Cérebro – o órgão onde tudo acontece!

Cérebro

O cérebro e o corpo são inseparáveis e ligam-se um ao outro através de circuitos bioquímicos e neuronais, envolvendo-se numa relação de reciprocidade. Os  nervos motores e sensoriais periféricos transportam sinais das diversas partes do corpo para o cérebro, e do cérebro para todas as partes do corpo. O cérebro lê os sinais, interpreta-os e responde, como pode.

No ser humano, de todos os sistemas de que é composto, o Sistema Nervoso (SN) é sem dúvida o mais complexo e sofisticado. A unidade funcional e estrutural deste sistema, também conhecida como célula neural ou neuronal, é o neurónio. É a unidade base do SN sendo o seu diâmetro de uma dimensão extremamente reduzida e existindo na ordem dos biliões no cérebro humano. Os neurónios diferem entre si no que diz respeito à sua localização, dimensão e funções. Cada neurónio tem uma morfologia adaptada à receção, integração, transmissão e ao processamento de sinais. Estes sinais são transmitidos por meio de estruturas altamente especializadas, que fazem a transmissão de um impulso nervoso de um neurónio para outro – as sinapses. Este impulso pode ser integrado, bloqueado e modificado de duas formas diferentes: as sinapses químicas, que são as mais frequentes no ser humano, e as elétricas. As sinapses químicas pressupõem a presença de neurotransmissores que são compostos químicos produzidos pelos neurónios e comunicados pelas sinapses, os quais são responsáveis por transmitir as informações necessárias para as diversas partes do corpo.

NeurotransmissãoO SN é o nosso grande comandante e é responsabilidade sua, a coordenação de toda e qualquer ação voluntária ou não, assim como a transmissão de sinais a todos os outros sistemas presentes no organismo, como o sistema motor, sensorial, cognitivo e a integração entre todos eles. O SN divide-se em 3 partes e são elas o Sistema Nervoso Central (SNC), o Sistema Nervoso Periférico (SNP) e o Sistema Nervoso Autónomo (SNA). Fazem parte do SNC o cérebro e a espinal medula. O SNP é formado principalmente por nervos (cranianos e espinais), gânglios e recetores sensoriais. O SNP divide-se ainda noutros dois subsistemas, o sistema nervoso somático (nervos sensoriais e motores) e o sistema nervoso autónomo que por sua vez engloba outros dois constituintes, o simpático e o parassimpático. Descrito assim mesmo de uma forma simplificada, percebe-se que o assunto é realmente complexo. Coloquemos então o foco no SNC, mais precisamente no cérebro – o órgão onde tudo acontece!

Neurónio

O cérebro divide-se em 4 partes, os lobos. O lobo frontal é o maior e é responsável pelos movimentos físicos, assim como pelas funções da aprendizagem, do pensamento, da memória e da fala. O lobo parietal é responsável pela perceção espacial e pela transmissão da informação sensorial como a dor, o calor ou o frio. O lobo temporal responde pelos estímulos auditivos e o lobo occipital recebe e processa as imagens visuais. Dividindo o cérebro ao meio, este apresenta uma função contra lateral, ou seja, a metade esquerda do cérebro controla o lado oposto do corpo (lado direito) e as funções do lado esquerdo do organismo são comandadas pela metade direita do cérebro. A lateralidade cerebral define que cada hemisfério controla determinadas funções (ex. o hemisfério direito confere a capacidade de reconhecer rostos e objetos e o esquerdo comanda a capacidade de leitura e escrita). Assim, o cérebro é o comandante de todas as funções e sentimentos, como os movimentos corporais, a memória e emoções. É a ação conjunta das várias partes do cérebro que permite ao ser humano capacidades como a marcha, a fala e a capacidade de pensar, sentir e amar.

Neurotransmissão

O cérebro é um órgão muito curioso e tem características e particularidades muito suas. Embora seja o responsável pela transmissão dos sinais e pela interpretação da sensação de dor, o cérebro em si é indolor. Sendo um orgão que pesa menos de 2 quilos, tem cerca de 160 000 quilómetros de vasos sanguíneos. O cérebro consome muita energia, embora o seu peso represente apenas cerca de 2% do peso total do corpo, ele gasta cerca de 25% de toda a energia de que o corpo humano necessita para funcionar. Este grande consumo de energia parece dever-se à manutenção dos processos relacionados com o pensamento e os processos corporais, sendo parte dela possivelmente investida na manutenção da saúde das células cerebrais.

