A somatização caracteriza-se pela apresentação de sintomas físicos em indivíduos, sem causa orgânica óbvia. É uma problemática que está associada a uma incapacidade funcional e a um grande recurso aos cuidados de saúde.
A presença persistente de sintomatologia física sem explicação médica constitui-se como um enorme desafio quer para médicos, quer para psicólogos. Estes sintomas apresentam-se num continuum e podem ir de ligeiros e transitórios a intensos, constantes e severos. Os sintomas físicos mais comuns na somatização são a fadiga, as dores de cabeça, as dores nas costas, a insónia, as dores de barriga, as tonturas, o aumento dos batimentos cardíacos ou a falta de ar. O doente psicossomático tende a procurar sistematicamente uma causa orgânica para as suas queixas e por isso recorre frequentemente aos cuidados de saúde, no sentido de pedir ao médico a prescrição de exames auxiliares de diagnóstico ou medicamentos para o alívio dos sintomas, de uma doença que não tem. Nesta procura excessiva pelos cuidados de saúde, a relação com o médico pode ficar afetada se este não entender o problema do paciente, ou seja, se não levar em consideração os fatores psicossociais que o envolvem. Além do mais, a banalização da toma de medicação para alívio da referida sintomatologia pode conduzir a uma dependência que não é de todo recomendada.
Os resultados apresentados pela investigação sobre esta matéria sugerem uma prevalência de doentes psicossomáticos na ordem dos 20% a 50%, no entanto, nem todos os indivíduos que apresentam sintomatologia física sem explicação médica, preenchem todos os critérios de referenciação para os cuidados de saúde mental. É de salientar que muito frequentemente, a apresentação deste tipo de sintomatologia está associado a casos de ansiedade e/ou depressão, sendo que a intervenção psicológica poderá trazer um enorme benefício para estes indivíduos. Porém, muitas vezes, estes pacientes recusam a necessidade de apoio psicológico mesmo quando é sugerida pelo médico, dando preferência a uma intervenção médica sobre os sintomas. O estigma ainda presente em muitos grupos sociais, pode ajudar a explicar essa dificuldade em aderir ao acompanhamento psicológico, mesmo que indiretamente, possam demonstrar o desejo de apoio emocional.
Podem-se referir como determinantes da sintomatologia psicossomática o stresse e a ansiedade, sendo que estes provocam um aumento da atividade cerebral e a produção de cortisol e adrenalina. Estas hormonas podem afetar outros órgãos do corpo como o estômago, os intestinos, o coração ou a pele. O stresse profissional, os traumas por acontecimentos de vida significativos, a dificuldade em expressar as emoções ou um elevado grau de perfeccionismo, constituem-se como algumas das causas possíveis para o desenvolvimento desta patologia. As perturbações psicossomáticas, ou seja, com causa emocional, não tratadas, podem conduzir elas próprias ao aparecimento de doenças como por exemplo a gastrite ou a hipertensão arterial. Em casos mais graves, a sintomatologia mais intensa poderá mesmo confundir-se com situações graves como o enfarte do miocárdio ou o acidente vascular cerebral, como é o caso dos ataques de pânico, em que o indivíduo experimenta sensações tão desagradáveis que o podem fazer pensar que vai morrer.
Em termos de tratamento, o doente psicossomático poderá como já foi referido, beneficiar de acompanhamento psicológico, uma vez que este pode ajudar o indivíduo a identificar o motivo do seu stresse e da sua ansiedade e, deste modo, aprender a lidar com a situação e conseguir treinar estratégias promotoras da redução da ansiedade e do aumento do bem-estar. Alguns casos poderão beneficiar de um tratamento misto, ou seja, intervenção psicológica combinada com medicação. Esta é habitualmente feita através de analgésicos ou anti-inflamatórios, para alívio dos sintomas, mas também ansiolíticos e antidepressivos. A psicossomática coloca a doença numa dimensão psicológica abrangente e integral, proporcionando uma abordagem onde a relação entre médico, paciente e psicólogo se constituem como um recurso muito relevante para que o indivíduo seja olhado como um todo, e não penas com vista ao tratamento dos sintomas. Assim, qualquer doença pode ser alvo de uma abordagem como se de psicossomática se tratasse, pois o que precisa de tratamento não é apenas a doença mas sim o doente.
