nunca culpe a sua criança. É fundamental que a criança compreenda que os pais se separam porque já não se amam e porque já não querem viver juntos e não porque ela fez algo de errado. É fundamental que continue a transmitir ao seu filho o quanto o ama. Embora seja uma excelente companhia e ofereça um grande conforto, o seu filho não é o seu melhor amigo. Não confunda os papéis. Pai e mãe são isso mesmo, pai e mãe. Tornar-se uma espécie de melhor amigo da criança pode levar a graves problemas de autoridade no futuro. Por outro lado, evite transformar o pai/mãe numa figura ausente. Na infância, sentir que o pai/mãe é uma figura presente, mesmo não vivendo diariamente com a criança, sentir a sua proteção, vê-lo como modelo e referencia, e como alguém que estabelece regras e exerce a autoridade quando é necessário, é fundamental para que a criança cresça com estabilidade emocional e equilíbrio psicológico.
Quando as crianças ficam à guarda da mãe, o pai não deve delegar nestas, todas as funções associadas à educação da criança. Por outro lado, a mãe também não deve utilizar em seu benefício, o facto de lhe ser concedida a guarda da criança, optando muitas vezes por afastar o pai, manipulando informações em seu benefício e transformando-o num ser temido e ausente aos olhos do filho. A alienação parental é uma realidade muito preocupante e as grande vítimas deste flagelo são sem dúvida as crianças. Se a sua relação com o seu ex-companheiro/a é muito difícil, pode sempre recorrer à mediação familiar. Há psicólogos especializados nessa área, que podem dar um contributo muito importante para o bem-estar de todos os envolvidos num processo de separação.
A adolescência é uma fase do desenvolvimento humano marcada pela mudança, vulnerabilidade, ambivalência e por vezes incompreensão, angústia e rebeldia. Crescer é difícil e nesta fase os jovens têm por vezes dificuldades de expressão emocional, de estabelecerem relacionamentos positivos e de lidarem com algumas questões próprias desta etapa da vida, que marca a transição entre a infância e a idade adulta.
É relativamente frequente, os pais destes jovens não terem conhecimento do que se está a passar com os seus filhos. Alguma dificuldade na comunicação, que caracteriza a relação pais-filhos adolescentes, pode explicar este desconhecimento. Mesmo quando estão a par desta realidade, alguns pais têm dificuldade em nomear e lidar com os comportamentos auto lesivos dos filhos, ou porque lhes provocam um bloqueio emocional ou como mecanismo de defesa, acabam por desvalorizar ou ignorar. Há muitas vezes um desencontro entre as narrativas dos adolescentes em relação aos comportamentos de auto lesão e as dos seus pais, o que por um lado traduz um choque por terem tomado conhecimento do problema mas por outro lado, porque o procuram esconder.
A prevenção é a palavra-chave. Alertar a comunidade escolar para este tipo de problemas e desenvolver programas de prevenção bem estruturados, pode ser um bom princípio. Estes programas deverão contemplar variáveis como a detecção precoce e tratamento dos problemas mentais, assim como a redução do estigma a eles associado. A restrição do acesso a armas ou medicamentos e o controlo do consumo de bebidas alcoólicas é certamente um caminho para prevenção. É também necessária a formação dos profissionais dos meios de comunicação para os perigos do efeito de contágio. A criação de linhas telefónicas de apoio, maior acessibilidade aos serviços de saúde e a formação dos pares para a identificação dos sinais de alerta, têm também o seu papel na prevenção destas práticas auto destrutivas.
Para além disso, a promoção e a manutenção de relações próximas saudáveis pode aumentar a resiliência individual e actuar como um factor de protecção. Jovens pertencentes a famílias com elevado grau de coesão, com capacidade de envolvimento mútuo, interesses comuns e suporte emocional têm menor risco de vir a adoptar este tipo de comportamentos auto destrutivos. Escolhas saudáveis de estilo de vida que promovam o bem-estar físico e mental (exercício físico regular, hábitos de higiene de sono, alimentação adequada, não utilização de álcool e drogas). A par destes hábitos saudáveis, a manutenção de relacionamentos saudáveis, a integração social, e uma gestão eficaz do stress, são também factores protectores para comportamentos auto lesivos. O sentimento de pertença a uma família, a uma escola, a um grupo, a uma instituição ou a uma comunidade, pode também proteger os adolescentes desta problemática.
