Um abraço que incomoda

Desconforto AssertividadeAlguns de nós já nos deparámos ao longo das nossas vidas com pessoas que precisam de muita atenção. De uma atenção desmedida e às vezes despropositada. Alguém que se cola a nós, por vezes apenas porque calha, outras vezes porque lhe inspiramos confiança, segurança ou até mesmo porque lhe fazemos lembrar alguém de muito significativo, que por uma ou outra razão, não está presente.

De um modo geral, vivemos a nossa vida afectiva com pessoas que nos são próximas, quer seja porque nos unem laços de sangue, ou porque as escolhemos como amigas ou companheiras. O estranho é quando alguém que mal conhecemos nos acha graça e se aproxima de nós de uma forma que se torna incomodativa, sem que nos tenha visto mais do que apenas uma ou duas vezes e sem que lhe tenhamos dado espaço para o fazer. Continue a ler “Um abraço que incomoda”

Memória e formação de impressões

Formação de impressõesFormar uma impressão significa organizar a informação disponível acerca de uma pessoa de modo a podermos integrá-la numa categoria significativa para nós (Vala, J., & Monteiro, M. B, 2001).

Partindo da psicologia cognitiva, a abordagem da formação de impressões que tem como base a memória, tem o objectivo de analisar os processos cognitivos relacionados com aquisição, armazenamento e recuperação de informação. Assim sendo, é através dos esquemas mentais, isto é, estruturas cognitivas formadas por categorias, conceitos e conhecimentos anteriores que são utilizados de forma a darem coerência e sentido à nova informação permitindo categorizar e até avaliar uma pessoa quando num primeiro contacto formamos uma impressão. Continue a ler “Memória e formação de impressões”

Inteligência emocional

Competências sociaisA inteligência emocional é a capacidade que cada um de nós tem para identificar as suas próprias emoções (raiva, zanga, frustração, alegria, surpresa, tristeza, etc.) e de as conseguir gerir e controlar de modo a  poder pensar de forma clara, conter a impulsividade e tomar as melhores decisões. É ainda a nossa capacidade de reconhecer as emoções dos outros, ou seja, de se conseguir colocar no lugar do outro.

A Inteligência emocional é fundamental para que o indivíduo se possa conhecer a si mesmo e compreender os outros ao mesmo temo que pode fazer de nós seres altruístas, empáticos, com facilidade nos relacionamentos sociais e que evitam o conflito. Reconhecer as nossas próprias emoções, significa identificar o que sentimos e ter a capacidade de o expressar de forma adequada. Por exemplo, se conseguirmos utilizar um sentimento de zanga, em benefício de algo que está a funcionar mal e em consequência da nossa acção, a situação melhorar, isso é ser emocionalmente inteligente. Pelo contrário, se sentirmos raiva e usarmos esse sentimento para agredir ou destruir algo, nada vai melhorar e o problema que despoletou esse sentimento possivelmente vai permanecer ou até mesmo piorar. Continue a ler “Inteligência emocional”

Separação, divórcio e alienação parental

Divórcio separaçãoPerante a separação de um casal com filhos menores, torna-se fundamental a protecção das crianças, devendo estas tornar-se no principal alvo de preocupação dos pais, de modo a que não haja a tendência de as colocar contra um dos progenitores.

Com o crescente número de separações e divórcios, muitos deles litigiosos, os pais têm o dever de minimizar o sofrimento dos filhos uma vez que estes se vêem forçados a adaptar a uma nova realidade, muitas vezes precedida de acontecimentos traumáticos. A par de lidarem com os traumas, ansiedades e inseguranças que uma situação de separação dos pais pode gerar nas crianças, estas têm forçosamente que ser protegidas do flagelo da alienação parental, sob pena de virem a ter consequências muito graves ao nível do seu funcionamento emocional, saúde física, percurso relacional e desempenho escolar. Continue a ler “Separação, divórcio e alienação parental”

A vida, os filhos e o tempo

Tempo para os filhos

No decorrer da minha prática profissional enquanto psicóloga clínica em contexto pediátrico, venho cada vez mais a aperceber-me de que há pais que lutam com grandes dificuldades no exercício da sua parentalidade. Uma das questões que muito me preocupa é a questão do tempo ou da falta dele, muitas vezes referido pelos pais em consulta.