Pense que pode ter na Sua Psicóloga uma aliada importante para o ajudar a lidar com os seus problemas. Procure apoio!
Sugestão:
https://rfs.emnuvens.com.br/rfs/article/view/14/12
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-37722016000300245&script=sci_arttext&tlng=pt

A Doença de Parkinson é a segunda doença neuro-degenerativa mais comum na população e resulta na acumulação anormal de proteínas no cérebro e na morte progressiva de neurónios. Pensa-se que uma grande parte das dificuldades motoras apresentadas pelos doentes derivam da perda de neurónios produtores de Dopamina.
Uma criança deprimida não é o mesmo que uma criança triste. A tristeza é um sentimento normal que surge em consequência de um acontecimento relacional, físico ou outro. A tristeza tem uma duração curta não tendo efeitos significativos na funcionalidade da criança. A depressão é outra coisa…
A Psicologia da Saúde surgiu na década de 70 do Séc. XX nos EUA e teve como principal intuito estudar a natureza e a extensão da contribuição dos Psicólogos para a investigação básica e aplicada sobre os aspetos comportamentais nas doenças físicas e na manutenção da saúde (Ribeiro, J., 2007, p.33).
Outro aspeto importante da intervenção do psicólogo da saúde é a intervenção facilitadora à adesão e resposta do doente a terapêuticas médicas variadas, como a medicação, a cirurgia e meios complementares de diagnóstico, por exemplo. Este profissional de saúde tem também competências para trabalhar na problemática da comunicação interpessoal, desenvolvendo no indivíduo competências relacionais, técnicas de mediação e gestão de conflito, gestão do stress, entre outras. Pretende-se ainda que o psicólogo da saúde possa num futuro breve vir a integrar projetos de humanização dos serviços, acesso e atendimento, bem como em projetos de melhoria da qualidade nos cuidados de saúde e nas organizações.
E o que pode então fazer um psicólogo da saúde numa empresa ou organização? O psicólogo da saúde pode implementar na empresa algumas intervenções práticas a realizar no âmbito dos programas de ajuda em contexto organizacional. Pode trabalhar na promoção da atividade física de modo a prevenir os efeitos nefastos do sedentarismo, como o caso da obesidade e de problemas motores entre outros. Pode dedicar-se ao ensino e treino de técnicas de relaxamento a serem utilizadas em momentos de maior sobrecarga de stresse ou de trabalho, com vista a um melhor bem-estar físico e psicológico dos colaboradores. Pode trabalhar na promoção da comunicação e partilha de experiências entre hierarquias em contexto informal, com vista a aprendizagens e partilha de experiências, assim como o convívio e a prática de atividades conjuntas de modo a proporcionar uma maior proximidade, conhecimento e facilitar a comunicação e as relações pessoais/sociais.
O psicólogo da saúde pode também promoverr na empresa práticas de alimentação saudável, em parceria com os responsáveis pela cantina da empresa e com um nutricionista, com o objetivo de corrigir maus hábitos alimentares e evitar problemas cardiovasculares e excesso de peso, entre outros, com forte influência na autoestima do individuo e consequentemente no seu bem-estar físico e emocional. A implementação de programas de cessação tabágica ou de outros consumos excessivos identificados, poderá ser uma proposta de intervenção, assim como a realização de ações de incentivo à adesão aos tratamentos, nos trabalhadores com doença crónica diagnosticada, identificando as consequências da não adesão para o seu bem-estar e que afetam diretamente a sua vida profissional.
Neste contexto torna-se necessária a avaliação das crenças dos trabalhadores com doença crónica, em relação à evolução da mesma e trabalhar no sentido de aumentar a sua adaptação à doença e às possíveis limitações inerentes a esta que possam interferir com o desempenho na organização e com o seu bem-estar geral. Outro ponto de extrema importância a poder ser trabalhado com os colaboradores da empresa, é a promoção de ações de formação sobre hábitos saudáveis de sono. Os distúrbios do sono têm consequências adversas no dia-a-dia dos indivíduos por diminuir o seu funcionamento aumentar a propensão a distúrbios psiquiátricos, défices cognitivos, surgimento e agravamento de problemas de saúde, riscos de acidentes de trabalho e de trânsito e consequentemente absentismo no trabalho, comprometendo assim também a sua qualidade de vida.
