Entrevista motivacional

AmbivalênciaA entrevista motivacional é considerada por si só, não apenas como uma trivial entrevista de recolha de informação mas principalmente como um modelo de intervenção terapêutica. Baseada em constructos da psicologia social experimental como, por exemplo, a atribuição causal, a dissonância cognitiva e a auto-eficácia, esta entrevista tem características muito específicas e uma eficácia cientificamente comprovada.

Trata-se de um conjunto de estratégias relacionais que em contexto de intervenção terapêutica, tem revelado ser promotora de comportamentos orientados para a saúde. A entrevista motivacional tem sido descrita como um modelo de intervenção constituído por duas fases: a primeira fase enfatiza a promoção da motivação intrínseca e a segunda fase, baseia-se no compromisso para a mudança. Pretende-se através deste modelo que o sujeito possa entender a importância da mudança para a sua vida e para o seu bem-estar. Continue a ler “Entrevista motivacional” →

Time in, time out e os comportamentos difíceis das crianças

ComportamentosUma das principais intervenções para a gestão de comportamentos disruptivos em crianças é fornecer aos pais estratégias de gestão de comportamentos. As técnicas de treino parental foram cuidadosamente documentadas e têm suporte empírico significativo na literatura como uma intervenção para problemas de comportamento em crianças.

 Existem alguns componentes-chave para a maioria dos programas de treino parental, incluindo a psicoeducação, o ensino de como fornecer atenção diferencial aos comportamentos das crianças, como fornecer instruções eficazes, como usar consequências como recompensas e em tempo apropriado e como integrar essas habilidades num abrangente plano de gestão comportamental. Os programas de treino parental são normalmente oferecidos em formatos de 8 a 12 sessões, muitas vezes promovendo competências de acordo com a fase de desenvolvimento da criança. Cada competência é ensinada através de informações didácticas, bem como modelagem e role playing com a mãe/pai e/ou a criança no consultório. Continue a ler “Time in, time out e os comportamentos difíceis das crianças” →

Mudar comportamentos

Mudança comportamentalMudar um comportamento pode não ser tarefa fácil. Muitas vezes, mudar um comportamento implica alterar hábitos de longa duração, ou seja, acções já há muito tempo mantidas e que podem efectivamente, estar já automatizadas no nosso dia-a-dia.

Para que haja a mudança de um comportamento, a pessoa precisa de ter intenção de o fazer, ou melhor, estar motivada para essa mudança. Para além disso precisa de tomar decisões e de planear acções, isto é, encontrar comportamentos alternativos para poder substituir aqueles que quer ver modificados. Para estas tarefas, a ajuda do/a psicólogo/a é fundamental para que o individuo se sinta apoiado na tomada de decisões mas também para iniciar as novas rotinas. Tão importante como adoptar novos comportamentos, mais adaptativos, é conseguir mantê-los, resistindo às tentações e por vezes ao que é mais fácil, ao que está habituado. Continue a ler “Mudar comportamentos” →

Avaliação Psicológica – princípios e especificidades

AvaliaçãoA avaliação psicológica insere-se nas competências profissionais exclusivas do Psicólogo/a e só a este/a é conferida legitimidade para a realização deste trabalho, com recurso a técnicas e instrumentos específicos para o efeito e para cuja utilização  está capacitado.

O processo de avaliação psicológica tem início sempre que é pedida a resposta a uma questão ou um parecer profissional sobre um determinado caso ou indivíduo. O Psicólogo/a analisa até que ponto se sente habilitado para dar resposta a esse pedido mas também deve verificar se este se encontra dentro dos critérios éticos estabelecidos pelo código deontológico, que tem por objectivo guiar este profissional de saúde mental, no sentido de práticas de excelência, garantindo que o seu exercício profissional é o máximo ético e não o mínimo aceitável (Código Deontológico da Ordem dos Psicólogos Portugueses, Diário da República, 2.ª série — N.º 78 — 20 de Abril de 2011). Continue a ler “Avaliação Psicológica – princípios e especificidades” →

As doenças, os factores de risco e o papel do psicólogo

Psicologia da saude e da doençaSegundo a Direcção Geral de Saúde (2016), as doenças com maior impacto na população portuguesa são: o cancro (18,5%), as doenças cardiovasculares (15,4%), os problemas de saúde mental e comportamental (8,9%), as doenças respiratórias (4,1%) e a diabetes (3,6%).

