O meu filho parece a minha sombra…

Ansiedade de separaçãoA perturbação de ansiedade de separação caracteriza-se por manifestações de ansiedade excessiva e inadequada para o nível de desenvolvimento da criança/adolescente, relativa à separação da casa ou das pessoas a quem está vinculada.

O medo ou a angustia de separação de figuras de vinculação, ou seja, das figuras mais significativas para a criança, aparece aproximadamente por volta 8 meses. Em amostras comunitárias cerca de 41% de crianças relatam preocupações relativamente à separação dos pais (Costello & Angold, 1995). Alguma reacção negativa à separação em idades precoces pode ser normativa e passageira, no entanto, algumas crianças podem vir a desenvolver mais tarde uma perturbação de ansiedade de separação. Este tipo de perturbação tem habitualmente o seu início na infância, entre os 7 e os 12 anos, sendo a sua prevalência de cerca de 3 a 13% em crianças e de 1,8 a 2,4% em adolescentes, manifestando-se principalmente no género feminino. Continue a ler “O meu filho parece a minha sombra…”

Tenho um aluno disléxico, e agora?

sala de aulaA dislexia é uma perturbação da aprendizagem específica que se caracteriza por um desempenho na leitura substancialmente abaixo do esperado, no que diz respeito à exactidão, velocidade ou compreensão, tendo em conta a idade, as capacidades cognitivas e o nível de escolaridade do aluno. Traduz-se assim numa dificuldade na correcção e fluência na leitura de palavras.

Muitos professores, vêm-se frequentemente a braços com a dificuldade de terem uma ou mais crianças disléxicas entre os seus alunos. Este facto pode constituir um grande desafio, sobretudo para os professores menos experientes. No sentido de ajudar não só o professor a lidar com essa situação mas também para promover a aprendizagem das crianças com essa condição, aqui ficam algumas dicas, que podem ser úteis não apenas para alunos com dislexia como também para crianças com défice de atenção, problemas de concentração ou hiperactividade. Continue a ler “Tenho um aluno disléxico, e agora?”

Entrevista motivacional

AmbivalênciaA entrevista motivacional é considerada por si só, não apenas como uma trivial entrevista de recolha de informação mas principalmente como um modelo de intervenção terapêutica. Baseada em constructos da psicologia social experimental como, por exemplo, a atribuição causal, a dissonância cognitiva e a auto-eficácia, esta entrevista tem características muito específicas e uma eficácia cientificamente comprovada.

Trata-se de um conjunto de estratégias relacionais que em contexto de intervenção terapêutica, tem revelado ser promotora de comportamentos orientados para a saúde. A entrevista motivacional tem sido descrita como um modelo de intervenção constituído por duas fases: a primeira fase enfatiza a promoção da motivação intrínseca e a segunda fase, baseia-se no compromisso para a mudança. Pretende-se através deste modelo que o sujeito possa entender a importância da mudança para a sua vida e para o seu bem-estar. Continue a ler “Entrevista motivacional”

Time in, time out e os comportamentos difíceis das crianças

ComportamentosUma das principais intervenções para a gestão de comportamentos disruptivos em crianças é fornecer aos pais estratégias de gestão de comportamentos. As técnicas de treino parental foram cuidadosamente documentadas e têm suporte empírico significativo na literatura como uma intervenção para problemas de comportamento em crianças.

 Existem alguns componentes-chave para a maioria dos programas de treino parental, incluindo a psicoeducação, o ensino de como fornecer atenção diferencial aos comportamentos das crianças, como fornecer instruções eficazes, como usar consequências como recompensas e em tempo apropriado e como integrar essas habilidades num abrangente plano de gestão comportamental. Os programas de treino parental são normalmente oferecidos em formatos de 8 a 12 sessões, muitas vezes promovendo competências de acordo com a fase de desenvolvimento da criança. Cada competência é ensinada através de informações didácticas, bem como modelagem e role playing com a mãe/pai e/ou a criança no consultório. Continue a ler “Time in, time out e os comportamentos difíceis das crianças”

Crianças, comportamentos e instrução eficaz

Comportamentos crianças

Os comportamentos desajustados das crianças cumprem na maioria das situações, um papel no seu desenvolvimento, associado ao teste dos limites e regras, às imposições por parte dos adultos e aos seus próprios processos de autorregulação emocional.

Todos nós, pais, educadores e outros profissionais que lidamos frequentemente com crianças, já nos deparamos inúmeras vezes, com birras amuos e outros comportamentos desajustados e que por vezes nos põem à prova. As crianças, como seres em desenvolvimento acelerado, passam por várias fases num relativamente curto espaço de tempo, tendo que se adaptar constantemente às exigências de cada uma das fases do desenvolvimento normativo. Por vezes, comportam-se mal porque não sabem fazer de outra maneira, porque ainda não aprenderam a fazer diferente. Continue a ler “Crianças, comportamentos e instrução eficaz”

Mudar comportamentos

Mudança comportamentalMudar um comportamento pode não ser tarefa fácil. Muitas vezes, mudar um comportamento implica alterar hábitos de longa duração, ou seja, acções já há muito tempo mantidas e que podem efectivamente, estar já automatizadas no nosso dia-a-dia.