E como comunicar de forma eficaz é meio caminho andado para o entendimento, a promoção de treinos de comunicação assertiva no sentido de facilitar a mediação e a gestão de conflitos decorrentes dos problemas inerentes às atividades profissionais, e de dar competências a empregados e empregadores para uma melhor comunicação e relação. é outro dos pontos relevantes que podem ser melhorados, com a intervenção do psicólogo. Do mesmo modo, a promoção de programas de incentivo à crítica construtiva, de modo a aumentar o sentimento de autoeficácia e aumento da autoestima, são pertinentes e necessários. Promover a ‘política do elogio’ com vista a aumentar a satisfação do indivíduo, que se vai refletir na continuação de boas práticas e numa maior abertura à mudança, pode fazer a diferença. Por fim, este profissional de saúde poderá ainda organizar palestras/comunicações com especialistas em várias doenças que são diretamente afetadas pelo stresse excessivo, como é o caso das doenças cardiovasculares, digestivas, diabetes, etc. de modo a informar, esclarecer dúvidas e aconselhar práticas mais saudáveis adequadas a cada patologia.
Assim, um psicólogo da saúde em contexto organizacional, muito poderá fazer em termos de intervenção psicológica, no que diz respeito não só à promoção da saúde e prevenção da doença, mas também no sentido de minimizar os efeitos decorrentes da falta de informação, de motivação e de comunicação. Fomentar relações saudáveis, hábitos de vida saudáveis e promover um contexto de trabalho orientado para a saúde física e emocional dos colaboradores, poderá prevenir o absentismo, promover a satisfação pessoal e a melhoria do desempenho, que se irá decerto refletir no aumento do rendimento da própria organização.
O principal interesse da Psicologia pelas doenças é o modo como as reações de ansiedade e/ou depressão que acompanham muitos dos processos de doença fisiológica, interferem com as ações de tratamento. As emoções desadaptativas ou patológicas do doente, podem manifestar-se nas reações ao diagnóstico e/ou ao tratamento, influenciando a progressão da doença, qualquer que seja o seu tipo.
A doença física constitui-se como um terreno fértil para a expressão de emoções desadaptativas. A depressão está muitas vezes associada à doença crónica. As reações depressivas tendem a manifestar-se mais tarde, em comparação com as reações de ansiedade e posteriormente, ambas podem ocorrer de forma alternada ou em simultâneo. O processo depressivo pode ser anterior à doença física e pode constituir-se como determinante direto ou indireto da mesma (ex. alterações imunológicas e/ou fisiológicas, negligência pessoal etc.). O processo depressivo posterior à doença física pode apresentar-se como sintoma da doença ou como consequência do seu tratamento (ex. efeitos da medicação, baixa da autoestima, possível perda de capacidades ou de papéis sociais, isolamento, etc.).
É difícil saber se é a depressão que contribui mais para o aparecimento e evolução da doença física ou se é esta que contribui para o desenvolvimento da depressão. Isto leva à necessidade de que médicos e psicólogos trabalhem em equipa, no sentido de chegarem ao diagnóstico, quer seja de doença física com sintomatologia depressiva quer seja de depressão com sintomatologia somática. Caso contrário, o médico pode diminuir a sintomatologia do processo depressivo, considerando-o normal e inerente ao processo de doença, ficando o doente sem acesso ao tratamento psicológico, ou, o psicólogo poderá considerar que as reações somáticas do doente fazem parte do processo depressivo, e o doente ficar sem os cuidados médicos de que pode necessitar. Considerar que doença física e depressão se determinam mutuamente poderá permitir que médico e psicólogo formem uma equipa e que trabalhando em conjunto possam dar uma resposta mais adequada ao doente.