Neurotransmissão

Estudos acerca do funcionamento cerebral por género revelam que o cérebro das mulheres é diferente do dos homens, ou seja, parece estar efetivamente comprovado que o cérebro das mulheres é mais orientado para as emoções e para a subjetividade, enquanto o dos homens parece ser mais racional e objetivo. O cérebro dorme mas não para. É durante os períodos de sono que o cérebro humano mais trabalha, conseguindo mesmo assimilar informação. Esse trabalho cerebral está relacionado com a atividade onírica, ou seja o sonhar. Com o avançar da idade, observam-se determinadas alterações no cérebro humano e algumas das suas partes começam a diminuir de forma natural, à qual se associa uma perda neuronal. As zonas cerebrais responsáveis pela regulação dos processos cognitivos como a memória, começam a diminuir por volta dos 65 /70 anos de idade o que pode conduzir à redução da plasticidade cerebral e da capacidade de adaptação dos indivíduos.

CérebroVoltando aos neurónios, a ideia de que estes não se reproduzem nem se dividem e que são insubstituíveis, foi durante muito tempo uma verdade absoluta. No entanto, alguns estudos mais recentes têm vindo a apontar para a possibilidade de haver um processo de neurogénese adulta, ou seja, a capacidade de se criar e reforçar os neurónios em idade mais tardia, através de uma série de práticas relacionadas aos hábitos vida saudáveis ao longo do tempo. A prática de exercício físico de corrida ou resistência, a dieta mediterrânica e a estimulação cognitiva, podem ajudar a manter o cérebro saudável. A aprendizagem facilita as conexões entre as diferentes áreas do cérebro e por isso pode constituir-se como um fator protetor contra a neuro degeneração. Porém, a neurogénese adulta, a ser uma realidade, tem um papel limitado incapaz de corrigir lesões cerebrais graves. A investigação e a ciência estarão decerto atentas a este problema e irão continuar a fazer esforços no sentido do prolongamento da saúde neuronal.

Cérebro

Até lá e pelo sim, pelo não, cuide-se para envelhecer melhor!

 

 

 

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Obesidade infantil e televisão

Obesidade

A obesidade e o excesso de peso na infância é atualmente uma das áreas que suscita grandes preocupações a profissionais de saúde, pais e educadores, assim como à comunidade científica, que em virtude do aumento da prevalência destas problemáticas entre os mais novos, se tem vindo a dedicar ao estudo desta matéria.

Sendo este um problema de saúde com graves consequências no desenvolvimento e no futuro da criança, há que estudar todas as possíveis causas, no sentido de se poderem encontrar soluções para as eliminar ou fazer diminuir o seu efeito. De entre as diversas causas atualmente apontadas para a elevada prevalência de problemas relacionados com o excesso de peso infantil, prevê-se que os meios de comunicação possam ter também um papel influenciador nesta matéria, nomeadamente a publicidade a alguns produtos alimentares, veiculada através da televisão. Vários são os estudos que se debruçaram sobre este tema, no entanto, nem todos são convergentes no que diz respeito aos resultados. Se uns apontam para uma forte influência da publicidade televisiva no que concerne a produtos alimentares de elevado teor de sal e açúcares, no consumo dos mesmos, outros há que não destacam essa variável mas sim, encontram uma associação direta negativa entre o ver televisão e a prática de exercício físico, ou por outras palavras, à medida que aumenta a atividade física, apesar dos valores elevados de consumo televisivo, a tendência para a obesidade diminui.

fast foodPor outro lado, os hábitos alimentares das sociedades modernas mudaram e começou a notar-se uma grande adesão por parte dos pais ao fast-food. Esta adesão deve-se em parte à comodidade mas também aos preços acessíveis que este tipo de alimentação oferece, tornando-se muitas vezes uma tentação, para muitas famílias difícil de resistir. Juntando este fator à falta de tempo e à quantidade de exigências do dia-a-dia, muitos pais facilitam e desvalorizam o consumo televisivo e tendem por vezes a não dar importância nem ao tempo, nem aos conteúdos a que as suas crianças estão sujeitas e a estímulos que podem ter um efeito pernicioso.  É certo que as escolhas alimentares das crianças resultam da combinação de vários fatores, não se podendo responsabilizar apenas a publicidade televisiva. Porém, o excesso de publicidade durante a exibição de programas infantis, especialmente em horário nobre televisivo, pode conduzir a um aumento da apetência para o seu consumo, com todos os potenciais efeitos negativos.

