Internalização e externalização

InternalizaçãoAs perturbações habitualmente designadas de internalização ou de externalização, constituem um tipo específico de problema emocional e comportamental, que se manifestam em qualquer idade e com características bastante diversificadas.

As perturbações de internalização manifestam-se quando o sujeito tenta manter um controlo desajustado do seu estado emocional interno, utilizando para tal somente estratégias internas. Estas perturbações derivam da convergência de factores biológicos (ex. défice nos neurotransmissores), familiares (ex. conflitos conjugais ou parentais), acontecimentos de vida (ex.. morte de um familiar significativo, perda de capacidades físicas), factores cognitivos (ex. crenças erróneas) e factores comportamentais (ex. isolamento social). Podemos identificar vários tipos de perturbações de internalização, nomeadamente a depressão, a ansiedade, a somatização e a fobia social. Continue a ler “Internalização e externalização”

Perturbações de Ansiedade: Um cardápio diversificado (2)

Perturbação de Ansiedade

De volta ao tema da ansiedade e dos medos, descrevo de seguida alguns subtipos da Perturbação de Ansiedade. A diversidade é de facto considerável e muitos indivíduos apresentam critérios de diagnóstico para vários tipos de perturbação em simultâneo, ao mesmo tempo que também é frequente encontrar sujeitos com problemas de ansiedade a par com outros quadros clínicos do foro da saúde mental, como por exemplo a Depressão ou a Perturbação Obsessivo-compulsiva. Intervir é preciso!

A Perturbação de Pânico caracteriza-se pelo medo e desconforto físico intensos que se associam habitualmente à possibilidade de morte ou de perda do controlo sobre si mesmo. Em presença desta perturbação, os ataques de pânico ocorrem inesperada e recorrentemente. Correspondem a um período abrupto e intenso de medo que atinge o seu pico em poucos minutos e que pode ocorrer tanto a partir de um estado de tranquilidade como de ansiedade. Entre os sintomas podemos incluir a aceleração do ritmo cardíaco, palpitações, suores, tremores, sensação de falta de ar ou de dificuldade em respirar, dor no peito, mal-estar abdominal, sensação de tontura ou desmaio, medo de perder o controlo e medo de morrer. Para ser considerado um ataque de pânico, deverão estar presentes pelo menos 4 dos referidos sintomas. Continue a ler “Perturbações de Ansiedade: Um cardápio diversificado (2)”

Perturbações de Ansiedade: Um cardápio diversificado (1)

Ansiedade e medoAs Perturbações de Ansiedade são problemáticas muito prevalentes na sociedade atual, principalmente entre as crianças e os adolescentes. E o que é afinal uma Perturbação de Ansiedade? As Perturbações de Ansiedade referem-se a perturbações que têm em comum características de medo e ansiedade persistentes e excessivos e todas as alterações do comportamento com eles relacionadas.

Ter medo é normal e é a resposta emocional a uma situação de ameaça real ou percebida. Sentir ansiedade refere-se à antecipação de uma ameaça futura e à sobrestimação do perigo dessa situação, habitualmente desproporcionado. De certa forma o medo e a ansiedade sobrepõem-se, no entanto, o medo associa-se mais vezes a situações de picos de excitação automática, necessária à luta ou fuga, pensamentos de perigo eminente e comportamentos de evitamento. A Ansiedade, por sua vez, associa-se mais a tensão muscular e estados de vigília preparatória para se enfrentar perigos futuros, caracterizando-se por comportamentos cautelosos e de evitamento. Continue a ler “Perturbações de Ansiedade: Um cardápio diversificado (1)”

Crianças e castigos corporais

Disciplinar e ensinar
A violência pode estar presente nas vidas das crianças de três formas distintas: os atos de violência a que assistem, os atos de violência de que podem ser vítimas e os atos de violência que elas próprias perpetram.