O stesse, estado reativo do organismo face a situações inesperadas ou de ameaça e hoje em dia também visto como uma resposta de ajustamento do organismo, contingencial a essas situações, é o processo ansiogénio mais comum, tendo sido transformado em sinónimo de todo e qualquer tipo de ansiedade geral ou específica. Sendo o stresse um conceito de grande operacionalidade em psicologia da doença, a intervenção clínica é quase sempre dirigida à sua redução para limites aceitáveis, por diversas razões. Uma delas é o facto de o stresse poder causar doença por interferir no sistema imunitário. Por outro lado, pode estar também associado a hábitos que causam a doença (ex. tabagismo). O stresse pode escalar facilmente para processos ansiogénios mais graves, podendo interferir com a capacidade do indivíduo reagir tanto a um diagnóstico de doença, como à adesão ao tratamento proposto.
A depressão e a ansiedade têm sido estudadas na sua relação com o mesmo tipo de doenças, o que não significa que sejam abordadas da mesma forma. As reações depressivas tendem a ser consideradas na sua polaridade mais grave (depressão major) e o stresse é mais representativo das reações ansiogénias. Dada a semelhança entre sintomas reais e somatizações, como saber se é a depressão ou o stresse que provocam e/ou agravam os sintomas ou se é a doença, na sua dimensão orgânica que os provoca e/ou agrava? A maior dificuldade do psicólogo para determinar se as emoções excessivas contribuem para o agravamento da condição do paciente advêm de questões metodológicas, que incluem a avaliação da gravidade da doença e a avaliação da gravidade da emocionalidade negativa que a acompanha. Embora esta questão possa parecer circular, ela constitui uma limitação para a intervenção. Uma vez mais se destaca a grande importância do trabalho de equipa ,em psicologia da saúde. Não basta tratar a doença, é fundamental tratar o doente.
A psicologia do desenvolvimento e gestão de carreira no contexto das organizações tem como foco o estudo da relação entre o individuo e a organização onde trabalha, no sentido de sustentar o desenvolvimento das pessoas, encontrar respostas às necessidades das organizações e procurar um compromisso entre a estratégia organizacional e as aspirações de cada trabalhador.
No passado não eram valorizados nem a motivação nem o auto-desenvolvimento do trabalhador. Atualmente parece haver a responsabilidade do empregado aprender a gerir a sua carreira, e da empresa, em promover programas de desenvolvimento de carreira, visando a sobrevivência e satisfação de ambos, ou seja, passou a haver uma responsabilidade partilhada. Promove-se também hoje em dia, a construção de uma teia de relações e responsabilidade crescente, que se tem vindo a estabelecer entre o individuo em busca de percursos de desenvolvimento de satisfação pessoal e a organização, que reúne as condições necessárias para mobilizar essa procura.
O mundo do trabalho modelou o conceito de carreira na medida em que após a revolução industrial e das mudanças socioeconómicas daí decorrentes, as profissões diversificaram-se e foi necessário ajudar as pessoas e encontrarem o emprego certo. Anteriormente o modelo vigente era centrado exclusivamente nos objetivos da organização e era orientado para a determinação de regras rígidas voltadas para a realização de tarefas e a incrementação do rendimento, ignorando as relações sociais e as necessidades das pessoas, sendo o conceito de carreira baseado somente na progressão hierárquica.
A importância crescente do indivíduo decorre da importância estratégica da gestão dos recursos humanos. São vários os elementos para promoção de sistemas de desenvolvimento e gestão de carreiras flexíveis que promovam satisfação e sucesso para o colaborador e para a organização, nomeadamente a criação e desenvolvimento de mecanismos de detenção de informação, o reconhecimento, a integração dos colaboradores na cultura da organização e o desenvolvimento de sistemas de recompensa pelo seu desempenho e desenvolvimento, entre outras.
A avaliação psicológica individual deverá permitir capitalizar o que de melhor o individuo tem para dar à organização ao mesmo tempo que a psicologia da construção da vida deverá promover a adequação da pessoa aos novos contextos em que o trabalho e emprego se desenvolvem. A carreira do individuo desenvolve-se através do modo como ele perceciona a realidade e a ela se adapta, sem renegar a sua personalidade e as linhas estruturantes da sua história pessoal. Os paradigmas atuais devem considerar as diferenças individuais em oposição à uniformização que conduziu nos tempos modernos, à mecanização dos comportamentos. No futuro, espera-se uma teoria psicológica que vise a promoção do sucesso e que procure a construção como fonte de satisfação. Outro desafio que se apresenta é o apoiar e escutar o individuo, bem como a organização, de forma harmoniosa, enquanto agentes ativos do constante processo de integração, neste novo mundo em que a informação está ao alcance de um clique.