Excesso de peso infantil

Um trabalho de Story, Newmark-Sztainer e French (2002) identifica a existência de quatro níveis de fatores com grande relevância para a compreensão da escolha alimentar. O primeiro é o nível individual em que se observam fatores biológicos, comportamentais e psicossociais. O segundo é o nível ambiental que inclui a família e os amigos. O terceiro nível corresponde ao sistema comunitário que se refere à existência e ao acesso aos alimentos e o quarto nível tem a ver com o macrossistema que é a sociedade. É neste nível que se encontra a comunicação social, nomeadamente a oferta publicitária presente nos conteúdos televisivos infantis. Assim, pode-se dizer que em relação à exposição aos referidos conteúdos, estes conduzem também a uma maior exposição à publicidade a produtos alimentares pouco equilibrados do ponto de vista nutricional. Também o ver televisão pode estar associado ao consumo de petiscos doces ou salgados, habitualmente calóricos, ou até mesmo à ingestão de alimentos de forma distraída e por vezes abundante. Sendo o visionamento de televisão uma atividade sedentária, o metabolismo é reduzido e a atividade física é nula e vêm constituir-se como fatores de propensão ao aumento do peso.

Atividades ao ar livrePois bem, a ideia não é diabolizar a televisão nem entrar em extremismos pouco adaptativos. O objetivo deste artigo é o de chamar a atenção para estes factos do quotidiano, no sentido de consciencializar para os perigos dos excessos e para os benefícios do equilíbrio. Como em tudo na vida, o segredo está no equilíbrio. Não vamos proibir as nossas crianças de verem televisão, nem de terem contacto com a publicidade televisiva, nem mesmo proibi-las de comerem doces ou fast-food, a não ser que outros problemas de saúde o tornem imperativo. Vamos sim dar atenção ao tempo que as nossas crianças passam em frente ao écran e controlar o que ingerem durante esses períodos de tempo. Para além disso, promover a prática de exercício físico e de atividades ao ar livre, é sempre salutar e pode atuar como fator de proteção para o problema da obesidade assim como pode ajudar a promover o desenvolvimento de competências sociais, através da interação com outras crianças, ao mesmo tempo que pode proporcionar momentos de expressão afetiva.

VER TELEVISÃO

 

Fonte:

Story, M. T., Neumark-Stzainer, D. R., Sherwood, N. E., Holt, K., Sofka, D., Trowbridge, F. L., and Barlow, S. E. (2002), “Management child and adolescent obesity: Attitudes, barriers, skills, and training needs among health care professionals”, Pediatrics, 110 (1), 210-214.

 

Bulimia nervosa: atenção aos sinais!

Perturbações do comportamento alimentarA bulimia nervosa é uma perturbação do comportamento alimentar potencialmente grave e que se caracteriza pela ingestão oculta de grandes quantidades de comida, seguida da indução do vómito, ou numa outra forma, pela ingestão excessiva de calorias compensada por níveis demasiado intensivos de exercício físico ou pela utilização de diuréticos e laxantes.

Esta perturbação caracteriza-se pela ingestão alimentar compulsiva, como por exemplo, comer num período de tempo de duas horas, uma quantidade de alimentos, sem dúvida superior àquela que a maioria das pessoas conseguiria ou necessitaria de comer, no mesmo período de tempo. Por outro lado, a bulimia nervosa caracteriza-se também pela compensação excessiva e inapropriada, através de exercício físico, indução do vómito ou toma de laxantes, no sentido de diminuir os efeitos da ingestão desmedida de alimentos. Do mesmo modo, há uma sensação de descontrolo sob o acto de comer ou a incapacidade de parar, durante o acto compulsivo de ingestão alimentar. Estes comportamentos desadequados deverão verificar-se pelo menos uma vez por semana e durante um período de três meses, para que se possa apontar para um diagnóstico de bulimia nervosa.