Para que haja a mudança de um comportamento, a pessoa precisa de ter intenção de o fazer, ou melhor, estar motivada para essa mudança. Para além disso precisa de tomar decisões e de planear acções, isto é, encontrar comportamentos alternativos para poder substituir aqueles que quer ver modificados. Para estas tarefas, a ajuda do/a psicólogo/a é fundamental para que o individuo se sinta apoiado na tomada de decisões mas também para iniciar as novas rotinas. Tão importante como adoptar novos comportamentos, mais adaptativos, é conseguir mantê-los, resistindo às tentações e por vezes ao que é mais fácil, ao que está habituado. Continue a ler “Mudar comportamentos”

Assertividade – uma mais-valia na sua vida!

Comunicação assertivaA assertividade é uma competência social, que permite que o indivíduo defenda os seus direitos pessoais, expresse os seus pensamentos, sentimentos e crenças, de forma honesta, clara e adequada, ao mesmo tempo que respeita os direitos e opiniões dos outros. A comunicação assertiva promove uma melhor comunicação interpessoal e consequentemente relações pessoais mais gratificantes, maior realização pessoal e melhor qualidade de vida.

Cada indivíduo tem naturalmente o seu estilo próprio de comunicação. Uns mais passivos, outros mais agressivos, enfim, ser assertivo pode não ser propriamente uma característica inata comum mas com motivação e empenho, todos nós podemos aprender e treinar a assertividade e obter resultados surpreendentes ao nível dos relacionamentos, nos mais variados contextos de vida. Continue a ler “Assertividade – uma mais-valia na sua vida!”

Avaliação Psicológica – princípios e especificidades

AvaliaçãoA avaliação psicológica insere-se nas competências profissionais exclusivas do Psicólogo/a e só a este/a é conferida legitimidade para a realização deste trabalho, com recurso a técnicas e instrumentos específicos para o efeito e para cuja utilização  está capacitado.

O processo de avaliação psicológica tem início sempre que é pedida a resposta a uma questão ou um parecer profissional sobre um determinado caso ou indivíduo. O Psicólogo/a analisa até que ponto se sente habilitado para dar resposta a esse pedido mas também deve verificar se este se encontra dentro dos critérios éticos estabelecidos pelo código deontológico, que tem por objectivo guiar este profissional de saúde mental, no sentido de práticas de excelência, garantindo que o seu exercício profissional é o máximo ético e não o mínimo aceitável (Código Deontológico da Ordem dos Psicólogos Portugueses, Diário da República, 2.ª série — N.º 78 — 20 de Abril de 2011). Continue a ler “Avaliação Psicológica – princípios e especificidades”

As doenças, os factores de risco e o papel do psicólogo

Psicologia da saude e da doençaSegundo a Direcção Geral de Saúde (2016), as doenças com maior impacto na população portuguesa são: o cancro (18,5%), as doenças cardiovasculares (15,4%), os problemas de saúde mental e comportamental (8,9%), as doenças respiratórias (4,1%) e a diabetes (3,6%).

Para todas estas patologias, os factores de risco são um traço comum. Desde os hábitos alimentares, à hipertensão, passando pelo excesso de peso e os consumos excessivos de tabaco e álcool, todos estes comportamentos estão de algum modo relacionados com as referidas patologias mas também associados entre si. Daí se conclui que a prevenção da doença e a promoção da saúde deverá incidir na mudança comportamental para a implementação de hábitos de vida saudáveis. E qual é o papel do psicólogo a este nível? Continue a ler “As doenças, os factores de risco e o papel do psicólogo”

Ansiedade: crianças e adolescentes

MedoA ansiedade é uma emoção humana básica, que surge sempre que uma situação é interpretada como perigosa. Tem uma função adaptativa de protecção, isto é, serve para alertar o indivíduo para situações novas ou ameaçadoras e permitir a execução rápida de acções para lidar com essas situações. Estas acções incluem fuga, imobilidade, defesa agressiva, submissão, etc.

Nas crianças, ao longo do primeiro ano de vida, os medos mais comuns são os ruídos, as pessoas estranhas e a separação das figuras significativas, como por exemplo, os pais ou os seus substitutos. Na idade pré-escolar, o medo de estranhos e a separação das figuras de vinculação continuam a ser medos bastante frequentes, juntando-se a estes o medo de trovoadas e de animais. A partir dos 6 anos os acontecimentos sobrenaturais, as feridas e o sofrimento físico, as preocupações com a saúde ou a morte e os medos relacionados com o desempenho e a vivência escolar, passam a ter expressão significativa. Mais tarde, na adolescência, os jovens têm nos seus relacionamentos interpessoais, na autoimagem e nas questões relacionadas com a sexualidade, os seus maiores receios. Continue a ler “Ansiedade: crianças e adolescentes”