São grandes e muito importantes as transformações a nível intelectual ao longo da adolescência. Esta é uma fase em que o pensamento concreto da infância vai dando lugar ao pensamento formal do adulto. A escola, os pares e a família, todos dão o seu contributo para a formação da identidade do jovem.
É na adolescência que “nasce” o mundo interior e se desenvolve a capacidade de introspeção, insight e de pensar sobre si mesmo, dando início ao processo de construção da identidade. Para o sucesso deste processo é extremamente importante a vivencia dos afetos, a expressão das emoções e a qualidade das experiencias de vida, conseguidas em grande parte através das suas relações com os vários contextos onde se desenvolve. Os estímulos, os modelos e as influências são determinantes para a construção do pensamento e para o desenvolvimento da personalidade do adolescente. Quanto maiores e melhores foram os estímulos a que o jovem é exposto (ex. música, pintura, teatro, cinema) mais este assimila as experiências e as assimila e internaliza. Do mesmo modo, as experiências negativas têm também um efeito neste mesmo processo, mas pernicioso, pelo que algumas delas podem ser muito desadaptativas. O jovem assimila todas as novas experiências que vive e nem sempre se preocupa ou consegue avaliar se se ajustam ou não.
Um dos contextos com maior impacto na vida do adolescente é a escola. Aqui o jovem aprende, ensina, expressa-se sob as mais diversas formas e tem a possibilidade de desenvolver competências a vários níveis. A par dos conhecimentos que adquire, o adolescente, em contexto escolar, tem a possibilidade de desenvolver responsabilidades individuais ou de grupo. A escola constitui-se como um território que o acolhe e onde ele se sente à vontade para exercitar as suas vivências e convivências. É em contexto escolar que se dão encontros, desencontros e relações, em que o adolescente questiona valores e começa a delinear e construir o seu projeto de vida. Para os adolescentes, a escola é o principal espaço de construção e partilha de conhecimentos sobre a vida futura.
Mas o papel da família não é menor. É em família que o jovem passa a maior parte, ou mesmo toda a adolescência, e é aqui que encontra modelos específicos para o seu desenvolvimento intelectual. A família, principalmente os pais, têm o importante papel de incentivar os adolescentes a descobrirem as suas potencialidades e de monitorizarem os seus comportamentos e as suas possíveis dificuldades. O adolescente deverá perceber a preocupação e a atenção dos pais, mas também de perceber que tem a quem recorrer em qualquer situação em que sinta necessidade de o fazer. A família é uma referência muito importante para o jovem, quer pelo diálogo, troca de ideias, partilha de interesses, discussão de conceitos e opiniões mas principalmente pela vivência dos afetos e pela expressão emocional.
A morte é um assunto que por tendência se procura evitar e uma questão sobre a qual talvez a maioria das pessoas procurem nem pensar. A dificuldade de lidar com a ideia da morte pode complicar a sua elaboração e impedir que se vivenciem com tranquilidade as perdas, que são naturais e ocorrem inevitavelmente, ao longo de todo o ciclo de vida.
Ao longo do último século, as ciências sociais e humanas aumentaram o seu interesse na investigação do processo de luto, nas suas diversas formas, das complicações e das diferentes abordagens psicoterapêuticas de apoio na realização do trabalho de luto. É reconhecido a Freud (1917), no seu artigo sobre o ‘Luto e melancolia’, a introdução precursora, na literatura psicológica, do trabalho clínico sobre o luto. Freud considerou o luto como uma reação à perda de alguém próximo, que é assimilada sem conflitos significativos, onde o enlutado é capaz de manter a capacidade de se desligar do objeto perdido, de uma forma natural. A energia investida no objeto perdido necessita, através do trabalho de luto, de se ir dissipando progressivamente das recordações, fantasias e expetativas que revestiam essa ligação, e ao fim de algum tempo, o Ego do enlutado estará novamente liberto para investir na realidade.
