Dislexia

DislexiaA dislexia é uma dificuldade significativa na escrita e na leitura (descodificação das palavras) e  que tem na sua génese um défice a nível do sistema fonológico.

O Manual de Diagnóstico e Estatística das Doenças Mentais (DSM-V) classifica a dislexia como uma Perturbação da Aprendizagem Específica com défice na leitura e caracteriza-a por um padrão de leitura em que se verifica fundamentalmente, desde as primeiras fases de aprendizagem, uma grande dificuldade na identificação das palavras escritas.

Podemos ser disléxicos independentemente da nossa capacidade intelectual, no entanto, as crianças com baixas capacidades cognitivas, défices sensoriais, ou perturbações emocionais, para além de também poderem ter dislexia, terão nestes casos o seu problema intensificado, em consequência dos referidos défices. Continue a ler “Dislexia” →

Mutismo selectivo, quando ele não fala

Não falaSegundo o Manual Diagnóstico e Estatístico das Doenças Mentais (DSM V), o mutismo selectivo traduz-se na incapacidade persistente do indivíduo para falar em situações sociais específicas, nas quais se espera que o faça (ex. na escola), apesar de conseguir falar noutras situações.

Esta perturbação interfere no percurso educacional, profissional ou ainda na comunicação do indivíduo em contexto social. A duração mínima da perturbação é de um mês (excepto o primeiro mês de escola) e a incapacidade para falar não se deve a um desconhecimento ou desconforto com a língua exigida pela situação social. As características que conduzem ao diagnóstico incluem, não se juntarem com outros indivíduos em interacções sociais e as crianças com mutismo selectivo não iniciam a conversa nem respondem reciprocamente quando os outros falam com elas. A incapacidade para falar acontece em interacções sociais com crianças ou adultos. As crianças com mutismo selectivo falam quando estão em casa na presença de elementos da família mais próximos, mas com frequência não o fazem diante de amigos ou familiares mais afastados. Continue a ler “Mutismo selectivo, quando ele não fala” →

Ansiedade de Separação

Ansiedade separação

Dentro do espectro das perturbações de ansiedade na infância e na adolescência, a perturbação de ansiedade de separação é uma das formas mais expressivas e que pode ter consequências desadaptativas importantes.

Segundo a American Psychological Association (APA) esta perturbação é caracterizada por uma reacção anormal à separação de um ente próximo, separação esta que pode ser real ou imaginária e que interfere significativamente nas actividades diárias e no desenvolvimento do individuo. A criança/adolescente apresenta um medo excessivo da separação das figuras de vinculação, habitualmente os pais ou outros cuidadores que os substituam. Este medo pode começar a manifestar-se por volta dos 8 meses de idade, no entanto, a perturbação de ansiedade de separação tem por norma o seu início entre os 7 e os 12 anos, podendo porém ter um início precoce e manifestar-se antes dos 6 anos. A investigação nesta área aponta para uma prevalência de 3 a 13% em crianças e 1,8 a 2,4% em adolescentes, com maior incidência no sexo feminino (Costello & Angold, 1995). Continue a ler “Ansiedade de Separação” →

Relações de amor e de amizade

Relações pessoaisO Homem é um animal relacional e estabelece ao longo da vida vários tipos de relações com os outros, tendo cada um desses tipos de relacionamentos as suas características e critérios particulares. Relações de trabalho, de amizade ou de amor, são exemplos dos vários tipos de relacionamentos que se estabelecem e mantêm (ou não) ao longo da vida.

Diferentes relacionamentos implicam diferentes critérios de escolha. Habitualmente, os critérios para a selecção de um parceiro romântico são mais exigentes do que os critérios para a escolha e criação de relações de amizade. Esse facto parece ser explicado, em parte, pelas funções evolutivas e adaptativas inerentes às relações românticas e que não se encontram presentes nas relações entre amigos. Essas mesmas funções conduzem a um maior cuidado na escolha e maior selectividade, de modo a garantir ou pelo menos procurar salvaguardar, uma genética mais favorável à descendência. Continue a ler “Relações de amor e de amizade” →

Diferentes formas de aprender

AprendizagemDesde que nascemos que aprendemos. Aprendemos a andar, a falar, a comportar-mo-nos. Vamos para a escola e aprendemos, aprendemos… a própria vida é uma aprendizagem constante. Mas como é que aprendemos? E qual será a melhor forma de se aprender?