Bulimia nervosaA prevalência desta perturbação do comportamento alimentar em mulheres jovens é de cerca de 1% e apresenta um pico no final da adolescência e início da idade adulta. Nos homens pouco se sabe acerca desta patologia mas sabe-se que é muito menos comum do que nas mulheres. O início da perturbação acontece habitualmente no final da adolescência ou início da idade adulta, sendo o seu início anterior à puberdade ou depois dos 40 anos, muito raro. É frequente que os comportamentos de ingestão compulsiva comecem durante ou após uma dieta de emagrecimento. Um dos fatores que podem precipitar esta situação, são os acontecimentos de vida marcantes e negativos. Numa grande maioria dos casos clínicos, esta perturbação mantem-se por vários anos, num curso crónico ou intermitente, ou seja, períodos de remissão alternados com períodos de ingestão compulsiva.

Comportamento alimentarAssociado a esta perturbação está o risco de suicídio, ou seja, em indivíduos com bulimia nervosa, a taxa de suicídio é de aproximadamente 2%, sendo particularmente importante a avaliação e despiste de ideação suicida e de comportamentos suicidários nestas pacientes. Cerca de 10 a 15% dos casos de bulimia nervosa evoluem para um quadro de anorexia nervosa e estes indivíduos tendem a oscilar entre períodos de bulimia e anorexia, tornando por vezes o diagnóstico difícil de definir e algumas vezes passam para um diagnóstico de perturbação de ingestão alimentar compulsiva ou para uma perturbação do comportamento sem outra especificação. Os indivíduos bulímicos podem apresentar grandes limitações funcionais, particularmente no que diz respeito ás relações sociais.

Bulimia nervosaOs fatores de risco para a bulimia nervosa são múltiplos, nomeadamente temperamentais, ambientais, genéticos e fisiológicos. No que diz respeito aos fatores temperamentais, destacam-se a baixa autoestima, a sintomatologia depressiva, preocupações com o peso e problemas de ansiedade. Em relação aos fatores ambientais, sabe-se que a internalização de um corpo magro ideal ou histórias de abuso físico ou sexual na infância, podem aumentar o risco do desenvolvimento de bulimia nervosa. A obesidade infantil e a maturação pubertária precoce, podem também constituir-se como fator de risco para o desenvolvimento desta perturbação, assim como a vulnerabilidade genética e a existência prévia de casos em familiares.

Comportamento alimentarEm termos de prevenção, destaca-se a manutenção de hábitos de vida saudáveis e a identificação precoce de qualquer sinal de perturbação alimentar. Nos casos em que a perturbação se começa a manifestar mais precocemente, o acompanhamento pediátrico regular, pode permitir a identificação de distúrbios alimentares logo que estes se manifestem. A manutenção de uma boa autoestima e o desenvolvimento de uma adequada perceção da autoimagem, mediada e modelada pelos pais e adultos significativos, desempenham um importante papel na prevenção das perturbações alimentares. Em termos de tratamento, a bulimia nervosa pode necessitar de uma intervenção farmacológica (e. g. antidepressivos), combinada com acompanhamento nutricional e psicológico. O envolvimento da família e dos amigos nestes casos é fundamental para o sucesso da intervenção. Em casos de extrema gravidade pode ser necessária a hospitalização.

As perturbações do comportamento alimentar são muito graves e preocupantes, no entanto, com o apoio certo e no momento certo, tudo se ultrapassa, tudo se resolve!

Não deixe de pedir ajuda.

 

Fonte: DSM-V – Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (Quinta edição) de American Pshychiatric Association

Psicologia clínica pediátrica: na saúde e na doença

Psicologia da DoençaQuando a criança sofre de uma condição fisiológica, principalmente se se tratar de uma doença crónica, como por exemplo a diabetes, a intervenção psicológica pode ser uma mais-valia, quer na aceitação do diagnóstico, quer na adaptação à doença e no desenvolvimento de estratégias para lidar com a mesma. Do mesmo modo, a intervenção psicológica pode promover a prevenção de doenças, como por exemplo a obesidade, educando para a saúde, no sentido de promover um desenvolvimento saudável da criança.