Outro estudioso destas matérias, Parkes postula que o processo de luto se desenvolve em 4 fases, sendo elas: 1) Entorpecimento ou negação, que pode ser considerado um mecanismo de defesa do enlutado, face a uma perda difícil de aceitar; 2) Anseio e protesto, ou seja, um desejo intenso de recuperar a perda, podendo ser acompanhado de sentimentos de culpa ou raiva dirigidos ao próprio ou ao objeto perdido; 3) Desorganização e desespero, isto é, entrada num período em que o indivíduo reconhece a irreversibilidade da perda e que pode levar a um estado de apatia e depressão, visível pela falta de interesse e motivação para novas atividades e um certo isolamento social, e 4) Recuperação ou restituição, em que o enlutado entra num período caracterizado por uma diminuição progressiva do sofrimento que vai permitir que se volte novamente para o mundo em busca de novas relações e atividades. Quando o indivíduo ultrapassa a ultima tarefa de elaboração do luto, deverá ser capaz de falar sobre a perda sem grande sofrimento, fruto da reação adaptativa. Esta reação varia de acordo com a natureza da perda, a personalidade do indivíduo, as experiências passadas, os valores e a ameaça percebida ao seu sentimento de integridade enquanto pessoa.
De uma forma consensual, o processo de luto apresenta-se como um processo ativo, multidimensional, personalizado e com múltiplos determinantes. Muito se tem escrito sobre o luto, o que evidencia o quanto o tema tem despoletado interesse na comunidade científica, resultando em numerosos estudos de diversas abordagens, tanto sobre questões relativas aos conceitos como sobre as utilizações de terapêuticas e sua eficácia. São vários os modelos de entendimento do processo do luto, como as variáveis que, em vários estudos empíricos, se revelaram fatores facilitadores ou problemáticos do seu curso. Na literatura disponível são diversas as posições assumidas no que respeita à opinião acerca dos modos de intervenção, mas é transversal e consensual que nos casos em que o processo de luto se complexifica, a intervenção psicológica é fundamental.
O SN é o nosso grande comandante e é responsabilidade sua, a coordenação de toda e qualquer ação voluntária ou não, assim como a transmissão de sinais a todos os outros sistemas presentes no organismo, como o sistema motor, sensorial, cognitivo e a integração entre todos eles. O SN divide-se em 3 partes e são elas o Sistema Nervoso Central (SNC), o Sistema Nervoso Periférico (SNP) e o Sistema Nervoso Autónomo (SNA). Fazem parte do SNC o cérebro e a espinal medula. O SNP é formado principalmente por nervos (cranianos e espinais), gânglios e recetores sensoriais. O SNP divide-se ainda noutros dois subsistemas, o sistema nervoso somático (nervos sensoriais e motores) e o sistema nervoso autónomo que por sua vez engloba outros dois constituintes, o simpático e o parassimpático. Descrito assim mesmo de uma forma simplificada, percebe-se que o assunto é realmente complexo. Coloquemos então o foco no SNC, mais precisamente no cérebro – o órgão onde tudo acontece!


Voltando aos neurónios, a ideia de que estes não se reproduzem nem se dividem e que são insubstituíveis, foi durante muito tempo uma verdade absoluta. No entanto, alguns estudos mais recentes têm vindo a apontar para a possibilidade de haver um processo de neurogénese adulta, ou seja, a capacidade de se criar e reforçar os neurónios em idade mais tardia, através de uma série de práticas relacionadas aos hábitos vida saudáveis ao longo do tempo. A prática de exercício físico de corrida ou resistência, a dieta mediterrânica e a estimulação cognitiva, podem ajudar a manter o cérebro saudável. A aprendizagem facilita as conexões entre as diferentes áreas do cérebro e por isso pode constituir-se como um fator protetor contra a neuro degeneração. Porém, a neurogénese adulta, a ser uma realidade, tem um papel limitado incapaz de corrigir lesões cerebrais graves. A investigação e a ciência estarão decerto atentas a este problema e irão continuar a fazer esforços no sentido do prolongamento da saúde neuronal.