Ouvem-se muitas vezes os jovens dizerem que lhes basta estarem com atenção na aula para aprenderem. Será mesmo assim? Será esse método eficaz em todas as etapas da escolaridade? E ao longo da vida? Há muitas coisas que temos que aprender e que não nos são ensinadas em sala de aula… Todos nós somos diferentes e temos um funcionamento cognitivo próprio, de modo que, cada um de nós tem a sua percepção sobre o modo como aprende melhor, mas nem sempre. Existem efectivamente muitas formas de aprender e coisas diferentes também se aprendem de formas diferentes.

AprendizagemPodemos aprender pela prática ao executarmos uma determinada tarefa ou aprender por rotina quando repetimos o mesmo comportamento e ele se torna automático, como é o caso de andar de bicicleta ou da condução de um automóvel. Outra forma de aprendermos é por imitação, Vemos fazer, imitamos o modelo e adquirimos uma determinada competência. Este tipo de aprendizagem é muito comum em contexto de família ou de grupo de pares. Podemos também aprender por aproximação sucessiva, ou por tentativa e erro. De cada vez que tentamos executar algo e erramos, voltamos a tentar de forma diferente até conseguirmos atingir o nosso objectivo. Também podemos aprender por associação pois temos tendência a associar mentalmente algo de novo a algo que já conhecemos. Por exemplo, se acabo de conhecer uma pessoa chamada Celeste e tenho uma tia com esse nome poderei associar a pessoa que acabei de conhecer, à minha tia, e assim lembrar-me-ei do seu nome.

AprendizagemAprendemos por memorização, decorando algo como a letra de uma canção ou a tabuada, porque lemos, ouvimos ou repetimos muitas vezes, mas esta forma de aprender não garante a compreensão do conteúdo – cuidado! Outra forma de aprendizagem é a resolução de um problema. Deparando-nos com uma determinada situação, há que resolvê-la. O modo como o fazemos traz-nos um ensinamento. Assim como também se aprende por análise de um texto, de uma equação ou de um acontecimento. Analisando o que lemos ou vemos ou que nos é relatado, retiramos conclusões que nos ensinam alguma coisa. E depois existem os mapas mentais ou esquemas. Ao construirmos um mapa mental, por exemplo do caminho que nos conduz a um determinado lugar, podemos conserva-lo e utiliza-lo da próxima vez que lá tivermos que voltar.

AprendizagemE podemos aprender a aprender! Quando um aluno em dificuldades por ver o seu rendimento escolar a baixar, procura a ajuda de um Psicólogo, este vai ensinar-lhe diferentes métodos de estudo e monitorizar a eficácia de cada um deles. Em conjunto, vão chegar à conclusão de que uns funcionam melhor do que outros ou mesmo de que uns métodos funcionam bem com certas matérias ou disciplinas e outros métodos funcionam melhor com outras. Está a aprender a aprender!

Inteligência emocional

Competências sociaisA inteligência emocional é a capacidade que cada um de nós tem para identificar as suas próprias emoções (raiva, zanga, frustração, alegria, surpresa, tristeza, etc.) e de as conseguir gerir e controlar de modo a  poder pensar de forma clara, conter a impulsividade e tomar as melhores decisões. É ainda a nossa capacidade de reconhecer as emoções dos outros, ou seja, de se conseguir colocar no lugar do outro.

A Inteligência emocional é fundamental para que o indivíduo se possa conhecer a si mesmo e compreender os outros ao mesmo temo que pode fazer de nós seres altruístas, empáticos, com facilidade nos relacionamentos sociais e que evitam o conflito. Reconhecer as nossas próprias emoções, significa identificar o que sentimos e ter a capacidade de o expressar de forma adequada. Por exemplo, se conseguirmos utilizar um sentimento de zanga, em benefício de algo que está a funcionar mal e em consequência da nossa acção, a situação melhorar, isso é ser emocionalmente inteligente. Pelo contrário, se sentirmos raiva e usarmos esse sentimento para agredir ou destruir algo, nada vai melhorar e o problema que despoletou esse sentimento possivelmente vai permanecer ou até mesmo piorar. Continue a ler “Inteligência emocional” →

Alunos desmotivados

Desmotivação escolar

Parecem ser cada vez mais frequentes as queixas dos pais em relação à desmotivação dos filhos para o estudo. Deparo-me muitas vezes na minha prática clínica com casos de adolescentes e até algumas crianças mais novas, que revelam grande desinteresse pela escola, ou seja, pelas aulas e pelas matérias.

