As crianças e os meios electrónicos de comunicação

Dispositivos eletrònicosA presença dos meios electrónicos de comunicação na vida das nossas crianças é hoje em dia uma inevitabilidade. A televisão, o tablet, o computador e o telemóvel, são presenças assíduas na vida dos nossos filhos desde cedo. Estes dispositivos são frequentemente diabolizados, mas podem ter uma utilização útil e favorável se disponibilizados de forma equilibrada, como tudo na vida. Tornar-mo-nos reféns deles ou pior ainda, tornar as crianças dependentes desses meios é que me parece perigoso e desadequado e com efeitos prejudiciais, quer a curto, quer a longo prazo.

O que me parece preocupante é o facto de as crianças, a partir dos 2 anos, passarem cada vez mais tempo a ver televisão, a jogar e a interagir com a máquina, por vezes em detrimento de outras actividades mais saudáveis, do ponto de vista físico e social. Muitos dos conteúdos aos quais as crianças têm acesso fácil são violentos e desadequados. Ora, se as crianças aprendem por imitação, não é difícil entender que a probabilidade de aprenderem comportamentos agressivos através desses conteúdos e de os reproduzir é elevada. Usar a violência quando acontece algo que os contraria, ser agressivo para ganhar a alguém e usar a força física para resolver um problema, não é com certeza o modelo que queremos para os nossos filhos. Continue a ler “As crianças e os meios electrónicos de comunicação” →

Nunca mais serei a mãe dela…

Perturbação de Oposição e DesafioA Fernanda tem 49 anos, é tradutora, casada e tem uma filha de 11 anos com uma Perturbação de Oposição e Desafio, diagnosticada há cerca de 5 anos. A Fernanda revelou desde sempre grande dificuldade em lidar com os comportamentos da filha. Actualmente procurou ajuda psicológica, entre outros motivos, por sentir que já não consegue suportar mais a sua vivência com a filha e por temer os desafios da adolescência, que se vai aproximando. A pedido da criança, a Fernanda está prestes a tomar a decisão de a deixar ir viver com os avós maternos, a 200 km da residência da família. Estes estão dispostos a tomar conta da neta no sentido de ajudarem a filha e por temerem o seu desequilíbrio emocional.

O marido da Fernanda é engenheiro civil e trabalha há cerca de 5 anos em Angola. Visita a família duas vezes por ano e tem para com a filha um estilo parental totalmente permissivo, o que vai contra todas as tentativas da Fernanda para disciplinar a filha, causando grandes conflitos entre o casal.

Na última sessão com a psicóloga, a Fernanda verbaliza: “Estou desesperada, a minha filha odeia-me e eu sinto que não vou conseguir aguentar a nossa relação por muito mais tempo. Amo a minha filha mas não consigo estar com ela mais de 5 minutos sem que deseje que ela desapareça. Estou aflita e não sei o que fazer, se a deixo ir para casa dos meus pais, nunca mais serei a mãe dela. Se fica comigo, acho que a qualquer momento ela vai deixar de ter mãe…

Crianças expostas à violência

Crianças e violência

A violência está infelizmente muito presente na vida das crianças, sob várias formas e proveniente de origens diversas. Não é tarefa fácil eliminar todas as fontes de violência que possam dar às nossas crianças, exemplos de acções e reacções agressivas. Mas o que é afinal a violência e de que forma pode ela entrar na vida de uma criança?

A violência pode ser descrita como a utilização da agressividade, de forma intencional e excessiva, para ameaçar ou cometer uma acção que possa causar dano físico, emocional ou psicológico. A violência chega às crianças através das suas relações familiares, escolares e sociais. Muitas vezes os agressores estão dentro da própria família, mas as crianças também podem vivenciar situações violentas por observação de interacções entre vizinhos, pela televisão ou até mesmo pelos jogos ou livros de histórias infantis. Continue a ler “Crianças expostas à violência” →

Hipocondria ou a mania das doenças?

SomatizaçãoA hipocondria, actualmente denominada de Perturbação de Ansiedade de Doença, é uma doença imaginária que causa sofrimento real no indivíduo. Habitualmente desvalorizada, esta perturbação é vulgarmente referida como a mania das doenças. A pessoa que sofre deste problema é muitas vezes ignorada e as suas queixas são banalizadas pelos outros, no entanto o seu sofrimento é uma realidade.

A Perturbação de Ansiedade de Doença é uma doença do foro psiquiátrico que vem descrita e enquadrada no Manual de Diagnóstico e Estatística das Doenças Mentais (DSM-V) como uma perturbação de ansiedade. A denominação hipocondria foi excluída do referido manual, em grande parte devido ao carácter pejorativo com o qual o diagnóstico era recebido. Esta perturbação está classificada como uma perturbação de sintomas somáticos, no entanto, apenas se aplica a uma minoria de casos. Envolve uma preocupação em ter ou vir a contrair uma doença grave e embora o indivíduo possa apresentar sintomas, estes são normalmente ligeiros e a avaliação médica não consegue identificar uma condição médica que os justifique.

HipocondriaO sofrimento destas pessoas advém do medo e da ansiedade que apresentam pela crença ou suspeição de terem uma doença grave e não da queixa física em si. Quando há de facto uma condição médica diagnosticada, o sofrimento que referem e o medo e ansiedade que apresentam é excessivo e desproporcionado em relação à gravidade dessa mesma condição. Os indivíduos com Perturbação de Ansiedade de Doença ficam facilmente assustados em situações como lerem ou ouvirem uma notícia sobre uma determinada doença ou terem conhecimento de que alguém conhecido está doente. Continue a ler “Hipocondria ou a mania das doenças?” →

Avaliação funcional do idoso

Avaliação idososA velhice normal pode ser entendida como um estado em que não há doença física ou psicológica, apesar de se constituir como um processo progressivo e irreversível, que afecta a capacidade de adaptação do indivíduo e do seu organismo às actividades de vida diária e ao contexto.