Uma das principais formas de violência presente nas vidas de algumas crianças são os castigos corporais. Os castigos corporais referem-se ao uso da força física por parte, habitualmente de adultos, com a intenção de corrigir ou controlar um comportamento desadequado, causando dor à criança. São exemplos de castigos corporais as palmadas, empurrões, beliscões, puxões de cabelo ou de orelhas, assim como o uso de produtos agressivos como por exemplo pimenta na língua, entre outros. Estes castigos corporais que não são menos que atos de violência utilizados contra as crianças, são muitas vezes justificados pela necessidade de disciplinar. Disciplinar é ensinar, e ao tentar disciplinar-se uma criança por meio de castigos corporais vai levar a que ela aprenda a resolver os seus problemas com base na violência. A criança agredida aprende a agredir como forma de lidar com os seus problemas e dificuldades, correndo o risco de ela própria se tornar agressora. Continue a ler “Crianças e castigos corporais”

Anorexia nervosa

Perturbações alimentares

A Anorexia Nervosa é uma das perturbações do comportamento alimentar mais comuns. Trata-se de uma patologia psiquiátrica com três características essenciais: restrição persistente do consumo de energia (alimentos), medo intenso de ganhar peso ou comportamentos persistentes que interferem com o ganho de peso (vómito) e perturbação da percepção do seu próprio peso ou imagem corporal.

O Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM-5) insere-a nas perturbações da alimentação e da ingestão e define como critérios de diagnóstico, a restrição do consumo de energia relativamente às necessidades que conduz a um peso significativamente baixo para a idade, sexo, trajectória do desenvolvimento e saúde física; o medo de engordar e ganhar peso e os comportamentos persistentes que interferem com o ganho de peso, mesmo quando este já é significativamente baixo. Constitui-se ainda como critério de diagnóstico, a perturbação na própria apreciação do peso ou do aspecto e forma corporal, bem como a ausência do reconhecimento da gravidade do peso actual. Continue a ler “Anorexia nervosa”

O meu filho parece a minha sombra…

Ansiedade de separaçãoA perturbação de ansiedade de separação caracteriza-se por manifestações de ansiedade excessiva e inadequada para o nível de desenvolvimento da criança/adolescente, relativa à separação da casa ou das pessoas a quem está vinculada.

O medo ou a angustia de separação de figuras de vinculação, ou seja, das figuras mais significativas para a criança, aparece aproximadamente por volta 8 meses. Em amostras comunitárias cerca de 41% de crianças relatam preocupações relativamente à separação dos pais (Costello & Angold, 1995). Alguma reacção negativa à separação em idades precoces pode ser normativa e passageira, no entanto, algumas crianças podem vir a desenvolver mais tarde uma perturbação de ansiedade de separação. Este tipo de perturbação tem habitualmente o seu início na infância, entre os 7 e os 12 anos, sendo a sua prevalência de cerca de 3 a 13% em crianças e de 1,8 a 2,4% em adolescentes, manifestando-se principalmente no género feminino. Continue a ler “O meu filho parece a minha sombra…”

Ansiedade: crianças e adolescentes

MedoA ansiedade é uma emoção humana básica, que surge sempre que uma situação é interpretada como perigosa. Tem uma função adaptativa de protecção, isto é, serve para alertar o indivíduo para situações novas ou ameaçadoras e permitir a execução rápida de acções para lidar com essas situações. Estas acções incluem fuga, imobilidade, defesa agressiva, submissão, etc.

Nas crianças, ao longo do primeiro ano de vida, os medos mais comuns são os ruídos, as pessoas estranhas e a separação das figuras significativas, como por exemplo, os pais ou os seus substitutos. Na idade pré-escolar, o medo de estranhos e a separação das figuras de vinculação continuam a ser medos bastante frequentes, juntando-se a estes o medo de trovoadas e de animais. A partir dos 6 anos os acontecimentos sobrenaturais, as feridas e o sofrimento físico, as preocupações com a saúde ou a morte e os medos relacionados com o desempenho e a vivência escolar, passam a ter expressão significativa. Mais tarde, na adolescência, os jovens têm nos seus relacionamentos interpessoais, na autoimagem e nas questões relacionadas com a sexualidade, os seus maiores receios. Continue a ler “Ansiedade: crianças e adolescentes”

Perturbação Desafiante de Oposição (PDO)

Oposição e desafio

A Perturbação Desafiante de Oposição (PDO) enquadra-se nas Perturbações Disruptivas do Controlo dos Impulsos e do Comportamento, e constitui um problema que tem vindo a crescer e a preocupar cada vez mais as famílias, os profissionais de saúde e do ensino, bem como a sociedade em geral.