Em casos extremos, em que os comportamentos auto lesivos entram numa escalada que pode levar a tentativas de suicídio, pode ser necessário o internamento do jovem em contexto hospitalar. Pode ser necessária a intervenção psiquiátrica com prescrição de fármacos no sentido de estabilizar o jovem. Posteriormente, após uma avaliação cuidada, a intervenção psicológica individual, familiar ou uma abordagem mista, poderá ser o indicado. A maioria dos comportamentos auto lesivos acontecem em casa e muitas vezes estão relacionados com acontecimentos do meio intrafamiliar. Assim, o envolvimento familiar é essencial, no sentido de falarem sobre o problema, de o compreenderem e de saírem eventualmente da negação ou de ultrapassarem o choque inicial da tomada de conhecimento. A saúde mental deve ser uma prioridade e os adolescentes não são excepção. Muitos dos problemas emocionais e psicológicos têm inicio nesta fase da vida. As perturbações de ansiedade e depressão, por exemplo, são bastante prevalentes nesta faixa etária.
O não tratamento destas patologias pode levar tanto à sua cronicidade, como a evoluir para outras situações que podem levar a desfechos trágicos. Sabe-se hoje que os comportamentos auto lesivos são um forte preditor para as tentativas de suicídio. É fundamental que os pais e cuidadores se mantenham atentos aos comportamentos dos seus jovens e que estabeleçam e mantenham com eles, relações de afecto e proximidade. Ensinar aos jovens estratégias de resolução de problemas, de comunicação assertiva e facilitar-lhes a expressão emocional, assim como desmistificar crenças erróneas e fantasias, por vezes tão frequentes nesta idade, pode fazer a diferença entre a vida, e a morte.
O processo de envelhecimento e a heterogeneidade da velhice constituem-se como um dos temas mais desafiadores da Psicologia enquanto ciência do comportamento e dos fenómenos mentais, particularmente após a segunda metade do século XX, principalmente devido ao envelhecimento da população no mundo ocidental.
Quando a criança sofre de uma condição fisiológica, principalmente se se tratar de uma doença crónica, como por exemplo a diabetes, a intervenção psicológica pode ser uma mais-valia, quer na aceitação do diagnóstico, quer na adaptação à doença e no desenvolvimento de estratégias para lidar com a mesma. Do mesmo modo, a intervenção psicológica pode promover a prevenção de doenças, como por exemplo a obesidade, educando para a saúde, no sentido de promover um desenvolvimento saudável da criança.
A adolescência é uma construção cultural do século XIX. Antigamente as crianças eram vistas e tratadas como adultos em miniatura, não lhes sendo dada a atenção a que hoje em dia estão sujeitos. A vida era dividida em etapas que correspondiam a actividades e funções, não havendo uma diferenciação entre a infância e a adolescência.
A Perturbação de Oposição e Desafio (POD) é uma patologia com elevada prevalência em idade pediátrica e que tem consequências potencialmente comprometedoras para a criança/adolescente e para a sociedade. Caracteriza-se basicamente por um padrão recorrente e persistente de comportamentos negativos, desafiantes, desobedientes, vingativos e hostis, que se revelam particularmente perante as figuras de autoridade.
O toque físico pode ser tão agradável como necessário. Várias são as teorias que defendem que a estimulação pelo toque favorece o bem-estar físico e emocional dos indivíduos. O toque terapêutico, como por exemplo a massagem, constitui-se como uma ferramenta eficaz no alívio e tratamento de determinados sintomas físicos de doença. O abraço é uma forma especial de toque que pode contribuir para o aumento do bem-estar físico e emocional.