Uma criança doente é uma criança normal numa situação anormal, situação esta que pode potenciar emoções e comportamentos perturbados, como pode também alterar as rotinas esperadas da criança em determinada etapa do desenvolvimento. Pode no entanto, tornar-se numa experiência positiva em termos de aprendizagem de estratégias e formas de confronto, que poderão vir a ser utilizadas em situações de vida futuras. Habitualmente, a intervenção psicológica em contexto de doença física, é realizada num tempo relativamente curto e com objectivos muito concretos e pré-definidos, com recurso a metodologias de abordagem comportamental e cognitiva, orientadas para o objectivo. A intervenção deverá abranger não apenas a criança doente mas também os pais ou cuidadores, bem como alguns constituintes do contexto em que a criança se desenvolve, como por exemplo, os professores/educadores. Continue a ler “Psicologia clínica pediátrica: na saúde e na doença” →

Comportamentos auto lesivos e suicídio

Comportamentos auto lesivosNa adolescência, os comportamentos auto lesivos assumem uma grande relevância, estando associados a patologia psiquiátrica, podendo ser preditores de tentativas de suicídio no futuro.

Podemos entender por comportamentos auto lesivos (CAL), auto mutilação ou auto lesão não suicida, todos os comportamentos com resultado não letal, em que o sujeito se envolve deliberadamente, com o objectivo de causar dano a si mesmo mas sem a intenção de provocar a morte (ex. cortar-se, queimar-se, morder-se, saltar de alturas, ingerir medicamentos em dose excessiva…). Considera-se que hoje em dia, estes comportamentos na adolescência constituam um grave problema de saúde pública. Embora a investigação nesta área aponte Portugal como um dos países com menor taxa de prevalência desta problemática em relação a outros países da Europa, o facto é que mesmo assim, estes comportamentos são graves e relativamente frequentes durante a adolescência, principalmente em jovens do género feminino. Mais preocupante se torna, se acrescentarmos que cerca de 2/3 dos pais não têm conhecimento de que os seus filhos têm comportamentos de auto lesão. Entende-se por tentativa de suicídio, qualquer acto levado a cabo por um sujeito e que tem como objectivo a sua morte mas que por qualquer razão de diversas ordens e normalmente alheia à vontade do sujeito, acaba por não se concretizar. Já o suicídio consumado refere-se à morte provocada por uma acção levada a cabo pelo próprio sujeito, com a intenção de por fim à sua vida. Continue a ler “Comportamentos auto lesivos e suicídio” →

Internalização e externalização

InternalizaçãoAs perturbações habitualmente designadas de internalização ou de externalização, constituem um tipo específico de problema emocional e comportamental, que se manifestam em qualquer idade e com características bastante diversificadas.

As perturbações de internalização manifestam-se quando o sujeito tenta manter um controlo desajustado do seu estado emocional interno, utilizando para tal somente estratégias internas. Estas perturbações derivam da convergência de factores biológicos (ex. défice nos neurotransmissores), familiares (ex. conflitos conjugais ou parentais), acontecimentos de vida (ex.. morte de um familiar significativo, perda de capacidades físicas), factores cognitivos (ex. crenças erróneas) e factores comportamentais (ex. isolamento social). Podemos identificar vários tipos de perturbações de internalização, nomeadamente a depressão, a ansiedade, a somatização e a fobia social. Continue a ler “Internalização e externalização” →

A solidão e os mais velhos

EnvelhecerO conceito de solidão tem vindo a ser estudado por diversas áreas do conhecimento cientifico e pode ser entendido sob várias perspectivas. É um conceito que envolve uma grande subjectividade uma vez que a solidão é sentida por cada um de forma particular, sendo também alvo de inúmeras definições e significados.