Para todas estas patologias, os factores de risco são um traço comum. Desde os hábitos alimentares, à hipertensão, passando pelo excesso de peso e os consumos excessivos de tabaco e álcool, todos estes comportamentos estão de algum modo relacionados com as referidas patologias mas também associados entre si. Daí se conclui que a prevenção da doença e a promoção da saúde deverá incidir na mudança comportamental para a implementação de hábitos de vida saudáveis. E qual é o papel do psicólogo a este nível? Continue a ler “As doenças, os factores de risco e o papel do psicólogo” →

1º Fórum da Saúde Mental 2018 – Lisboa

forumDecorreu nos passados dias 26 e 27 de Setembro, em Lisboa, o 1º Fórum da Saúde Mental. Um evento de extrema relevância atendendo à elevada prevalência de perturbações do foro psiquiátrico e psicológico na nossa população, assim como à pouca atenção que por vezes é dada às problemáticas relacionadas com a saúde mental, que, à semelhança por exemplo da saúde oral, parecem ser os parentes pobres da medicina, em especial no que se refere aos orçamentos a elas disponibilizados.

O evento em questão contou com a participação de inúmeros palestrantes de renome, e outros menos conhecidos mas com uma intervenção importante nas diversas áreas da saúde mental. Médicos, psiquiatras, psicólogos, investigadores e até um arquitecto e um mestre em teatro, entre outros, deram o seu precioso contributo, não só pela partilha de experiências e saberes mas principalmente pelos trabalhos que têm vindo a desenvolver junto às comunidades, os quais deram a conhecer, esperando-se que sejam inspiradores para que outros profissionais da área os possam replicar ou até aprimorar. Continue a ler “1º Fórum da Saúde Mental 2018 – Lisboa” →

Obesidade na criança e no adolescente

obesidadeA prevalência de problemas de excesso de peso e obesidade, na infância e na adolescência, tem vindo a aumentar consideravelmente nas últimas décadas, tendo-se tornado num grave problema de saúde pública, não só em Portugal, mas também em muitos outros países da Europa e do mundo.

Importa diferenciar obesidade de excesso de peso, sendo que a Organização Mundial de Saúde (2007) Considera excesso de peso o aumento do peso corporal do indivíduo acima do seu peso normal em 10-20%, o que corresponde a um índice de massa corporal (IMC) entre 25-30 Kg/m2. Obesidade corresponde a um aumento do peso corporal do indivíduo superior a 20% do seu peso normal, por acumulação de gordura e que equivale a um IMC igual ou superior 30 Kg/m2, pondo em risco a sua saúde. As causas da obesidade são multifactoriais: factores biológicos, genéticos, comportamentais, ambientais e culturais influenciam o desenvolvimento desta condição. Embora a hereditariedade e a genética pareçam exercer uma grande influência no desenvolvimento da obesidade, os factores comportamentais, têm nos dias de hoje, muita relevância.
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Perturbação Desafiante de Oposição (PDO)

Oposição e desafio

A Perturbação Desafiante de Oposição (PDO) enquadra-se nas Perturbações Disruptivas do Controlo dos Impulsos e do Comportamento, e constitui um problema que tem vindo a crescer e a preocupar cada vez mais as famílias, os profissionais de saúde e do ensino, bem como a sociedade em geral.

Esta perturbação caracteriza-se por um padrão persistente de comportamentos conflituosos e desafiantes, humor irritável, atitudes rancorosas e vingativas. A desobediência e hostilidade manifestam-se particularmente perante as figuras de autoridade (e. g. pais, outros cuidadores e professores). Trata-se de uma perturbação psicológica muito comum na criança e no adolescente, que pode perturbar de forma significativa todos os contextos da sua vida.