Os dias de hoje são sem dúvida de uma grande exigência para nós, comuns mortais, que acumulamos tarefas, funções e papéis, como se não houvesse amanhã. São as exigências académicas e a crescente competitividade nesse campo, por parte dos mais novos, com a necessidade de mostrarem um desempenho de excelência em todas as áreas, de serem os melhores, de ficarem à frente… Já para não falar das actividades extra-curriculares, encaixadas cuidadosamente entre os horários escolares e que fazem as nossas crianças andarem num verdadeiro carrossel de ocupações, mas isso será tema para outra reflexão. Continue a ler “A vida, os filhos e o tempo”

Higiene do sono e qualidade do sono

Higiene do sonoOs comportamentos de higiene do sono são elementos do estilo de vida que influenciam de forma positiva ou negativa a qualidade do sono (LeBourgeois et al., 2005), ou seja, são essencialmente comportamentos que podem contribuir em benefício ou em prejuízo do sono.

Uma higiene de sono adequada inclui uma rotina na hora de deitar, dormir num ambiente confortável, sossegado e não poluído e a diminuição de comportamentos inibidores do sono, como é o caso do consumo de tabaco, cafeína e álcool antes de deitar. Faz ainda parte de uma boa higiene do sono, evitar envolver-se em actividades física, psicológica ou emocionalmente estimulantes, cerca de uma hora antes de deitar (Wolfson, 2002). Continue a ler “Higiene do sono e qualidade do sono”

Estímulos ambíguos

PercepçãoA ambiguidade ocorre quando falta uma informação fundamental para dar significado à realidade, ou seja, quando um estímulo ao nível sensorial pode gerar diferentes interpretações em termos de perceção e identificação.

Exemplo disso é o conhecido vaso que ilustra os trabalhos de Rubin (1915) sobre a organização da figura-fundo na percepção visual. Todos nós, de um modo geral, temos tendência a ordenar estímulos ambíguos e acontecimentos aleatórios. Essa tendência constrói-se no nosso aparelho cognitivo pois apreendemos melhor os fenómenos ordenados do que os aleatórios, sendo essa nossa predisposição para criar padrões e estabelecer conexões que nos faz progredir e desenvolver.

Olhar para uma nuvem e distinguir uma figura ou observar a lua cheia e identificar um rosto, são experiências comuns. Encontrar padrões e dar sentido ao que vemos é uma tendência natural, automática e inconsciente.

PercepçãoIsto poderia não constituir um problema se esta tendência não estivesse demasiado enraizada o que por vezes nos leva a aceitar determinados factos como certezas e não apenas como hipóteses. Vemos coerência onde ela realmente não existe e chegamos a acreditar em fenómenos que nunca o foram. Nestes casos mesmo examinando repetidamente os resultados de experiências que contrariam as nossas crenças, continuamos a acreditar nelas. A nossa dificuldade em lidar com o que é aleatório e imprevisível, leva-nos a acreditar em factos que cremos serem reais e sistemáticos quando na realidade não passam de factos ilusórios para os quais apenas temos explicações muito simples e infundadas.

Segundo as teorias cognitivas da ansiedade, os adultos ansiosos tendem a interpretar as situações ambíguas de forma negativa, valorizando o perigo e desvalorizando as suas capacidades de resposta.

Compreender a dor

DorA dor é uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a um dano real ou potencial de tecidos. É um mecanismo de defesa do organismo que alerta o cérebro de que os seus tecidos podem correr perigo, embora a dor possa ocorrer sem que tenha havido um dano físico real.

Parece não haver uma relação directa entre uma lesão e a dor, daí o aspecto subjectivo do fenómeno doloroso. Os nociceptores são receptores sensoriais que enviam ao cérebro o sinal que causa a percepção da dor, em resposta a um estímulo que possui potencial de dano. O cérebro interpreta esse sinal como dor. Os nociceptoes podem ser activados por lesão mecânica dos tecidos ou pelo stresse. A percepção da dor é regulada pelo cérebro e é influenciada por factores físicos e psicológicos. Continue a ler “Compreender a dor”

Envelhecimento e família

Envelhecer com a famíliaActualmente envelhecemos integrados em famílias quantitativa e qualitativamente diferentes das famílias dos nossos antepassados, em termos de papeis, relações e responsabilidades.

A fragilidade estrutural das famílias actuais devido, por exemplo,  ao aumento das taxas de divórcio e segundos casamentos, leva a uma complexificação das relações entre gerações. Verifica-se uma maior dependência no comprometimento voluntário do envolvimento da família e uma maior dicotomia entre o compromisso de ter que tomar conta dos mais velhos e o viver a sua própria vida. Continue a ler “Envelhecimento e família”

Envelhecimento activo e bem-sucedido

Envelhecimento activo

Com o alargamento da esperança média de vida e o consequente aumento de pessoas idosas, torna-se fundamental rever o seu papel na sociedade, na família e perante si mesmas.

O idoso encontra-se numa época de redescoberta, de recreação da sua própria identidade e de reorganização de objectivos, pelo que é importante que elabore nesta idade, um plano ou projecto de vida. Continue a ler “Envelhecimento activo e bem-sucedido”