Se para uns estar só significa estar fisicamente só, outros descrevem a solidão como um sentimento que podem ter, mesmo rodeados de uma multidão. Se uns desejam estar sós porque gostam de estar consigo mesmos e apreciam o silencio e a quietude, outros há que não suportam a ideia de ficarem sozinhos por mais do que um par de horas. À luz da psicologia, a solidão pode caracterizar-se pela ausência afectiva do outro e pela sensação de se estar sozinho. O outro pode até estar fisicamente perto, mas não existe aproximação psicológica, por falta de comunicação e de interacção emocional. Assim, a solidão constitui-se como um sentimento angustiante e doloroso, sentido pelo sujeito sempre que há discrepância entre o tipo de relação social que deseja ter e o tipo de relação social que consegue ter. Continue a ler “A solidão e os mais velhos” →

Obesidade infantil e juvenil

excesso de pesoSegundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o problema da obesidade é um dos maiores desafios para a saúde pública deste século. Nos últimos vinte anos e de um modo mais ou menos global, as taxas de obesidade em crianças e adolescentes aumentaram significativamente. Dados recentes da Associação Portuguesa contra a Obesidade Infantil (APCOI) revelam que, mais de 30% das crianças e adolescentes portugueses têm excesso de peso ou são obesos.

A obesidade infantil e juvenil constitui-se como um factor de risco para o desenvolvimento de outras patologias, como por exemplo a diabetes e as doenças cardiovasculares. Também a saúde psicológica dessas crianças/adolescentes pode ser afectada pela sua vivência com o excesso de peso. A baixa autoestima e autoconfiança, a dificuldade em lidar com a sua imagem corporal e o estigma social que leva por vezes a situações de discriminação, podem conduzir ao desenvolvimento de sintomatologia depressiva ou ansiosa. Estes estados, para além de interferirem com o bem-estar da criança/adolescente,  se não forem tratados, poderão agravar-se e prolongar-se pela idade adulta. O sofrimento psicológico experimentado por algumas destas crianças/adolescentes pode afectar de forma negativa o seu rendimento escolar e as suas relações sociais, levando por vezes ao isolamento, o que faz com que percam algumas experiências associadas a um saudável desenvolvimento mental. Neste contexto, o papel do psicólogo pode fazer a diferença. Continue a ler “Obesidade infantil e juvenil” →

Crianças e castigos corporais

Disciplinar e ensinar
A violência pode estar presente nas vidas das crianças de três formas distintas: os atos de violência a que assistem, os atos de violência de que podem ser vítimas e os atos de violência que elas próprias perpetram.

Uma das principais formas de violência presente nas vidas de algumas crianças são os castigos corporais. Os castigos corporais referem-se ao uso da força física por parte, habitualmente de adultos, com a intenção de corrigir ou controlar um comportamento desadequado, causando dor à criança. São exemplos de castigos corporais as palmadas, empurrões, beliscões, puxões de cabelo ou de orelhas, assim como o uso de produtos agressivos como por exemplo pimenta na língua, entre outros. Estes castigos corporais que não são menos que atos de violência utilizados contra as crianças, são muitas vezes justificados pela necessidade de disciplinar. Disciplinar é ensinar, e ao tentar disciplinar-se uma criança por meio de castigos corporais vai levar a que ela aprenda a resolver os seus problemas com base na violência. A criança agredida aprende a agredir como forma de lidar com os seus problemas e dificuldades, correndo o risco de ela própria se tornar agressora. Continue a ler “Crianças e castigos corporais” →

O poder do abraço

O poder do abraçoO toque físico pode ser tão agradável como necessário. Várias são as teorias que defendem que a estimulação pelo toque favorece o bem-estar físico e emocional dos indivíduos. O toque terapêutico, como por exemplo a massagem, constitui-se como uma ferramenta eficaz no alívio e tratamento de determinados sintomas físicos de doença. O abraço é uma forma especial de toque que pode contribuir para o aumento do bem-estar físico e emocional.

Algumas  pessoas não gostam de abraços e sentem-se desconfortáveis com o contacto físico. Qualquer tentativa de conforto pelo toque será desagradável e indesejada, criando uma barreira intransponível entre si e o outro. Abraçar e ser abraçado implica uma troca de afectos e disponibilidade para dar e receber, e quando essa disponibilidade não existe, quando o contacto físico é indesejado, forçar terá sempre um efeito nocivo. Há que saber ler os sinais transmitidos pelo outro e perceber se efectivamente o abraço pode ser ou não bem-vindo. Continue a ler “O poder do abraço” →