Perturbações do comportamentoA perda frequente do controlo, os sentimentos de raiva e ressentimento, as discussões com adultos ou grupo de pares, o culpar os outros pelos seus próprios erros e o incumprimento de regras, são exemplos de atributos presentes nesta perturbação, que podem ter um impacto muito negativo nas diferentes áreas funcionais da criança ou do adolescente (e. g. familiar, educacional, social, …).  Por vezes estes comportamentos podem observar-se apenas em casa ou com membros da família, e neste caso a perturbação é considerada de menor gravidade do que se os comportamentos se apresentarem de forma global, ou seja, nos vários contextos de vida da criança. Continue a ler “Perturbação Desafiante de Oposição (PDO)” →

Hipocondria ou a mania das doenças?

SomatizaçãoA hipocondria, actualmente denominada de Perturbação de Ansiedade de Doença, é uma doença imaginária que causa sofrimento real no indivíduo. Habitualmente desvalorizada, esta perturbação é vulgarmente referida como a mania das doenças. A pessoa que sofre deste problema é muitas vezes ignorada e as suas queixas são banalizadas pelos outros, no entanto o seu sofrimento é uma realidade.

A Perturbação de Ansiedade de Doença é uma doença do foro psiquiátrico que vem descrita e enquadrada no Manual de Diagnóstico e Estatística das Doenças Mentais (DSM-V) como uma perturbação de ansiedade. A denominação hipocondria foi excluída do referido manual, em grande parte devido ao carácter pejorativo com o qual o diagnóstico era recebido. Esta perturbação está classificada como uma perturbação de sintomas somáticos, no entanto, apenas se aplica a uma minoria de casos. Envolve uma preocupação em ter ou vir a contrair uma doença grave e embora o indivíduo possa apresentar sintomas, estes são normalmente ligeiros e a avaliação médica não consegue identificar uma condição médica que os justifique.

HipocondriaO sofrimento destas pessoas advém do medo e da ansiedade que apresentam pela crença ou suspeição de terem uma doença grave e não da queixa física em si. Quando há de facto uma condição médica diagnosticada, o sofrimento que referem e o medo e ansiedade que apresentam é excessivo e desproporcionado em relação à gravidade dessa mesma condição. Os indivíduos com Perturbação de Ansiedade de Doença ficam facilmente assustados em situações como lerem ou ouvirem uma notícia sobre uma determinada doença ou terem conhecimento de que alguém conhecido está doente. Continue a ler “Hipocondria ou a mania das doenças?” →

Suicídio na adolescência

Comportamentos auto lesivosNa adolescência, os comportamentos auto lesivos e a ideação suicida, são dois problemas graves que têm vindo a aumentar a nível mundial (Williams & Bydalek, 2007). Em Portugal ocorrem todos os anos cerca de 600 casos de suicídio e 2400 comportamentos para-suicidas, estimando-se que seja a segunda causa de morte de jovens entre os 15 e os 24 anos, logo depois dos acidentes rodoviários.

A adolescência é  uma fase de intensas transformações, ambiguidades e conflitos, em que o jovem pode por vezes entrar por caminhos mais tortuosos e assumir comportamentos agressivos, impulsivos ou mesmo suicidas, como solução para os seus problemas. Sentindo desespero e impotência perante as dificuldades, alguns jovens parecem não encontrar outra solução para o alívio do seu sofrimento intolerável que não seja o suicídio ou o ataque ao seu próprio corpo (Borges & Werlang, 2006), o que pode sugerir que a maioria dos adolescentes que se evolvem em comportamentos auto lesivos, o fazem como forma de regulação emocional ou também de comunicação social. Os jovens mais velhos são os que se encontram em maior risco uma vez que são os que já adquiriram maior autonomia e têm menor supervisão parental. Continue a ler “Suicídio na adolescência” →