A velhice patológica é caracterizada por doenças, muitas vezes crónicas, que comprometem essa mesma capacidade de adaptação do idoso, impedindo por vezes o controlo da sua própria vida e a manutenção da sua autonomia e independência. Se no idoso se observarem capacidades psicológicas e biológicas que permitem uma adaptação satisfatória às suas vivências pessoais e sociais, podemos dizer que está num processo de envelhecimento óptimo. Continue a ler “Avaliação funcional do idoso” →

Suicídio na adolescência

Comportamentos auto lesivosNa adolescência, os comportamentos auto lesivos e a ideação suicida, são dois problemas graves que têm vindo a aumentar a nível mundial (Williams & Bydalek, 2007). Em Portugal ocorrem todos os anos cerca de 600 casos de suicídio e 2400 comportamentos para-suicidas, estimando-se que seja a segunda causa de morte de jovens entre os 15 e os 24 anos, logo depois dos acidentes rodoviários.

A adolescência é  uma fase de intensas transformações, ambiguidades e conflitos, em que o jovem pode por vezes entrar por caminhos mais tortuosos e assumir comportamentos agressivos, impulsivos ou mesmo suicidas, como solução para os seus problemas. Sentindo desespero e impotência perante as dificuldades, alguns jovens parecem não encontrar outra solução para o alívio do seu sofrimento intolerável que não seja o suicídio ou o ataque ao seu próprio corpo (Borges & Werlang, 2006), o que pode sugerir que a maioria dos adolescentes que se evolvem em comportamentos auto lesivos, o fazem como forma de regulação emocional ou também de comunicação social. Os jovens mais velhos são os que se encontram em maior risco uma vez que são os que já adquiriram maior autonomia e têm menor supervisão parental. Continue a ler “Suicídio na adolescência” →

Focus Group

Gripos focaisUtilizamos a expressão investigação qualitativa como um termo genérico que agrupa diversas estratégias de investigação que partilham determinadas características. Os dados recolhidos são designados por qualitativos, o que significa que são ricos em pormenores descritivos relativamente a pessoas, locais e temas, e de complexo tratamento estatístico.

Faz parte desta metodologia a obtenção de dados descritivos mediante o contacto directo e interactivo do investigador com o objecto de estudo. O investigador procura compreender os fenómenos segundo a perspectiva dos participantes e da situação em estudo e daí fazer as suas interpretações (Neves, 1996). No âmbito da metodologia qualitativa podemos utilizar os grupos focais (focus group) na recolha de dados, que tem como objectivo compreender conhecimentos, percepções, crenças, atitudes, sentimentos e experiências dos indivíduos através dos seus múltiplos pontos de vista. Continue a ler “Focus Group” →

Idade escolar

Crianças 6-8 anosOs seis anos são uma idade muito importante na vida de uma criança e na vida da sua família, uma vez que é por norma a idade da entrada para a escola, ou seja, para o primeiro ano do ensino básico.

O início do percurso escolar de uma criança é também um marco no seu desenvolvimento cognitivo e social. Aos 6 anos as crianças já compreendem o ponto de vista dos outros e por isso têm consciência de que os outros podem pensar de um modo diferente do seu. O seu pensamento é concreto, isto é, conseguem perceber vários aspectos de um problema simples ao mesmo tempo. A capacidade de concentração aumenta para períodos de tempo mais longos o que vai facilitar o seu envolvimento nas tarefas escolares. Continue a ler “Idade escolar” →

A idade pré-escolar

3-5 anosAs crianças em idade pré-escolar (3 aos 5 anos) encontram-se num período do seu desenvolvimento motor, cognitivo e social, caracterizado por grandes mudanças. Estas mudanças que se manifestam através do pensamento e do comportamento da criança deverão ser apoiadas e acompanhadas com particular atenção por parte dos pais, cuidadores e educadores.

A partir dos 3 anos, a criança já consegue usar a imaginação, pensar e fantasiar acerca de situações, pessoas ou objectos, sem que estes estejam presentes.  Esta capacidade para usar a imaginação poderá levar a criança a imaginar algumas situações menos tranquilas, sentir medos ou ter pesadelos. Torna-se importante que os adultos cuidadores fiquem atentos à necessidade da criança ser tranquilizada, em relação a receios ou medos infundados, no sentido de prevenir futuros problemas relacionados com a ansiedade. Continue a ler “A idade pré-escolar” →

Bebés crescidos – Birras!

Comportamentos difíceisA partir dos 18 meses as crianças apresentam um desenvolvimento e uma evolução enormes. Após a aquisição da marcha e da fala, as crianças a partir do ano e meio passam a ter já competências cognitivas e sociais que lhes permitem uma maior interacção com os outros.

Em termos de desenvolvimento cognitivo, a partir dessa idade é suposto que a criança tenha imagens mentais de pessoas e objectos que não estejam presentes e que use a imaginação e comece com as brincadeiras do faz-de-conta. Usam objectos para representar pessoas, por exemplo, uma boneca para representar a mãe ou um bebé e conseguem já contar ou descrever os acontecimentos do dia-a-dia e imitar acções e acontecimentos ocorridos no passado. Compreendem que as imagens e as fotografias representam pessoas e objectos reais e têm alguma noção do tempo ainda que vaga e por vezes confundam os significados de hoje, amanhã e ontem. Continue a ler “Bebés crescidos – Birras!” →