Esta perturbação caracteriza-se por um padrão persistente de comportamentos conflituosos e desafiantes, humor irritável, atitudes rancorosas e vingativas. A desobediência e hostilidade manifestam-se particularmente perante as figuras de autoridade (e. g. pais, outros cuidadores e professores). Trata-se de uma perturbação psicológica muito comum na criança e no adolescente, que pode perturbar de forma significativa todos os contextos da sua vida.

Perturbações do comportamentoA perda frequente do controlo, os sentimentos de raiva e ressentimento, as discussões com adultos ou grupo de pares, o culpar os outros pelos seus próprios erros e o incumprimento de regras, são exemplos de atributos presentes nesta perturbação, que podem ter um impacto muito negativo nas diferentes áreas funcionais da criança ou do adolescente (e. g. familiar, educacional, social, …).  Por vezes estes comportamentos podem observar-se apenas em casa ou com membros da família, e neste caso a perturbação é considerada de menor gravidade do que se os comportamentos se apresentarem de forma global, ou seja, nos vários contextos de vida da criança. Continue a ler “Perturbação Desafiante de Oposição (PDO)”

As crianças e os meios electrónicos de comunicação

Dispositivos eletrònicosA presença dos meios electrónicos de comunicação na vida das nossas crianças é hoje em dia uma inevitabilidade. A televisão, o tablet, o computador e o telemóvel, são presenças assíduas na vida dos nossos filhos desde cedo. Estes dispositivos são frequentemente diabolizados, mas podem ter uma utilização útil e favorável se disponibilizados de forma equilibrada, como tudo na vida. Tornar-mo-nos reféns deles ou pior ainda, tornar as crianças dependentes desses meios é que me parece perigoso e desadequado e com efeitos prejudiciais, quer a curto, quer a longo prazo.

O que me parece preocupante é o facto de as crianças, a partir dos 2 anos, passarem cada vez mais tempo a ver televisão, a jogar e a interagir com a máquina, por vezes em detrimento de outras actividades mais saudáveis, do ponto de vista físico e social. Muitos dos conteúdos aos quais as crianças têm acesso fácil são violentos e desadequados. Ora, se as crianças aprendem por imitação, não é difícil entender que a probabilidade de aprenderem comportamentos agressivos através desses conteúdos e de os reproduzir é elevada. Usar a violência quando acontece algo que os contraria, ser agressivo para ganhar a alguém e usar a força física para resolver um problema, não é com certeza o modelo que queremos para os nossos filhos. Continue a ler “As crianças e os meios electrónicos de comunicação”

Crianças expostas à violência

Crianças e violência

A violência está infelizmente muito presente na vida das crianças, sob várias formas e proveniente de origens diversas. Não é tarefa fácil eliminar todas as fontes de violência que possam dar às nossas crianças, exemplos de acções e reacções agressivas. Mas o que é afinal a violência e de que forma pode ela entrar na vida de uma criança?

A violência pode ser descrita como a utilização da agressividade, de forma intencional e excessiva, para ameaçar ou cometer uma acção que possa causar dano físico, emocional ou psicológico. A violência chega às crianças através das suas relações familiares, escolares e sociais. Muitas vezes os agressores estão dentro da própria família, mas as crianças também podem vivenciar situações violentas por observação de interacções entre vizinhos, pela televisão ou até mesmo pelos jogos ou livros de histórias infantis. Continue a ler “Crianças expostas à violência”