Palavras como é uma seca, não tenho paciência, não preciso de saber aquilo para nada, etc., são ouvidas amiúde e causam grande preocupação a pais, professores e outros profissionais, como é o caso dos psicólogos. As causas deste desinteresse e falta de empenho de alguns jovens na vida escolar são multifactoriais e algumas delas difíceis de contornar mas os efeitos que esta desmotivação tem nos nossos miúdos é sem dúvida nefasto. Torna-se imperativo ajudar estes jovens, quer através de uma intervenção que promova o aumento da sua motivação e autoeficácia, quer no treino de estratégias de aprendizagem e monitorização das mesmas.

 Em contexto de intervenção/acompanhamento psicológico, após a avaliação psicológica do jovem, torna-se necessária a avaliação da sua disponibilidade para mudar, isto é, do seu envolvimento num plano de mudança. Estará a criança/adolescente disposta a deixar-se ajudar? Estará disposta a mudar algo em si, na sua forma de pensar e de se comportar no sentido de aumentar a sua motivação e melhorar o seu desempenho? Continue a ler “Alunos desmotivados” →

Separação, divórcio e alienação parental

Divórcio separaçãoPerante a separação de um casal com filhos menores, torna-se fundamental a protecção das crianças, devendo estas tornar-se no principal alvo de preocupação dos pais, de modo a que não haja a tendência de as colocar contra um dos progenitores.

Com o crescente número de separações e divórcios, muitos deles litigiosos, os pais têm o dever de minimizar o sofrimento dos filhos uma vez que estes se vêem forçados a adaptar a uma nova realidade, muitas vezes precedida de acontecimentos traumáticos. A par de lidarem com os traumas, ansiedades e inseguranças que uma situação de separação dos pais pode gerar nas crianças, estas têm forçosamente que ser protegidas do flagelo da alienação parental, sob pena de virem a ter consequências muito graves ao nível do seu funcionamento emocional, saúde física, percurso relacional e desempenho escolar. Continue a ler “Separação, divórcio e alienação parental” →

A vida, os filhos e o tempo

Tempo para os filhos

No decorrer da minha prática profissional enquanto psicóloga clínica em contexto pediátrico, venho cada vez mais a aperceber-me de que há pais que lutam com grandes dificuldades no exercício da sua parentalidade. Uma das questões que muito me preocupa é a questão do tempo ou da falta dele, muitas vezes referido pelos pais em consulta.

Os dias de hoje são sem dúvida de uma grande exigência para nós, comuns mortais, que acumulamos tarefas, funções e papéis, como se não houvesse amanhã. São as exigências académicas e a crescente competitividade nesse campo, por parte dos mais novos, com a necessidade de mostrarem um desempenho de excelência em todas as áreas, de serem os melhores, de ficarem à frente… Já para não falar das actividades extra-curriculares, encaixadas cuidadosamente entre os horários escolares e que fazem as nossas crianças andarem num verdadeiro carrossel de ocupações, mas isso será tema para outra reflexão. Continue a ler “A vida, os filhos e o tempo” →

Psicologia Pediátrica

Psicólogo infantil

A infância é uma fase da vida em que tudo acontece a um ritmo alucinante. O desenvolvimento infantil é rápido e encerra em si uma série de tarefas de adaptação muito exigentes.

É uma etapa muito importante na vida e a forma como é vivida vai determinar o modo como a criança se vai autonomizar, construir a sua identidade e desenvolver a sua saúde física e emocional. Assim, a infância deverá ser feliz, tranquila, apoiada, cheia de boas experiências e muito amor. Porém, por vezes há problemas familiares, sociais ou até mesmo contextuais que impedem que a infância seja um período dourado da vida. Continue a ler “Psicologia Pediátrica” →